As mudanças climáticas e os efeitos do Super El Niño vêm produzindo devastadores incêndios florestais e secas severas na Europa – uma realidade que, infelizmente, conhecemos bem: o ano de 2020 marcou o maior desastre ambiental já registrado no Pantanal.
A combinação da pior seca em 50 anos com o uso inadequado do fogo resultou em focos fora de controle e imagens estarrecedoras de animais carbonizados. No entanto, além da destruição ambiental, vale lembrar que a poluição atmosférica tem impacto direto no surgimento de doenças respiratórias e cardiovasculares.
Densos em gases tóxicos que inflamam as vias aéreas e partículas minúsculas que ultrapassam os pulmões e percorrem a corrente sanguínea atingindo todos os órgãos do corpo, os vapores dos incêndios florestais matam 1,5 milhão de pessoas por ano, revelou um estudo publicado na The Lancet em 2024 – mais do que inundações, chamas, tempestades e ondas de calor combinadas.
Em 2024, na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, pesquisa realizada na Califórnia – que acompanhou 1,2 milhão de pessoas durante dez anos – mostrou que a exposição à fumaça desses incêndios aumenta significativamente o risco de demência, mais do que outros tipos de poluição atmosférica, como a provocada por indústrias e automóveis.
Um novo trabalho aponta que os incêndios florestais são agora os principais responsáveis pelos níveis insalubres de poluição para gestantes nos Estados Unidos. Embora a qualidade geral do ar tenha melhorado nas últimas décadas naquele país, a proporção da exposição pré-natal à poluição causada por incêndios florestais mais que dobrou.
O estudo, publicado no periódico Frontiers in Environmental Health, analisou cerca de 64,5 milhões de gestações entre 2003 e 2019.
Incêndios florestais estão fora de controle no Canadá.
Os efeitos são particularmente perigosos para gestantes e estão associados a desfechos adversos no nascimento, como baixo peso e partos prematuros. Como sempre, os danos são maiores em comunidades vulneráveis: de baixa renda, rurais, indígenas e nativas do Alasca, além de áreas com escassez de serviços de atendimento à maternidade.
A poluição do ar também está associada a crises de artrite reumatoide. Pesquisa divulgada no Annals of the Rheumatic Diseases destaca o impacto do material particulado fino (poeira, fuligem e fumaça) em pacientes com a enfermidade.
O levantamento acompanhou 1. 070 pacientes em 12. 583 consultas ambulatoriais ao longo de quatro anos (2021–2024). A artrite reumatoide é uma doença autoimune crônica caracterizada por inflamação e danos nas articulações, atingindo cerca de 0,5% a 1% da população adulta.
Não esqueçamos que a longevidade é uma construção que acompanha o curso da vida. Passar por estresse severo durante a infância – condição na qual se encaixa a exposição à poluição de queimadas – pode tornar o indivíduo mais vulnerável à ansiedade, depressão e a outros transtornos na vida adulta.
Pesquisadores das universidades de Washington em St. Louis e de Princeton investigaram como traumas na fase inicial da vida são capazes de causar efeitos duradouros.
Os cientistas já sabiam que o estresse no início da vida pode afetar a atividade dos genes no cérebro. Em um novo estudo, descobriram que isso ocorre devido a alterações na forma como as células cerebrais “empacotam” o DNA.
O resultado? A resposta ao estresse passa a ser ativada facilmente, com a redução da tolerância do indivíduo a adversidades. O trabalho foi publicado no começo de agosto no periódico Neuron.
Em números
- O estudo, publicado no periódico Frontiers in Environmental Health, analisou cerca de 64,5 milhões de gestações entre 2003 e 2019
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Bem Estar, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.