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Ex-número 3 da Fazenda de SP foi promovido quando já recebia R$ 250 mil por mês em propina, diz MP

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Ex-número 3 da Fazenda de SP foi promovido quando já recebia R$ 250 mil por mês em propina, diz MP

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Weiss deixou a Diretoria-Geral Executiva da Administração Tributária (DEAT) em 29 de maio de 2026. No mesmo dia, porém, foi designado assistente fiscal técnico na própria DEAT, permanecendo como auditor da Fazenda.

Ele continuou na secretaria até ser preso, em 3 de setembro, durante a Operação Caldarium. Agora, o Ministério Público denunciou Weiss à Justiça pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa.

A denúncia também inclui os agentes fiscais de rendas Artur Gomes da Silva Neto e Kunio Shimada e o advogado João André Buttini de Moraes. O MP pediu a manutenção das prisões de Weiss, Buttini e Artur e a decretação da prisão preventiva de Shimada.

A permanência de Weiss na Fazenda ocorreu mesmo depois de ele passar quase dois anos no comando da cúpula da Administração Tributária durante o período em que, segundo a investigação, recebia pagamentos ilícitos.

De acordo com o MP, os repasses começaram em meados de 2023, quando Weiss assumiu a Diretoria de Fiscalização (Difis), responsável pela fiscalização tributária em todo o estado.

Promoção durante período de suposta propina.

O MP afirma que o arranjo chegou ao “ápice” em agosto de 2024, quando Weiss foi promovido ao comando da unidade de cúpula da Administração Tributária.

Documentos oficiais mostram que ele deixou a Diretoria de Fiscalização e assumiu a Coordenadoria de Fiscalização, Cobrança, Arrecadação, Inteligência de Dados e Atendimento (CFIS).

Após uma reorganização administrativa, a estrutura passou a se chamar Diretoria-Geral Executiva da Administração Tributária.

Weiss permaneceu no comando até maio deste ano. Segundo o Ministério Público, ocupava o mais alto posto executivo da Administração Tributária, abaixo apenas do subsecretário da Receita e do secretário da Fazenda.

Mesmo após deixar essa função, porém, Weiss permaneceu dentro da DEAT. A designação de 29 de maio o colocou como assistente fiscal técnico, função pela qual recebeu a atribuição de 3.

480 quotas de produtividade e 2. 070 quotas de pró-labore.

Além disso, em julho, já fora do comando da DEAT, foi publicada uma promoção de Weiss do nível IV para o nível V da carreira de agente fiscal de rendas, por merecimento, com efeitos retroativos a 1º de agosto de 2023.

Ele só foi afastado da função pública após sua prisão em setembro.

Reconduzido ao Conselho Fiscal da CPTM.

Pouco antes de deixar o comando da Administração Tributária, Weiss também havia sido reconduzido pelo governo paulista para um segundo mandato no Conselho Fiscal da CPTM.

A recondução ocorreu em 29 de abril de 2026 e, segundo a ata da estatal, contou com “competente autorização governamental”. Weiss deixou o conselho em junho.

Em agosto de 2025, após a deflagração da Operação Ícaro, ele também havia sido responsável por escolher os oito fiscais que integrariam o grupo técnico criado pela Fazenda para revisar processos, protocolos e normas de ressarcimento de ICMS atingidos pelas investigações envolvendo Ultrafarma e Fast Shop.

MP aponta Weiss como chefe de núcleo público.

Para os promotores, a posição ocupada por Weiss lhe dava influência sobre diretores, delegados regionais tributários e outros servidores, inclusive sobre a permanência deles em postos considerados estratégicos.

A investigação sustenta que esse poder teria sido utilizado para manter uma estrutura funcional favorável aos interesses do grupo. O MP afirma que a corrupção alcançava diferentes níveis da Fazenda, desde funcionários responsáveis por processar pedidos de ressarcimento até integrantes da cúpula da Administração Tributária.

Um dos elementos usados pelos investigadores para corroborar a colaboração de Paulo Prado é uma gravação feita em julho de 2023 pelo auditor Artur Gomes da Silva Neto, o “Rei Artur”.

Durante um almoço entre fiscais, no qual eram discutidos processos tributários de grandes varejistas, Weiss foi questionado sobre o assunto de uma reunião reservada que teria com Prado e respondeu: “Rateio”.

Para o MP, o diálogo fazia referência à divisão de vantagens relacionadas aos procedimentos tributários.

A denúncia contra Weiss e os outros três investigados será analisada pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.

O advogado Maurício Zanoide de Moraes, defensor de João Buttini, informou que "a defesa não teve acesso aos autos e respeita o sigilo nele decretado". O g1 tenta contato com as defesas dos outros denunciados.

Em números

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