Embora tenha sido citado na investigação, o estabelecimento não foi alvo da Operação Unha e Carne, deflagrada na última quinta-feira. Mas, segundo a polícia, a movimentação em dinheiro vivo é compatível com a prática de ocultação de valores.
Canella é apontado como integrante do núcleo empresarial e político do esquema que, segundo a investigação, tinha quase 100 postos de gasolina para mesclar o dinheiro do combustível com dinheiro ilícito, inclusive, de verba pública.
Contrato foi assinado quando Canella ainda era prefeito.
O RJ2 descobriu que o posto citado na investigação que prendeu Márcio Canella já recebeu 37 milhões em pagamentos da Prefeitura de Belford Roxo, desde 2012.
Ao todo, foram localizados sete contratos com o posto. Um desses contratos foi assinado quando Canella era prefeito da cidade da Baixada Fluminense.
O contrato é com a Secretaria Municipal de Transportes, de 10 de novembro de 2025, antes de Canella renunciar ao mandato para concorrer à Assembleia Legislativa.
Os sete contratos somam valores de cerca de 20 milhões. Menos que os 37 milhões efetivamente pagos, de acordo com dados da transparência da Prefeitura de Belford Roxo.
O último documento foi assinado dois dias depois de Canella se tornar o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com quase 200 mil votos, já na gestão de sua sucessora na prefeitura, no dia 6 de outubro.
O posto de gasolina São Sebastião de Belford Roxo, que recebeu mais de 37 milhões, pertence a Bruno Viana de Souza. Segundo a polícia, Márcio Canella e Bruno são sócios numa outra empresa, a Brumar Empreendimentos.
A Polícia Federal investiga se o dinheiro público que saiu da prefeitura, comandada pelo grupo de Canella, teria entrado no posto de gasolina comandado por um sócio dele e voltado para o grupo através dessa outra empresa.
A Prefeitura de Belford Roxo disse que todos os contratos vão ser objeto de auditoria interna e que o posto citado é contratado desde 2012, antes do governo de Márcio Canella.
Disse ainda que em todas as licitações feitas depois disso não houve mais nenhuma empresa interessada em prestar o serviço.
O RJ2 procurou a defesa de Márcio Canella e da prefeita Mariana Malta, mas não obteve retorno até a publicação. A defesa de Bruno Viana de Souza, citado na reportagem, não foi encontrada.
Em números
- Os sete contratos somam valores de cerca de 20 milhões
- Menos que os 37 milhões efetivamente pagos, de acordo com dados da transp
- O posto de gasolina São Sebastião de Belford Roxo, que recebeu mais de 37 milhões, pertence a Bruno Viana de Souza
- Posto citado em investigação que levou à prisão de Canella recebeu mais de R$ 37 milhões da Prefeitura de
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