Foi ali, na areia do Posto 2, que o público diverso se encantou com edições anteriores do festival e com apresentações com a regência do maestro Rodrigo Toffolo, para óperas baseadas nos livros Feliz Ano Velho, Auto da Compadecida e Hilda Furacão.
Esses encontros já se tornaram uma tradição do grupo de Minas Gerais, que tem a característica de juntar música de concerto com a literatura e a música popular.
Ele lembrou que já foram gravadas composições de Mozart, Vivaldi, Villa Lobos e Piazzolla, mas que existe uma música contemporânea que as orquestras também têm que fazer.
O som de violinos, violas e violoncelos da orquestra estará presente nas apresentações que representam bem o caminho percorrido com a sua marca artística.
Hoje, logo na abertura, às 19h30, a orquestra fará o tributo Lendas do Rock, juntando esse ritmo musical ao pop. “A gente toca Queen, Metallica, Led [Zeppelin], Pink Floyd.
É muito legal poder falar um pouco desse ambiente que, de certa forma, inspirou todos nós e o próprio Samuel. É a orquestra fazendo a abertura para ela mesma”, disse.
A partir das 20h30, será a vez da estreia do concerto especial com Samuel Rosa. É a primeira vez que Samuel Rosa se encontra com a sonoridade dos instrumentos da Orquestra Ouro Preto, no concerto criado justamente para essa apresentação, que vai trazer sucessos conhecidos do grande público, mas que também propõe um acompanhamento do trabalho do compositor, com arranjos que revelam novas camadas melódicas e harmônicas das canções.
De acordo com Rosa, a junção da música erudita com a popular sempre gera bons resultados e sempre é uma experiência muito interessante. “Recebi o convite com muita empolgação.
A orquestra já vem fazendo isso há muito tempo e agora chegou a minha vez. Estou bem tranquilo quanto a isso porque o meu repertório tem músicas que aceitam esse tipo de arranjo, inclusive hoje algumas originalmente têm arranjos com cordas”.
O fato de o concerto ser na Praia de Copacabana também é relevante. “O astral muda, é completamente diferente. Eu já toquei várias vezes na praia, Copacabana inclusive, e é sempre uma ocasião muito especial.
Ali, é um show gratuito que as pessoas vão para escutar as músicas de que gostam. Com novos arranjos, é toda uma moldura para ser uma grande noite, sendo o Rio de Janeiro, por si só, já seria legal e ainda estar na companhia da Orquestra Ouro Preto que tem experiência muito grande com música popular", disse.
Segundo Samuel Rosa, o público que for e estiver acostumado com a sua música terá a oportunidade de ouvir de maneira diferente, com arranjos mais delicados. “Quando é bem feito como costuma ser com a Orquestra Ouro Preto, é bem legal.
Estou indo com a minha banda completa, com naipe de metais. São músicas que escolhi já com a possibilidade de casarem bem com arranjos de orquestra”, adiantou.
A lista de músicas tem momentos românticos com Dois Rios, Ainda Gosto Dela, Te Ver, Balada do Amor Inabalável; traz também o lirismo com Acima do Sol, Canção Noturna e Tarde Vazia; e sucessos dançantes, como Vamos Fugir, Vou Deixar e Lourinha Bombril.
A presença de Samuel, segundo o maestro, é também uma forma de mostrar que a música de Minas não é apenas o Clube da Esquina, composto, entre outros, por Milton Nascimento, Beto Guedes e Lô Borges.
Tem ainda a cantora Fernanda Takai, do grupo Pato Fu, e Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest.
Samuel está animado. “Tenho certeza que vai funcionar. Tendo o Rio e a brisa da praia, vai ser uma das experiências das mais valiosas. Valorizo muito quando tenho a possibilidade de tocar em ambientes que não são os corriqueiros de casas de show ou lugares fechados.
Tocar em locais abertos no Rio de Janeiro e na Praia de Copacabana tem outra conotação. O contexto muda muito e me empolga”.
Amanhã, às 20h30, a plateia vai ver o reencontro da OOP com Alceu Valença, em um espetáculo que andou pelo Brasil e foi levado também para a Europa, se transformando em uma das parcerias mais antigas da música popular brasileira.
É também mais uma celebração dos 80 anos de Alceu, com ritmos nordestinos em novas camadas musicais para clássicos como La Belle de Jour, Anunciação, Tropicana, Girassol, Como Dois Animais, Dia Branco e Táxi Lunar.
As escolhas das músicas foram do próprio Alceu e ao mesmo tempo é certeza de animação e emoção do público. “O Alceu transforma a gente em pessoas e músicos melhores.
Em cada experiência com Alceu, você sai melhor do que entrou. Estar cada minutinho ao lado dele é muito importante. Ele compreende o Brasil profundo como poucas pessoas compreendem.
Isso é a alma e essência de Alceu Valença”, ressaltou o maestro.
Antes do concerto, como Alceu gosta de frisar, haverá uma apresentação dedicada a um artista bem próximo da formação artística do cantor e compositor de São Bento do Una, Pernambuco.
A partir das 19h30, o grupo mineiro vai subir ao palco para um concerto em homenagem a Luiz Gonzaga, o Gonzagão, também pernambucano como ele.
O maestro lembrou que na última apresentação de solo, a ginasta Flávia Saraiva utilizou como trilha musical um trecho da gravação da Orquestra Ouro Preto tocando Gonzagão.
O festival, que costuma ser aguardado na temporada anual da orquestra, reforça o propósito de “construir pontes entre repertórios, linguagens, públicos e tempos distintos da música brasileira e mundial”.
Com o patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, a OOP consegue levar os seus concertos gratuitos a diversos lugares do país e do exterior.
Para a diretora de Investimento Social Privado e Cultura da Vale, Mariana Luz, o festival é uma forma de democratizar o acesso à música de concerto, além de “promover a circulação da cultura para diferentes públicos, fortalecendo o desenvolvimento de territórios e a economia criativa”.
A parceria da OOP se estende ao Vale Música, projeto da empresa para a formação musical de crianças e jovens.
Fontes
Informação baseada em material público de Agência Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.