A Austrália quer mudar a forma como as pessoas recebem conteúdo nas redes sociais. O governo propôs regras que dariam aos usuários a escolha entre manter feeds com recomendações personalizadas por algoritmos ou visualizar apenas publicações de amigos e criadores que decidiram seguir.
- Informar os usuários sobre o funcionamento do feed.
- Permitir a desativação das recomendações algorítmicas.
- Oferecer um feed baseado nas contas escolhidas pelo usuário.
- Documentar medidas para reduzir riscos aos usuários.
- Cumprir as regras sob pena de multas.
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Chamada de “My Feed, My Way”, a proposta obriga as redes sociais a oferecer uma alternativa ao feed baseado em recomendações algorítmicas.
O usuário poderá manter a experiência atual, recebendo conteúdos selecionados automaticamente de acordo com seus interesses e comportamento. Também terá a opção de desligar esse sistema e acompanhar somente as publicações das contas que escolheu seguir.
A iniciativa segue uma direção semelhante à adotada pela União Europeia. Desde 2024, o Digital Services Act determina que as plataformas ofereçam aos usuários a possibilidade de desativar o perfilamento.
A discussão acontece enquanto redes sociais enfrentam críticas sobre a maneira como seus algoritmos selecionam conteúdos. Uma das preocupações é que as recomendações estimulem um uso prolongado das plataformas, conduzindo as pessoas de uma publicação para outra com base no que já despertou seu interesse.
O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese defendeu a proposta e disse que ela também servirá para pressionar as empresas de tecnologia a cumprir a legislação.
As empresas também terão de registrar as medidas tomadas para enfrentar riscos identificados aos usuários e acompanhar se essas ações continuam funcionando.
Entre as principais exigências estão.
A fiscalização ficará nas mãos da eSafety, autoridade australiana responsável pela segurança na internet. O órgão também poderá exigir que grandes plataformas removam rapidamente conteúdos prejudiciais, relacionados à nudez ou ilegais.
A proposta já preocupa defensores da liberdade de expressão, que temem que os novos poderes acabem sendo usados para ampliar a censura.
O governo ainda pretende ouvir plataformas digitais, entidades do setor, organizações da sociedade civil e grupos de defesa antes de apresentar o projeto ao Parlamento, o que deve ocorrer ainda este ano.
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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