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El Niño mais intenso em 40 anos acende alerta para o clima

El Niño ficou quase 40% mais intenso em 40 anos, segundo estudo. Corais das Galápagos revelam como o fenômeno mudou com o tempo.

3 min de leitura
El Niño mais intenso em 40 anos acende alerta para o clima

Os eventos de El Niño ficaram quase 40% mais intensos nos últimos 40 anos, aponta um estudo da Universidade de Michigan. A conclusão veio da análise de corais das Ilhas Galápagos, que guardam registros das temperaturas do oceano de até mil anos atrás.

Lista completa

  • Perdas agrícolas e insegurança alimentar.
  • Danos a casas, estradas e ferrovias.
  • Vem aí o “Super El Niño”? Fenômeno promete levar o clima ao extremo.
  • O ritmo do aquecimento pode mudar o destino da circulação do Atlântico.
  • El Niño pode fazer de 2027 o ano mais quente da história.

Publicado na revista Science, o trabalho indica que os El Niños recentes foram mais fortes do que qualquer outro registrado antes de aproximadamente 1850. Os pesquisadores também encontraram uma relação entre a intensidade do fenômeno e o aumento da temperatura global.

Corais funcionam como arquivo climático.

Para chegar ao resultado, a equipe analisou amostras de 13 corais das Galápagos, incluindo colônias vivas e fragmentos antigos. Conforme crescem, esses organismos formam camadas de carbonato de cálcio.

Cada uma delas preserva informações sobre as condições da água naquele período.

Os cientistas examinaram a proporção de estrôncio e cálcio presente no esqueleto dos corais e também determinados isótopos de oxigênio. As duas análises permitem estimar a temperatura da água.

O resultado chamou atenção pela regularidade. Os registros anteriores aos últimos 40 ou 50 anos mostravam El Niños de intensidade relativamente menor. Já os eventos mais recentes se destacaram de forma consistente.

Não vemos um período no passado em que os El Niños tenham sido tão fortes quanto hoje.

O fenômeno surge quando as águas do Pacífico tropical ficam mais quentes que o normal. Em condições habituais, os ventos alísios deslocam a água quente da América do Sul para a região da Austrália.

Quando esses ventos perdem força, parte dessa água retorna para o leste, em direção à América do Sul. A circulação da atmosfera também muda, alterando a distribuição das chuvas.

Apesar de começar no Pacífico, o El Niño pode interferir no clima de diferentes regiões do mundo. Entre as consequências estão.

Aquecimento global entra na equação.

A equipe também recorreu a modelos climáticos para testar se fatores naturais poderiam explicar a mudança. As simulações consideraram registros de erupções vulcânicas e variações na atividade solar ao longo de mil anos.

Nenhuma dessas variáveis produziu uma alteração de intensidade semelhante à observada nos El Niños recentes.

Para Cole, isso reforça a hipótese de que o aquecimento global esteja contribuindo para tornar o fenômeno mais intenso.

O atual El Niño acontece em um planeta que já está mais quente por causa do aumento dos gases de efeito estufa. A combinação pode elevar ainda mais as temperaturas e ampliar os efeitos sobre a população, a infraestrutura e os ecossistemas.

Para os pesquisadores, o resultado é mais um sinal da necessidade de conter o aquecimento global e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink

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