Alex Gibney, diretor que venceu o Oscar por "Um Táxi para a Escuridão" e "Enron - Os Mais Espertos da Sala", já fez documentários sobre algumas das pessoas mais ricas e poderosas do planeta.
Mas nenhuma delas foi tão rica e poderosa quanto Elon Musk.
Talvez seja por isso que o perfil traçado por Gibney sobre o empreendedor de tecnologia e chefe da SpaceX tenha proporções tão épicas.
Musk", que estreou no Festival de Cinema de Veneza na última semana, tem 225 minutos de duração e será exibido com um intervalo de 10 minutos — ou seja, são quase quatro horas dedicadas à vida e à obra do homem mais rico do mundo.
Ainda assim, o tempo voa. Pouco do que é mostrado no filme é inédito, mas Gibney reúne todas as reportagens existentes em um perfil de ritmo frenético, predominantemente negativo e aterrorizantemente apocalíptico.
Aqui estão cinco coisas que você precisa saber sobre o documentário — caso não tenha quatro horas livres para assisti-lo.
- O próprio Musk não é entrevistado – mas aparece como um avatar de IA
Inicialmente, Gibney tentou uma entrevista com Musk, mas, quando o projeto foi anunciado em março de 2023, Musk declarou nas redes sociais que se trataria de uma "matéria difamatória", ao que Gibney respondeu: "Como você sabe.
A solução encontrada pelo diretor foi usar um avatar de Musk gerado por inteligência artificial (IA) para repetir declarações feitas publicamente pelo empresário.
A escolha é pertinente, comenta Gibney em sua narração, visto que Musk acredita na possibilidade de todos vivermos em uma simulação — um videogame jogado por nossos descendentes no futuro.
2. David Byrne ajudou a escrever uma música do filme.
David Byrne coescreveu Let Me Sell You a Dream para os créditos finais do filme; a letra da música é composta inteiramente por frases ditas por Musk no passado.
O título é apropriado, segundo alguns dos entrevistados de Gibney, que afirmam que Musk tende a atrair investimentos prometendo que realizações futuras imaginadas — como cidades em Marte e carros autônomos totalmente seguros — são iminentes ou já se concretizaram.
Isso não vai acontecer", diz Adam Becker, autor e astrofísico, sobre o plano de Musk de colonizar Marte. "A gravidade é muito baixa, a radiação é muito alta, não há ar e o solo está repleto de substâncias tóxicas.
No entanto, Musk tem defendido consistentemente sua filosofia visionária: "Sou muito bom em prever o futuro", disse ele à revista The Economist em uma entrevista de julho.
Não sou perfeito, mas sou muito bom. As pessoas não percebem que o que digo vai se concretizar — talvez não exatamente no prazo que imaginei, mas vai acontecer.
3. A atuação de Musk na Casa Branca é explorado minuciosamente.
O filme sugere que Musk lidou com o governo dos Estados Unidos da mesma forma que lidou com o Twitter. Zoë Schiffer, autora de Extremely Hardcore: Inside Elon Musk's Twitter, afirma que, após Musk comprar a plataforma de rede social, aqueles a quem ela chama de seus "capangas" dispensaram a maior parte da equipe sem sequer procurar entender o que os funcionários realmente faziam.
Mais tarde, à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), do presidente Donald Trump, Musk seguiu a "cartilha do Twitter", diz Schiffer, descrevendo como ele tentou — e fracassou — eliminar a dívida nacional dos EUA cortando drasticamente o orçamento de diversos departamentos; desta vez, com a ajuda de um grupo de assistentes na casa dos vinte anos que não tinham nenhuma experiência no governo.
Em entrevista ao Washington Post em maio do ano passado, pouco antes de deixar a administração Trump, Musk lamentou que o DOGE tivesse se tornado o "bode expiatório para tudo.
4. Um filme britânico antigo faz uma aparição surpresa no documentário.
Gibney utiliza trechos de um filme de fantasia britânico, O Homem que Fazia Milagres (1937), para ilustrar sua visão bastante dramática de Musk.
Nesse clássico em preto e branco, baseado em uma história de H. G. Wells, um ser celestial concede poderes infinitos a um homem comum (Roland Young).
O homem acaba exigindo que os líderes mundiais transformem a sociedade instantaneamente, mas termina por destruir o planeta acidentalmente.
5. O filme teve uma recepção muito positiva até agora.
Até o momento, as críticas da estreia em Veneza têm sido amplamente positivas.
A Variety descreveu o filme como "uma obra contundente e importante, fundamentada no domínio que Gibney exerce sobre a linguagem documental — uma maestria extremamente perspicaz, porém acessível ao público", enquanto o The Telegraph, em uma crítica de quatro estrelas, classificou-o como "um ataque implacável e minuciosamente detalhado.
Como era de se esperar, o próprio Musk não figura entre os admiradores da obra: na quarta-feira, no X, ele descreveu o filme — entre outros comentários — como "um ataque difamatório que fracassa e comete o pecado capital de ser entediante por quatro horas.
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