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Eclipse de 12 de agosto será único por um motivo que está no próprio Sol

A visão da atmosfera externa do Sol a olho nu é um dos principais motivos que levam caçadores de eclipses a viajar pelo mundo

8 min de leitura
Eclipse de 12 de agosto será único por um motivo que está no próprio Sol

A visão da atmosfera externa do Sol a olho nu é um dos principais motivos que levam caçadores de eclipses a viajar pelo mundo. No dia 12 de agosto, o fenômeno poderá revelar uma configuração da coroa solar que nunca mais será vista exatamente da mesma maneira.

Todo eclipse solar total é diferente. Embora a silhueta da Lua passando diante do Sol mude pouco, o momento em que nosso satélite natural cobre completamente o disco solar produz um espetáculo extraordinário: o surgimento da coroa.

A coroa solar é uma das maravilhas da natureza. Observar seus delicados filamentos brancos e pontiagudos durante os breves momentos de totalidade é como ter um vislumbre do infinito — mas apenas um vislumbre, porque a coroa está sempre mudando.

Moldada pelo campo magnético constantemente variável do Sol, ela evolui de ano para ano, de mês para mês e até de dia para dia. Por isso, nenhum eclipse solar total revela exatamente a mesma estrutura.

É uma das razões pelas quais os caçadores de eclipses continuam viajando. A coroa, que poderá ser observada durante o eclipse solar total de quarta-feira (12), caso o céu esteja limpo, será um retrato único do Sol em um momento específico do Ciclo Solar 25.

Ela refletirá anos de mudanças na atividade magnética, milhares de manchas solares e incontáveis erupções de material solar.

Quando a totalidade terminar, aquela configuração exata da coroa nunca mais será vista. Mas será possível prever como ela poderá se parecer.

Em condições normais, a coroa solar — a atmosfera externa de nossa estrela — é invisível. Ela se estende por milhões de quilômetros pelo Sistema Solar, mas é ofuscada pela intensa luminosidade da fotosfera, a superfície visível do Sol.

A totalidade muda isso. Quando a Lua cobre completamente a fotosfera, a coroa surge de repente. Filamentos brancos se estendem para longe da silhueta escura da Lua, enquanto estruturas rosadas e proeminências podem aparecer ao redor de sua borda.

Para muitos observadores de primeira viagem, uma das maiores surpresas durante a totalidade não é apenas o nível de detalhes, mas também a escala. A coroa frequentemente parece muito maior do que o esperado, estendendo-se por vários diâmetros solares a partir do Sol eclipsado.

Fotografias conseguem registrar parte dessa complexidade, mas raramente reproduzem a sensação de profundidade e estrutura percebida pelo olho humano, cuja faixa dinâmica é muito superior à de qualquer câmera.

Por que cada coroa solar é diferente.

A coroa não é uma estrutura fixa. Ela é formada por plasma extremamente quente — um gás ionizado e altamente energizado — que fica preso e é moldado pelo campo magnético do Sol.

Como o campo magnético solar está constantemente mudando, a coroa também muda.

Essa atividade magnética determina a forma geral da coroa. Durante o mínimo solar, quando o Sol apresenta poucas ou nenhuma mancha solar, a coroa tende a parecer mais uniforme e simétrica.

Longos filamentos frequentemente se estendem dos dois lados do Sol, dando à coroa uma aparência semelhante à de asas.

Durante o máximo solar, a estrutura pode ser muito mais complexa. Regiões de manchas solares funcionam como âncoras magnéticas, criando estruturas que podem aparecer como espinhos ou filamentos que se estendem em diferentes direções.

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Não é máximo solar — mas também não é um período tranquilo.

O eclipse de 2026 não acontecerá durante o máximo solar. O Ciclo Solar 25 atingiu seu pico em outubro de 2024, segundo NASA e NOAA, e o eclipse de 12 de agosto de 2026 ocorrerá quase dois anos depois, durante a fase de declínio do ciclo.

A atividade solar, porém, não desaparece imediatamente depois do máximo solar. Ela diminui gradualmente, e espera-se que o Sol continue mais ativo do que estava nos anos anteriores ao pico.

Isso torna o eclipse de 2026 especialmente interessante. É provável que ele não apresente a coroa altamente estruturada observada perto do pico de atividade em 2024, quando ocorreu o eclipse solar total de 8 de abril e o número mensal de manchas solares estava em torno de 144.

As previsões atuais para agosto de 2026 apontam para um número mais próximo de 102. São muito menos manchas, mas a atividade ainda é considerada elevada em comparação com os padrões recentes do ciclo.

Isso significa que os observadores devem esperar algo entre os dois extremos: não uma coroa limpa e achatada, típica do mínimo solar, mas também não o espetáculo mais intenso do máximo solar.

