A relação entre a Anthropic e o governo de Donald Trump parece ter entrado em nova fase. Após meses de confrontos envolvendo o uso de inteligência artificial (IA) para fins militares e de segurança nacional, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que a administração voltou a confiar na empresa.
- A Anthropic havia entrado em confronto com o governo Trump depois de se recusar a permitir que seus modelos Claude fossem utilizados para vigilância doméstica ou sistemas de armas autônomas.
- A resistência da empresa provocou reação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, que bloqueou a Anthropic de determinados contratos militares. A companhia então levou o conflito à Justiça na Califórnia (EUA).
- Em 27 de agosto, um juiz federal decidiu a favor da Anthropic na disputa com o governo sobre as restrições ao uso militar de sua tecnologia. A decisão também derrubou a classificação da empresa pelo Pentágono como risco para a cadeia de suprimentos.
- A empresa, porém, ainda enfrenta uma disputa separada no Tribunal de Apelações do Circuito de Washington, relacionada a outra designação feita pelo Pentágono.
- O episódio ocorreu depois de a administração estadunidense também impor controles abrangentes de exportação sobre os modelos mais avançados da Anthropic.
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A declaração representa mudança significativa na relação entre a administração Trump e a Anthropic, que havia se deteriorado após uma disputa sobre os limites impostos pela empresa ao uso de seus modelos de IA pelo governo estadunidense.
Anthropic ainda não comenta declaração de Lutnick.
Apesar da declaração pública de Lutnick, nem a Anthropic nem o Departamento de Comércio responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters sobre a nova posição do governo.
A participação de Brown no evento do G20, no entanto, sinaliza uma mudança clara em relação ao período em que a empresa estava em conflito aberto com a administração.
Para a Axios, a aproximação também evidencia a importância do alinhamento entre empresas de tecnologia e governo para avançar em determinadas prioridades de política pública.
O episódio marca, assim, uma reviravolta na relação entre a Anthropic e a Casa Branca: a empresa que esteve no centro de uma disputa com o Pentágono por seus limites de segurança para IA agora aparece novamente em eventos oficiais ao lado de integrantes do governo Trump.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Cofundador da Anthropic ganha espaço na aproximação com a Casa Branca.
A reaproximação ganhou um rosto importante dentro da Anthropic: Tom Brown, cofundador da empresa. Segundo a Axios, Brown teve papel relevante na reconstrução da relação com o governo e manteve diversas conversas com Lutnick e com Sean Cairncross, diretor nacional de cibersegurança dos Estados Unidos.
A mudança ficou evidente nesta quarta-feira (2), durante um evento ministerial de inovação do G20 em Chapel Hill, na Carolina do Norte (EUA). Lutnick apresentou Brown aos ministros presentes e o convidou para participar de uma conversa diante do público internacional.
Brown também adotou um tom favorável ao governo Trump durante o encontro. O executivo elogiou uma publicação recente do presidente sobre a expansão de data centers nos Estados Unidos.
Segundo o cofundador da Anthropic, essas estruturas geram empregos, impostos e podem contribuir para ampliar a oferta de energia na rede elétrica quando são projetadas dessa maneira.
Brown também destacou o apoio da Anthropic ao compromisso defendido pela administração em relação aos custos de energia.
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