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Morte de Lito Sousa: família fez corrida contra o tempo para trazer substância experimental ao Brasil

Lito Sousa, influencer e especialista em aviação, morreu em São Paulo após diagnóstico de doença rara. No dia 12 de setembro, Lito recebeu a substância experime

5 min de leitura
Morte de Lito Sousa: família fez corrida contra o tempo para trazer substância experimental ao Brasil

Nos últimos dias de vida de Lito Sousa, a família fez uma corrida contra o tempo para conseguir trazer ao Brasil uma substância experimental que seria usada no tratamento da doença de Creutzfeldt-Jakob, condição neurodegenerativa rara e progressiva.

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Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, em São Paulo. Familiares e o Hospital Albert Einstein, onde Lito estava internado, confirmaram a morte.

A substância ALN-6457 chegou de Nova York ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na madrugada de 12 de setembro e foi levada de helicóptero ao Hospital Israelita Albert Einstein, na capital.

🔍ALN-6457 está em estágio pré-clínico e ainda não teve estudos formalmente iniciados em seres humanos para a doença priônica. Por isso, Lito foi a primeira pessoa a testar a substância e a importação foi autorizada em caráter excepcional.

O rito excepcional, porém, não significa que tenha sido criada uma regra específica para Lito. A autorização foi concedida dentro do mecanismo de uso compassivo.

A operação envolveu Receita Federal, Anvisa e Polícia Federal, além de uma empresa de táxi aéreo que disponibilizou um helicóptero para fazer o transporte até o Einstein.

Mila contou que a semana que antecedeu a chegada da substância foi especialmente difícil para a família. Lito teve uma piora geral no quadro e precisou deixar o atendimento em home care e voltar para o hospital.

A família havia sido informada de que uma farmacêutica estava interessada no caso do piloto e avaliava a possibilidade de fornecer o produto por meio do chamado uso compassivo.

Segundo Mila, o procedimento é destinado a situações em que o paciente está diante de uma doença grave e sem outras alternativas de tratamento.

O caso de Lito foi avaliado e aprovado para receber a substância experimental. Ele chegou a ser considerado apto, por critérios médicos, para estudos conduzidos por instituições e farmacêuticas, mas não havia vaga disponível para sua entrada nos estudos.

Com a aprovação para o uso compassivo, que permite a pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas o acesso a substâncias ainda experimentais, começou uma corrida para organizar a produção, o transporte e as autorizações necessárias para o produto chegar ao Brasil.

Ela disse que a família montou um plano de ação para antecipar possíveis problemas durante o transporte. Parte da substância seria enviada da Europa e outra, dos Estados Unidos.

Por questões de confidencialidade, a família não sabia inicialmente de onde viria cada parte do produto.

Uma delas estava pronta na Suíça. Ela saiu do país no dia 10 e chegou ao Brasil no dia seguinte. A outra foi enviada como carga regulamentada em um avião comercial.

O planejamento, no entanto, precisou ser alterado quando o voo foi cancelado por um problema técnico. A previsão era que a aeronave chegasse à noite, e o produto precisaria ser administrado em um intervalo limitado de tempo.

Segundo Mila, não era possível simplesmente transferir a carga para outra companhia aérea. Havia uma série de procedimentos e documentos que precisavam acompanhar a substância e que já haviam sido submetidos previamente às empresas aéreas.

Foi então que a família acionou parceiros da área de aviação para encontrar uma alternativa. Como havia previsão de chuva forte e pontos de alagamento na Grande São Paulo, incluindo a Marginal Tietê, a solução encontrada foi transportar o medicamento de helicóptero de Guarulhos até o hospital.

A empresa de táxi aéreo disponibilizou uma tripulação e cuidou da parte de regulamentação no aeroporto em Guarulhos.

A família também já havia providenciado previamente as autorizações necessárias na Anvisa e na Receita Federal, e a Polícia Federal foi acionada para autorizar a saída da carga.

Mila destacou a atuação coordenada das autoridades e dos profissionais envolvidos na operação. Segundo ela, a documentação preparada foi fundamental para que o procedimento pudesse ser realizado rapidamente.

Mila também disse que a farmacêutica responsável pela substância demonstrou interesse em abrir estudos sobre a substância no Brasil. Segundo ela, a possibilidade poderia ser concretizada nos próximos meses e permitir que outros pacientes tenham acesso a estudos sobre a doença no país.

Ela afirmou que Lito não havia sido inicialmente considerado para os estudos aos quais a família recorreu porque não havia vagas disponíveis, apesar de ele preencher os critérios.

Segundo Mila, a possibilidade de novos estudos no Brasil é especialmente importante por se tratar de uma doença rara.

Ao final do relato, ela agradeceu às pessoas que participaram da mobilização em torno do caso de Lito e aos profissionais e instituições envolvidos na chegada da medicação.

Lito Sousa posta novo vídeo após receber alta do hospital em SP.

Aos 59 anos, Lito Sousa foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara causada por príons e que não possui, até o momento, tratamento capaz de reverter sua evolução.

Em vídeo publicado em 4 de setembro, Lito falou sobre sua recuperação e afirmou que suas chances de sobreviver haviam aumentado. Na gravação, ele também conversou sobre aviação, tema pelo qual é conhecido.

Eu vou ter muito trabalho depois que eu melhorar, porque está acontecendo tanta coisa. Até eu me inteirar de tudo", disse, na época.

A doença de Creutzfeldt-Jakob provoca uma deterioração progressiva do cérebro. No Brasil, foram registrados 547 casos confirmados entre 2005 e 2021, segundo o Ministério da Saúde.

A maior parte dos pacientes vive de seis meses a um ano após o surgimento dos primeiros sintomas.

Ainda não há tratamento aprovado no mundo capaz de interromper a evolução da doença. As alternativas em estudo permanecem no campo experimental.

Em números

  • No Brasil, foram registrados 547 casos confirmados entre 2005 e 2021, segundo o Ministér

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