A edição de 2026 do Prêmio Ig Nobel consagrou pesquisas bizarras em uma cerimônia com chuva de aviões de papel e cédulas cenográficas de 10 trilhões de dólares do Zimbábue.
- Design de mictório canadense que reduz respingos quando o jato atinge a superfície em menos de 30 graus.
- Análise química comprovando que o leite de barata reúne três vezes mais energia que o de vaca.
- Estudo olfativo demonstrando que recém-nascidos cheiram bem aos pais, mas adolescentes não.
- Experimento de engenharia que transformou probóscides de mosquitos em bicos para impressoras 3D.
Entregue por vencedores do Nobel tradicional, a premiação satírica reconhece estudos que primeiro fazem rir e depois colocam a cabeça para pensar. Entre os premiados estão motoristas ricos cortando outros carros no trânsito e pessoas pegando doces destinados a crianças.
Ricos são mais propensos a trapacear e pegar doces de crianças.
A pesquisa vencedora em Economia revelou que pessoas de classes mais altas apresentaram maior propensão a determinados comportamentos antissociais. Em testes de campo, motoristas de classes mais altas cortaram outros veículos com mais frequência e ignoraram pedestres nas faixas.
Em um experimento, também se mostraram mais dispostos a mentir no trabalho.
O teste do pote de doces escancarou essa diferença: deixados sozinhos com guloseimas destinadas a crianças, os voluntários de classe mais alta pegaram quase o dobro dos doces em comparação aos de classe mais baixa.
Tirar doce de criança pode ser a menor das nossas preocupações, mas é emblemático da tendência de priorizar as próprias necessidades sobre as alheias.
Cientistas no Brasil pisam em cobras em nome da ciência.
O prêmio de Biologia ficou com pesquisadores do Brasil que calçaram botas de proteção para descobrir o que fazia cobras venenosas morderem em situações defensivas.
A equipe pisou de leve em várias partes do corpo dos animais e descobriu que a pressão na cabeça provocava a maior parte das mordidas.
O estudo acabou retirado posteriormente pela revista científica porque os pesquisadores não tinham aprovação ética para realizar o procedimento com os répteis.
Inimigos em comum e a biomecânica do beijo.
Na categoria da Paz, a pesquisa mostrou que as pessoas podem apreciar quando amigos agem de forma mais agressiva contra seus rivais. Já em Biomecânica, o Reino Unido levou a melhor com cientistas de Oxford que definiram o beijo como uma interação oral-oral sem transferência de alimento.
Outros destaques inusitados da premiação.
De testes aerodinâmicos ao assoar o nariz até cuecas enterradas para medir a qualidade do solo, a edição mostrou que até as perguntas mais inusitadas podem render pesquisas científicas.
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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