Em média, as mulheres vivem mais do que os homens – no Brasil, a expectativa de vida delas é de quase 80 anos, enquanto a deles fica em torno de 73 anos – apesar de enfrentarem uma carga maior de doenças crônicas.
Para os pesquisadores Pankaj Kapahi e Parminder Singh, do Instituto Buck, as mulheres talvez sejam a peça-chave nos esforços para descobrir maneiras de estender a expectativa de vida saudável.
A tese da dupla chama-se Hipótese da Resiliência Reprodutiva: propõe que a reprodução e a longevidade, frequentemente vistas como forças biológicas opostas, podem estar intimamente ligadas.
As teorias clássicas do envelhecimento costumam descrever a reprodução e a longevidade como um trade-off (uma relação de compensação). Funcionaria assim: como os organismos têm energia limitada, investir na reprodução resultaria em menos recursos para a manutenção do corpo.
Os autores afirmam que, embora a explicação seja útil, não esclarece um padrão recorrente na natureza: em muitas espécies, o sexo que investe pesadamente em gravidez, lactação e cuidados com a prole é também o sexo de vida mais longa.
A tese dos cientistas indica que, quando o sucesso reprodutivo depende de sobreviver tempo suficiente para procriar repetidamente, a evolução pode favorecer programas biológicos que fortalecem a capacidade do corpo de resistir ao estresse.
Nessas condições, a reprodução e a manutenção de longo prazo se encontram conectadas, em vez de serem opostas.
Longevidade feminina: Mulheres vivem mais porque cuidam mais da saúde; veja.
Os autores defendem que a menopausa não deve ser vista apenas como o fim da fertilidade, mas também significar um ponto de inflexão relevante. Durante a vida fértil, os sinais ovarianos são integrados a sistemas que controlam o metabolismo, a saúde óssea, a regulação imunológica, a função cerebral, as respostas ao estresse, o reparo tecidual e a comunicação entre órgãos.
À medida que a função ovariana declina, essa sofisticada rede se desestabiliza, expondo vulnerabilidades que antes eram amenizadas.
Nessa perspectiva, a menopausa não é simplesmente a diminuição da produção de estrogênio. Ela representa uma disrupção mais ampla dos sinais e das redes fisiológicas que conectam a função reprodutiva com a preservação de todo o organismo.
Ambos enfatizam que sua hipótese não é uma explicação do envelhecimento feminino centrada no estrogênio, porque o declínio também avança por meio de processos como danos ao DNA, agregação de proteínas, disfunção mitocondrial, exaustão de células-tronco e degeneração tecidual específica, que podem ocorrer independentemente do estado reprodutivo.
Além de investigar como o ovário se comunica com órgãos distantes, incluindo o cérebro, ossos, sistema imunológico e tecidos metabólicos, Kapahi e Singh querem entender os efeitos do envelhecimento reprodutivo na interrupção dessa comunicação, e testar se sinais ovarianos benéficos podem ser restaurados sem depender exclusivamente da reposição hormonal convencional.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Bem Estar, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.