O Conselho de Justificação (CJ) da Polícia Militar (PM) de São Paulo marcou para esta quarta-feira (30) a retomada do julgamento do processo administrativo que pode expulsar o tenente‑coronel Geraldo Neto da corporação.
- PM Gisele: Mensagens mostram que tenente-coronel preso por feminicídio assediou sexualmente outra PM por 8 meses.
Tenente-coronel Geraldo Neto é levado para presídio militar Romão Gomes.
A informação consta no Diário Oficial do estado.
O oficial está preso acusado de matar a esposa, a soldado da PM Gisele Alves. O crime ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no Centro da capital paulista.
Geraldo Neto nega esse crime e alega que a mulher se suicidou.
Além desse feminicídio, o tenente-coronel é investigado por ter intimidado PMs que atenderam a ocorrência e subordinadas que foram chamadas para limpar a residência.
A audiência será feita por videoconferência e está programada para começar às 11h.
Para essa tarde estavam previstos os depoimentos das testemunha de defesa de Geraldo Neto. Ele está detido desde 18 de março no Presídio Romão Gomes da PM, na Zona Norte de São Paulo.
Se houver tempo, o oficial poderá ser interrogado _senão será marcada uma nova data para ouvi-lo.
Geraldo Neto já foi interrogado outras vezes _pela Polícia Civil e pela própria PM_ em razão da morte de Gisele. O g1 teve acesso aos vídeos do que ele falou. O oficial chorou ao negar o crime e admitiu que apagou mensagens de discussões, revelou ter feito sexo com a mulher antes da morte e disse que brincadeiras sobre 'macho alfa' e 'fêmea beta' eram uma piada do casal.
O julgamento do tenente-coronel no Conselho de Justificação começou em abril. O procedimento analisa se Geraldo Neto mantém condições morais e funcionais para permanecer na corporação.
Em maio já tinham sido ouvidos os depoimentos de três policiais militares amigas da vítima e de um oficial da PM que atendeu à ocorrência no dia do crime. Falaram uma soldado, um primeiro‑tenente, uma subtenente e uma cabo.
Agentes da PM que atenderam a ocorrência no imóvel onde Geraldo Neto morava com Gisele Alves registraram o comportamento do oficial com câmeras corporais, as body cams.
Corregedoria prende tenente-coronel da PM acusado de matar esposa e simular suicídio.
O primeiro‑tenente afirmou à Polícia Civil que se surpreendeu com o o que viu no apartamento: “estranhou esta ocorrência em específico, pois o local estava mais preservado do que o de costume numa situação dessas”.
Já as três policiais amigas de Gisele relataram à investigação um histórico de controle, ciúme e comportamento possessivo por parte do tenente‑coronel.
Segundo os depoimentos, o oficial controlava redes sociais da esposa, monitorava conversas e restringia comportamentos pessoais, como o uso de maquiagem e perfume.
As testemunhas também afirmaram que Gisele pretendia se separar após descobrir traições do marido.
Todas destacaram ainda que a vítima não apresentava tendências suicidas.
PM Gisele foi baleada e morta pelo marido, tenente-coronel Neto, segundo o MP. Oficial está detido há mais de um mês no Presídio Militar Romão Gomes (ao centro).
Procurada pelo g1, a defesa do oficial, feita por Eugênio Malavasi, confirmou a data da retomada do processo administrativo contra seu cliente.
O procedimento ocorre independentemente da esfera criminal e pode resultar na expulsão do oficial mesmo sem condenação criminal.
Formado por três coronéis, o colegiado analisa provas, ouve testemunhas e avalia a conduta do militar. Caso conclua pela incompatibilidade, o processo segue para o Tribunal de Justiça Militar (TJM), que pode determinar a perda do posto e da patente.
Amiga alertou PM Gisele Alves de que Ten. Geraldo Neto poderia matá-la.
Neto é réu na Justiça comum por feminicídio e fraude processual. Ele tem 53 anos. Gisele tinha 32 e deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior.
No dia 5 de outubro, Geraldo Neto será interrogado presencialmente no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste. Essa audiência é a última etapa antes de a Justiça decidir se o leva a júri popular pelos crimes.
Segundo o Ministério Público (MP), Gisele queria se separar, mas o marido não aceitava o fim do relacionamento. A acusação sustenta que ele matou a esposa com um tiro na cabeça e tentou simular um suicídio.
A defesa nega o crime e afirma que a própria Gisele tirou a vida após ele pedir o divórcio.
Laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do MP, no entanto, indicam que o oficial teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime.
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