Apesar do recuo mensal, o valor médio do leite ainda ficou 8,31% acima do registrado em setembro de 2025, considerando a inflação do período, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A pressão sobre os preços ocorre em um momento de recuperação sazonal da produção nacional, especialmente no Sudeste. De acordo com o Cepea, o Índice de Captação de Leite (ICAP-L), que acompanha o volume de matéria-prima captado pelos laticínios, avançou 2,16% entre agosto e setembro.
O aumento da disponibilidade de leite no mercado interno também afetou os preços dos derivados, como leite longa vida (UHT), muçarela e leite em pó.
Levantamentos do Cepea, realizados com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), mostram que os três produtos registraram desvalorização no atacado paulista em setembro, na comparação com agosto.
Além do crescimento da produção nacional, o avanço das importações contribuiu para ampliar a oferta desses produtos e intensificar a disputa por espaço no mercado brasileiro.
Importações de lácteos crescem 8,38%.
As importações brasileiras de produtos lácteos aumentaram 8,38% em setembro, na comparação com agosto, totalizando 249,6 milhões de litros em equivalente-leite, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
As exportações também cresceram no período, com avanço de 6,05%, mas alcançaram um volume significativamente menor, de 5,57 milhões de litros em equivalente-leite.
Com isso, o déficit da balança comercial de lácteos aumentou 8,4% em relação ao mês anterior.
Segundo o Cepea, a entrada de produtos importados, principalmente leite em pó e queijos, amplia a disponibilidade no mercado doméstico e aumenta a concorrência enfrentada pelos produtores brasileiros.
Custos de produção sobem e pressionam margens.
Enquanto os preços recebidos pelos produtores recuaram, os custos da atividade leiteira voltaram a subir em setembro.
O Custo Operacional Efetivo (COE) apresentou alta de 0,46% na média nacional, impulsionado principalmente pelo encarecimento dos insumos utilizados na alimentação do rebanho.
O grupo de alimentos concentrados registrou aumento de 0,84%, refletindo a valorização do milho, da soja e do farelo de soja.
Esse movimento amplia a pressão sobre as margens da atividade, uma vez que os produtores enfrentam simultaneamente a redução dos preços de venda e a elevação das despesas de produção.
O Cepea avalia que a continuidade da valorização dos insumos pode manter os custos pressionados em outubro.
El Niño pode limitar queda dos preços nos próximos meses.
A perspectiva para os próximos meses ainda é de pressão sobre os preços pagos aos produtores.
Segundo o Cepea, a recuperação sazonal da produção, a maior disponibilidade de matéria-prima e o enfraquecimento dos preços dos derivados devem dificultar uma reação nas cotações do leite cru.
Entretanto, as condições climáticas podem alterar esse cenário mais adiante.
Os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre as regiões produtoras podem limitar a expansão da oferta nacional, reduzindo a intensidade das quedas nos preços.
Dessa forma, a evolução das condições climáticas e do volume de leite disponível no mercado será determinante para o comportamento das cotações nos próximos meses.
Em números
- Am no período, com avanço de 6,05%, mas alcançaram um volume significativamente menor, de 5,57 milhões de litros em equivalente-leite
- Preço do leite cai 5% e chega a R$ 2,76 por litro, aponta Cepea
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