A Apple apresentou nesta segunda-feira (31) um novo documento à Justiça dos Estados Unidos no processo contra a OpenAI e ex-funcionários da empresa. Segundo a companhia, uma análise forense inicial do MacBook usado pelo ex-engenheiro Chang Liu encontrou evidências que, na avaliação da Apple, reforçam a acusação de uso indevido de segredos comerciais.
Liu é um dos réus no processo aberto pela Apple em julho. O ex-funcionário era engenheiro sênior de sistemas elétricos da companhia e deixou a empresa para trabalhar na OpenAI em janeiro.
A Apple afirma que ele explorou uma falha de segurança para baixar arquivos confidenciais de engenharia depois de sair da companhia.
Apple diz que arquivo confidencial foi usado na OpenAI.
De acordo com o novo documento, os advogados de Liu entregaram recentemente à Apple um MacBook que estava em posse do ex-funcionário depois de sua saída. A companhia afirma que a análise forense do computador revelou quatro pontos considerados relevantes para o processo.
A Apple diz que Liu não apenas baixou um esquema elétrico confidencial, mas também utilizou o arquivo em seu trabalho na OpenAI. A empresa afirma ainda que Liu e outras pessoas na OpenAI tinham conhecimento do acesso não autorizado ao armazenamento em nuvem de terceiros da Apple.
Outro ponto apresentado pela companhia envolve uma investigação interna. Segundo a Apple, depois de tomar conhecimento da apuração, Liu teria enviado instruções para que uma colega da OpenAI destruísse evidências.
A empresa também afirma que o ex-funcionário utilizava, na OpenAI, uma ferramenta com o mesmo nome de uma aplicação interna de engenharia da Apple.
A Apple classificou as descobertas como “evidências chocantes” e afirmou que elas reforçam a necessidade de acelerar a produção de provas no processo. Para a companhia, o MacBook representa uma das poucas fontes de informação fornecidas pelos réus até agora e indica que seus segredos comerciais estariam sendo utilizados, além de haver risco de destruição de evidências.
A companhia afirma que Liu utilizou o esquema elétrico em março para realizar uma simulação no LTspice, ferramenta de engenharia elétrica usada para desenvolver e analisar circuitos eletrônicos.
Segundo a Apple, mensagens da época mostram Liu dizendo que seu agente de IA havia aprendido a executar o LTspice e analisar os resultados.
A Apple também afirma que, quando informações consideradas segredo comercial são fornecidas a um agente ou modelo de IA que aprende com elas, esse aprendizado pode resultar em usos difíceis de reverter e que podem continuar se propagando.
Arquivo teria sido sincronizado com outro computador.
A Apple afirma que descobriu o uso do esquema depois que Liu o utilizou em um Mac mini. O computador posteriormente sincronizou os arquivos com o MacBook por meio do iCloud, permitindo que a empresa identificasse a atividade a partir da análise do notebook.
Segundo o documento, a simulação gerou pelo menos três arquivos de saída que foram enviados ao iCloud a partir do Mac mini. A Apple afirma que o esquema e esses arquivos foram posteriormente sincronizados com o MacBook quando Liu acessou sua conta do iCloud no aparelho.
A companhia afirma que os réus não inspecionaram o MacBook, apesar de o dispositivo estar disponível, e também não forneceram uma explicação para os dados encontrados.
Por isso, a Apple passou a pedir acesso ao Mac mini utilizado nas simulações.
A empresa argumenta que a situação reforça seu pedido por produção acelerada de provas no processo. A Apple sustenta que a análise de outros dispositivos é necessária para determinar a extensão do suposto uso indevido dos arquivos confidenciais.
Apple aponta risco de destruição de evidências.
O documento também menciona conversas ocorridas em junho entre Liu e sua colega Yu-Ting “Alyssa” Peng, depois que ambos teriam descoberto a investigação da Apple.
Segundo a companhia, os dois discutiram a possibilidade de “restaurar” dispositivos fornecidos pela Apple e depois voltar a utilizá-los.
Para a Apple, esse procedimento poderia substituir dados importantes para uma análise forense, como registros, metadados e informações de uso. A companhia afirma que esse risco é mais um motivo para que a Justiça determine a produção acelerada de provas.
No novo documento, a Apple afirma que as descobertas feitas no MacBook mostram que seus segredos comerciais foram utilizados enquanto Liu trabalhava na OpenAI e que outros dispositivos relevantes ainda não foram examinados.
A companhia pede, por isso, que a Justiça autorize a produção acelerada de provas.
Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).