Comparações com eclipses anteriores.

Uma comparação útil pode ser feita com os eclipses solares totais próximos ao máximo solar anterior. O Ciclo Solar 24, que atingiu seu pico em abril de 2014, foi relativamente fraco.

Os eclipses solares totais mais próximos daquele pico incluíram o raro eclipse híbrido de 3 de novembro de 2013, quando o número mensal de manchas solares estava em torno de 113.

Já o Ciclo Solar 23, que teve dois picos — em março de 2000 e novembro de 2001 — foi relativamente forte. O eclipse solar total mais próximo ocorreu em 21 de junho de 2001, quando o número mensal de manchas solares estava em torno de 203.

Sua coroa provavelmente era mais complexa do que a esperada para 2026.

O eclipse de 2026, portanto, ocupa uma categoria intermediária. Ele não será uma repetição do eclipse de 2024, mas também não será um eclipse sob um Sol tranquilo.

Durante a fase de declínio de um ciclo ainda ativo, a coroa provavelmente apresentará filamentos fortes que se estenderão por grandes distâncias no espaço, mas com maior assimetria, com um dos lados mais ativo do que o outro.

O Sol completa uma rotação a cada 27 dias. Assim, qualquer grande região ativa de manchas solares que apareça na borda do Sol pouco antes de 12 de agosto poderá alterar drasticamente a aparência da coroa.

É por isso que quaisquer previsões sobre como ela estará — geralmente divulgadas pela Predictive Science cerca de uma semana antes do eclipse — costumam ser refinadas no próprio dia do fenômeno.

Proeminências vermelhas podem roubar a cena.

Uma das visões mais marcantes durante a totalidade é o aparecimento de estruturas intensamente rosas ou vermelhas ao redor da borda da Lua.

Geralmente, essas estruturas são proeminências — enormes formações de plasma de hidrogênio suspensas acima da superfície solar por campos magnéticos. Elas são frequentemente confundidas com erupções solares por observadores iniciantes, como aconteceu após o eclipse solar total de 2024.

As proeminências são mais comuns quando o Sol está ativo. Como podem durar dias ou semanas, também são mais fáceis de antecipar do que uma erupção solar.

Em imagens de hidrogênio-alfa feitas antes do dia do eclipse, os observadores poderão identificar quais proeminências estão presentes ao redor da borda do Sol.

O eclipse de 2026 pode oferecer condições favoráveis para observar essas estruturas. Isso porque a Lua parecerá apenas ligeiramente maior do que o Sol, característica que também contribui para a duração relativamente curta da totalidade, de no máximo dois minutos e 18 segundos.

Com isso, proeminências menores em diferentes lados do Sol poderão ser vistas simultaneamente.

A situação é diferente em eclipses mais longos, nos quais a Lua aparentemente maior pode esconder proeminências de um lado antes de revelar outras do lado oposto.

Uma ejeção de massa coronal poderia ser vista.

Uma ejeção de massa coronal, conhecida pela sigla CME, é uma erupção de plasma e campo magnético proveniente da atmosfera do Sol. Observar uma dessas estruturas durante a totalidade é possível — isso aconteceu durante o eclipse solar total de 14 de dezembro de 2020 —, mas exige muita sorte.

Uma visão desse tipo seria rara, mas as chances aumentam quando o Sol está em um ambiente de maior atividade, em comparação com períodos próximos ao mínimo solar.

É possível prever como a coroa estará.

A Predictive Science divulgará uma previsão da aparência da coroa solar. O modelo pode ser tão preciso que alguns caçadores de eclipses preferem não consultá-lo para não estragar a surpresa da totalidade.

Uma maneira de obter uma ideia geral é acompanhar imagens em tempo real produzidas por telescópios que utilizam coronógrafos para bloquear a luz do Sol, como o COSMO K-Coronagraph, o LASCO C3, da missão SOHO, da NASA, e o GOES CCOR-1.

Para acompanhar as manchas solares, também é possível consultar a imagem mais recente em H-alfa produzida pelo Global Oscillation Network Group (GONG). Nenhum cientista, porém, consegue dizer exatamente como a coroa estará em 12 de agosto.

Isso dependerá da atividade magnética do Sol nos dias imediatamente anteriores à totalidade, da localização dos grupos de manchas solares, da presença de proeminências e da possibilidade de ocorrerem erupções.

Por alguns minutos fugazes sobre a Groenlândia, a Islândia, a Espanha e as Ilhas Baleares, a atmosfera escondida do Sol se tornará momentaneamente visível antes de desaparecer novamente no brilho da estrela.

E aquela configuração específica da coroa, registrada durante o eclipse de 12 de agosto, nunca mais será vista exatamente da mesma maneira.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Fontes

Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink

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