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Tecnologia Revisado por ULTRA AI

Droga experimental faz ratos obesos queimarem gordura sem perder músculo e sem comer menos

Composto TOFA fez camundongos obesos perder 18% do peso sem comer menos ou perder músculo, e potencializou o efeito do Ozempic

3 min de leitura
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Medicamentos como Ozempic e Wegovy revolucionaram o tratamento da obesidade ao reduzir o apetite. Mas todos têm um ponto em comum: atuam diminuindo a quantidade de calorias que o paciente ingere.

Um estudo publicado na revista Science Advances aponta um caminho diferente: aumentar a quantidade de energia que o corpo gasta, sem mexer na alimentação.

O composto se chama TOFA (5-tetradecyloxy-2-furoic acid) e foi testado em camundongos obesos por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Os pesquisadores alimentaram camundongos machos com uma dieta de alto teor de gordura por sete semanas, até desenvolverem obesidade. Em seguida, os animais receberam TOFA por via oral duas vezes ao dia durante quatro semanas.

O resultado: perda média de 18% do peso corporal. A ingestão de alimentos não mudou. A atividade física não mudou. A temperatura corporal não subiu.

A maior parte do peso perdido veio de gordura. A massa muscular e outros tecidos magros foram amplamente preservados – um diferencial importante, já que a perda de músculo é um efeito colateral frequente tanto de dietas restritivas quanto de medicamentos como o Ozempic.

O mecanismo é duplo. O TOFA inibe as enzimas ACC1 e ACC2 – responsáveis pela produção de gordura no organismo – e, ao mesmo tempo, ativa os receptores PPARα e PPARδ, que estimulam genes responsáveis pela captação e queima de gordura para gerar energia.

Outros inibidores de ACC já foram testados em estudos clínicos anteriores, mas fracassaram por elevar os triglicerídeos no sangue – um risco cardiovascular grave.

O TOFA, de forma incomum entre compostos dessa classe, não produziu esse efeito nos animais testados.

Quando os pesquisadores tentaram reproduzir os efeitos usando dois compostos separados – um para bloquear a produção de gordura e outro para aumentar o gasto energético –, a combinação não foi tão eficaz quanto o TOFA isolado.

Em experimentos adicionais, os pesquisadores combinaram o TOFA com a semaglutida (Ozempic/Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro/Zepbound). Os resultados foram melhores do que qualquer tratamento isolado em peso corporal, controle de glicose, níveis de insulina e triglicerídeos.

A lógica é complementar: os medicamentos GLP-1 reduzem a entrada de calorias; o TOFA aumenta o gasto. Os dois lados da equação energética atuando juntos.

Nos camundongos tratados com TOFA, o peso foi mantido por mais tempo após o fim do tratamento. Nos que receberam apenas semaglutida, o peso voltou rapidamente quando a alimentação aumentou.

O TOFA também melhorou o controle de açúcar no sangue e a sensibilidade à insulina dos animais, reduziu triglicerídeos e gordura no fígado. Em experimentos separados, diminuiu sinais de doença hepática gordurosa – incluindo acúmulo de gordura, inflamação e fibrose.

O TOFA foi descoberto nos anos 1970 e é usado em pesquisas laboratoriais há décadas – mas nunca foi testado em humanos. A dose mínima eficaz ainda é desconhecida, e o composto não passou pelos testes de segurança exigidos para uso médico.

Todos os animais usados nos experimentos eram machos, de modo que não se sabe se os efeitos seriam semelhantes em fêmeas.

Os pesquisadores planejam realizar estudos de toxicologia e eficácia em ratos e animais maiores antes de qualquer ensaio clínico em humanos. Anders Näär e dois outros autores do estudo são cofundadores e acionistas da ReRx Therapeutics, empresa que desenvolve o TOFA como potencial tratamento.

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink

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