No mundo a partir de hoje, sexta-feira, 16 de outubro, em edição digital e em LP e CD fabricados pela gravadora Deck, o álbum intitulado “Pitty” tem o mesmo sabor de “Sobremesa” em parte das 13 faixas, formatadas com produção musical orquestrada por Rafael Ramos com a própria Pitty.
É como se “Matriz” não tivesse existido na trajetória fonográfica da cantora, compositora e instrumentista baiana.
Em essência, ao longo do álbum “Pitty”, a artista reativa o chip do punk rock em músicas como a assertiva “Não à deriva”, faixa que tangencia o stoner rock, e flerta com o peso do metal em “Desobediente”, faixa que termina com toques da música oriental na produção feita com a adesão de Nave.
Até aí tudo bem. O álbum traz de volta a Pitty de outrora, mas com a experiência dos 49 anos – completados em 7 de outubro – e com a maturidade de quem já atravessou problemas de saúde, pariu uma filha já pré-adolescente e amargou uma separação cujas dores são expiadas nos versos do blues-rock “Álbum de casamento”.
O corpo estranho no álbum “Pitty” é “Pileque de poeta”, faixa feita com a adesão de Felipe Vassão (coprodução, programação e teclados) que acena para a pista do pop contemporâneo, fora de sintonia com o tom do álbum.
Com letra endereçada à destinatária de identidade desconhecida, “Amiga,” também se diferencia no conjunto da obra, soando como um rock em flerte fugaz com o universo do tecnobrega.
Curiosamente, o álbum se agiganta quando os beats se desaceleram e a guitarra de Martin Mendonça perde a fúria que sustenta músicas como “Armadura”.
Esse crescimento é nítido em “Caminhada”, balada em que Pitty versa sobre sororidade feminina. “Não estamos sozinhas, embora tentem dizer / Que a nossa única escolha é ceder ou morrer / A gente se reconhece pelo rastro e pela voz / O que tentaram quebrar em ti dói em todas nós / Não aceito que te calem, não aceito o teu fim / Cuidar de você é também cuidar de mim”, ressalta Pitty.
Já o rock-balada “Cuidada” é afetivo acerto de contas de Pitty com a mãe. Nessa letra interessante, Pitty se dirige à mãe com a experiência de ela, Pitty, já ser mãe de Madalena.
No geral pautado pela fúria incandescente das guitarras, sobressalentes em faixas como “Madame” e harmonizadas com o baixo de Paulo Kishimoto, a bateria de Nico e os teclados de Rodrigo Tavares, o álbum “Pitty” termina com “Nó”, rock sobre recomeço.
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