A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram, nesta quarta-feira (28), a Operação Dominus, contra uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV) que explorava a venda de gás de cozinha em comunidades dominadas pela facção.
- Núcleo empresarial: “Era o responsável pelo fornecimento de gás e pela cobrança de taxas — as chamadas ‘metas do gás’ — e a expansão territorial”, descreveu o delegado.
- Núcleo armado: “Traficantes que ameaçavam e praticavam atos de violência contra os empresários para que aderissem a essa ‘meta do gás’. Muitos estabelecimentos foram vandalizados”, detalhou.
Até a última atualização desta reportagem, 4 pessoas haviam sido presas. Outras 4 foram pegas em flagrante.
Entre os presos está Adriano Pereira Vasconcelos Junior, o Junior Playboy, apontado como principal articulador e coordenador da organização criminosa. “Ele tem uma fornecedora e obrigava os empresários a adquirir o gás da empresa dele”, afirmou o delegado Pedro Brasil.
Outro alvo é Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefão do CV e foragido por diversos crimes. Segundo o delegado, Júnior Playboy ajudou Doca a fugir de uma operação, reservando uma casa.
Os mandados são cumpridos em São Gonçalo, em Itaboraí, em Duque de Caxias, em Niterói e na capital, no Recreio dos Bandeirantes e na Taquara.
Segundo a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), a quadrilha usava o domínio armado do tráfico para controlar a venda de gás e impedir a livre concorrência.
Comerciantes eram obrigados a comprar produtos somente de fornecedores indicados pelo grupo ou a fazer pagamentos periódicos, sob ameaça de retaliação. Essas cobranças eram chamadas de “metas do gás” e serviam como outra forma de arrecadação para a organização.
O inquérito começou com uma investigação na comunidade do Vai Quem Quer, em Duque de Caxias. “Mas depois nós percebemos que isso não era um problema local. Ele foi se expandindo por diversas comunidades dominadas pelo Comando Vermelho”, afirmou o delegado Pedro Brasil.
Pedro Brasil explica que eram 2 núcleos.
O inquérito apura os crimes de organização criminosa e extorsão relacionados à exploração da comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP).
A investigação identificou uma estrutura com divisão de funções, que reunia operadores comerciais, responsáveis pela logística de distribuição, arrecadadores e integrantes ligados ao controle territorial exercido pelo Comando Vermelho.
Os investigadores também analisaram dados armazenados em mídias usadas por um dos principais investigados. De acordo com a polícia, as informações permitiram reconstruir parte do funcionamento do esquema e identificar comunicações entre responsáveis pela atividade comercial, arrecadadores e integrantes ligados ao tráfico.
A investigação também identificou indícios do uso de empresas de fachada e pessoas interpostas, os chamados “laranjas”, para movimentar recursos, ocultar patrimônio e dar aparência de legalidade aos valores.
Segundo a apuração, empresas formalmente registradas em nome de terceiros, principalmente nos setores de distribuição de gás e construção civil, eram utilizadas para afastar o nome de um dos investigados da titularidade de empresas e bens.
Em números
- Até a última atualização desta reportagem, 4 pessoas haviam sido presas
- Operação mira monopólio do gás do Comando Vermelho; grupo impunha ‘meta’ e cobrava até R$ 150 por botijão
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