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Estudo revela como o dodô enxergava e percebia o mundo antes da extinção

Um crânio bem preservado de dodô foi utilizado em estudo que investigou questão antiga: como o dodô percebia o ambiente ao redor?

4 min de leitura
Estudo revela como o dodô enxergava e percebia o mundo antes da extinção

Apenas dois crânios completos de dodô são conhecidos em todo o mundo: um no Natural History Museum Denmark, em Copenhague (Dinamarca), e outro no Oxford University Museum of Natural History.

O exemplar dinamarquês, preservado nas coleções do museu há séculos, integrou um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de Lethbridge (Canadá), publicado no Zoological Journal of the Linnean Society, que investigou uma questão debatida há gerações: como o dodô percebia o ambiente ao redor?

Por meio da reconstrução digital do espaço que o cérebro da ave ocupava dentro do crânio, os pesquisadores concluíram que o mundo sensorial do dodô diferia do de pombos e rolas vivos em vários aspectos.

A ave pode ter tido um padrão de atividade diária mais flexível, potencialmente se estendendo ao amanhecer e ao entardecer, um olfato mais apurado do que o de seus parentes vivos e maior capacidade de processar informações táteis por meio do grande bico superior.

“O dodô é um dos animais extintos mais reconhecíveis do mundo, mas surpreendentemente pouco se sabe sobre como ele realmente vivia”, afirma Peter Andrew Hosner, professor associado e curador de aves do Natural History Museum Denmark e coautor do estudo, ao Phys.org.

“Estudar animais extintos é um pouco como trabalho de detetive. Embora o cérebro do dodô tenha desaparecido há séculos, ele deixou uma marca no interior do crânio. Ao reconstruir digitalmente esses espaços e compará-los com os cérebros de aves vivas, podemos começar a entender como o dodô sentia, se comportava e interagia com o mundo ao seu redor”, diz Christy Anna Hipsley, professora associada do Natural History Museum Denmark e coautora do estudo.

A comparação revelou combinação distinta de características sensoriais. A anatomia indica que o dodô pode não ter sido exclusivamente ativo durante o dia, podendo também ter sido ativo ao amanhecer e ao entardecer.

A ave pode ainda ter dependido mais do olfato do que seus parentes vivos e usado o grande bico superior para coletar informações táteis do ambiente.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que a anatomia por si só não permite determinar com exatidão como a ave se comportava — os achados oferecem novas pistas sobre como o dodô pode ter encontrado alimento e interagido com seu ambiente insular em Maurício antes de desaparecer no final do século XVII, sem constituir um retrato definitivo de seu comportamento.

“O crânio do dodô é diferente do de qualquer ave viva, o que o torna ao mesmo tempo fascinante e difícil de interpretar. Ao comparar reconstruções digitais dos dois únicos crânios completos de dodô do mundo, temos agora uma base muito mais sólida para identificar quais características são verdadeiramente típicas da espécie e o que elas podem nos dizer sobre como o dodô viveu”, acrescenta Hipsley.

O dodô é frequentemente retratado como uma ave desajeitada e pouco inteligente, cuja extinção teria sido inevitável. O novo estudo, porém, não encontrou evidências de que a ave tivesse capacidades cognitivas reduzidas em comparação com pombos e rolas vivos.

Os achados apontam para uma espécie com combinação distinta de adaptações sensoriais moldadas por milhões de anos de evolução em uma ilha isolada.

Hosner explica que a pesquisa oferece novo referencial para entender o comportamento e a ecologia da ave, em vez de resolver todos os mistérios que a cercam. “O dodô se tornou um símbolo de extinção, mas, em muitos aspectos, permanece surpreendentemente misterioso. Cada nova evidência nos ajuda a ir além dos mitos e a construir uma imagem mais precisa de como essa ave extraordinária viveu antes de desaparecer”, diz ele.

O crânio de Copenhague é uma peça permanente das exposições do Natural History Museum Denmark. A tomografia foi realizada durante os preparativos para a abertura de um novo edifício do museu, com galerias permanentes previstas para 2027, quando os pesquisadores tiveram a oportunidade rara de examinar o exemplar com esse nível de detalhe.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Fontes

Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink

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