A tecnologia está sendo fundamental para monitorar a situação no Nepal após as inundações repentinas que causaram centenas de mortes nesta semana. Novas imagens de satélite e de drones revelaram uma diminuição do risco de que uma nova onda de lama atinja a região entre o Nepal e o Tibete.
Lista completa
- A possibilidade de um novo desastre levou a uma atuação conjunta entre Nepal e China para monitorar a situação.
- De acordo com a última atualização fornecida pelo Ministério dos Recursos Hídricos nepalês, imagens de satélite deste sábado (29) sugerem que a quantidade de água represada diminuiu 21.000 metros cúbicos nas últimas horas.
- Com a água drenando naturalmente, as operações de resgate podem continuar.
- O monitoramento continua, com radares e drones operando para enviar alertas caso novos riscos sejam detectados.
- A má notícia é que chuvas estão previstas para os próximos três dias, o que pode prejudicar os trabalhos dos socorristas.
Após o colapso de uma geleira devastar vilarejos, um imenso reservatório de água formado pelo acúmulo de escombros ameaçava ceder. Situada na confluência dos rios Chhochen Khola e Purepu Tsangpo, a barragem natural poderia desencadear uma nova enxurrada de lama e detritos sobre comunidades já atingidas.
O papel da tecnologia para evitar novas tragédias.
La inundacion de nepal se llevó por delante una represa entera ☠️☠️☠️ pic.twitter.com/IhEd5bJpc4.
A recorrência desses episódios está intimamente conectada à elevação das temperaturas globais. O aquecimento acelerado na cordilheira vem desestabilizando formações congeladas há milênios.
O cenário ganha gravidade com a influência do El Niño, que altera a dinâmica dos ventos de monção na Ásia e reduz as chuvas de verão na região.
Em vez de escoar normalmente, a água passa a se acumular em poças e lagos sobre as geleiras. O líquido infiltra nas fendas, reduz o atrito entre o gelo e a rocha e acaba projetando toneladas de detritos encosta abaixo.
De acordo com o último balanço divulgado, pelo menos 676 mortes foram confirmadas desde a última quarta-feira (26). Quase 3 mil pessoas continuam desaparecidas e os trabalhos de busca continuam dos dois lados da fronteira.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).