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'Habeas Corpus': Marjorie Estiano e Any Gabrielly falam sobre as falhas da Justiça na série

Atrizes do drama jurídico da Netflix contam como visitas a fóruns, conversas com advogados e estudo de casos reais mudaram a percepção delas sobre o sistema jud

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'Habeas Corpus': Marjorie Estiano e Any Gabrielly falam sobre as falhas da Justiça na série

Sete jurados do lado esquerdo. A ré do lado direito. O juiz ao fundo do tribunal. No centro de tudo, a professora e advogada criminalista Inez Franco apela para a única coisa que realmente importa durante um júri: a emoção, a comoção, a capacidade de fazer sua narrativa prevalecer, mesmo que isso signifique distorcer os fatos e colocar uma pessoa inocente atrás das grades.

Inez é a personagem de Marjorie Estiano na série "Habeas Corpus", primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix. Na vida real, a atriz pensa diferente, ainda mais depois de mergulhar nos casos, nas contradições e nas falhas do Judiciário brasileiro, que estão no centro da trama.

Do outro lado, está Marina, interpretada por Any Gabrielly, uma brilhante aluna bolsista que faz parte do grupo de revisão criminal criado pela professora. A estudante se envolve no caso por motivos que vão muito além do interesse acadêmico.

Para a artista, essa experiência também significou descobrir, na prática, o que existe por trás da frase “a Justiça brasileira é falha”.

🔎 Inspirada em casos reais da ONG Innocence Project Brasil, que revisa processos com condenações injustas, a produção constrói uma história ficcional para discutir direito ao contraditório e à ampla defesa, culpa e reparação.

Em entrevista ao g1, as duas atrizes contaram como a preparação para a série, que teve visitas a fóruns, conversas com advogados e pesquisa de casos reais, mudou a percepção delas sobre o sistema e revelou o peso que um erro judicial pode ter na vida de alguém.

Ver isso na sua frente muda tudo. É muito diferente você estar na sua casa e falar que o sistema é uma bosta e você ver o sistema sendo uma bosta. Foi um tapão na cara", resume Any.

Para Marjorie, a principal lição durante a preparação para a série foi entender de maneira mais profunda a relação entre Justiça e vulnerabilidade e compreender o papel de cada peça nesse xadrez que produz efeitos concretos.

Any Gabrielly contou que começou a preparação carregando a percepção de que o sistema de Justiça brasileiro é simplesmente falho.

Apesar do título da série, o instrumento jurídico que move a história é a revisão criminal. O habeas corpus é previsto na Constituição Federal e pode ser utilizado quando alguém sofre ou corre o risco de sofrer uma restrição ilegal ao direito de ir e vir.

Já a revisão criminal permite revisitar uma condenação definitiva em situações previstas em lei, como o surgimento de novas provas de inocência. E é essa ferramenta que orienta o trabalho de Inez ao lado de estudantes de Direito.

Em busca de elementos que possam colocar a sentença em dúvida, eles analisam o processo de Jonathan (interpretado por Hipólyto), um jovem de 19 anos condenado injustamente a 47 anos de prisão pelo crime de homicídio.

Any espera que a premissa da série faça com que o público questione ideias que já considera certas sobre Justiça, crime e punição.

Para Marjorie, a série pode ajudar o público a olhar para a Justiça de uma maneira diferente.

A expectativa é mostrar a importância desse órgão, da função da justiça dentro de uma sociedade. É um elemento que precisa se rever o tempo inteiro, se fiscalizar, se corrigir, se atualizar.

Acho que a série acaba oferecendo essa provocação de você pegar a justiça no seu colo e tentar entender um pouco, se implicar um pouco mais nas soluções também", afirmou.

E a personagem da atriz desempenha exatamente esse papel ao começar a história mais preocupada em se beneficiar da lei do que em defender os princípios do Direito.

Além da preparação relacionada ao judiciário, Any Gabrielly destacou a experiência de trabalhar com grandes atores veteranos.

Segundo a atriz, que começou a fazer papéis de destaque no audiovisual brasileiro nos últimos 5 anos, o trabalho também trouxe uma sensação de responsabilidade por estar em cena ao lado de artistas que admira.

Um dos dias que mais marcou a atriz foi uma gravação de cenas de tribunal durante o Carnaval, com sequências de julgamentos, textos longos e momentos de tensão.

A série tem uma forte presença da cidade de São Paulo. Parte das gravações foi realizada na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, que recebeu cenas acadêmicas e jurídicas.

A Sala São Paulo e o Instituto de Biologia também foram usados como locações.

Uma casa projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, no Butantã, foi transformada na residência de Murilo (Vladimir Brichta) e Bianca (Renata Gaspar), atual esposa do advogado.

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