Estudo canadense revela que medicamentos comuns, de estatinas a suplementos de ferro, são responsáveis por desencadear uma série de prescrições que levam idosos a tomar, sem saber, fármacos para tratar efeitos secundários de outros remédios.
As chamadas “cascatas de prescrições potencialmente inadequadas” (PIPC, na sigla em inglês) ocorrem quando o efeito adverso de uma medicação é confundido com um novo problema de saúde, gerando uma nova receita que poderia não ter sido necessária.
Um exemplo comum assinalado na pesquisa envolve anti-inflamatórios não esteroides. Frequentemente utilizados para o controle da dor, estão associados a um aumento da pressão arterial, o que pode conduzir a um tratamento para a hipertensão, em vez da reavaliação do analgésico inicial.
Os idosos são especialmente vulneráveis a esse padrão porque têm maior probabilidade de tomar vários medicamentos, em razão da coexistência de múltiplas condições de saúde – isso torna mais difícil, para pacientes e médicos, rastrear um novo sintoma até um fármaco preexistente.
O estudo, publicado no BMJ, reuniu uma equipe interdisciplinar e internacional de colaboradores especialistas em farmacologia e geriatria dos Estados Unidos, Bélgica, Itália, Israel e Irlanda.
O time já havia criado uma lista de 65 PIPCs. A partir dela, as prescrições potencialmente inadequadas foram avaliadas com base em três fatores: a prevalência do medicamento inicial na população, a frequência com que ele era seguido pelo segundo fármaco e a consistência da relação entre ambos.
A análise permitiu isolar as 24 cascatas de prescrição mais frequentes na população e com potencial para causar danos.
Para a Dra. Rochon, as conclusões põem em evidência uma lacuna que se abre de forma silenciosa. É indispensável que os médicos analisem o histórico farmacológico em cada consulta, e não apenas o que o paciente está tomando naquele momento.
O estudo tem enorme importância para as mulheres mais velhas, uma vez que elas tendem a conviver com mais doenças crônicas do que os homens, fazem uso de um número maior de remédios e, em consequência, sofrem mais reações adversas.
O resultado é uma exposição desproporcional ao risco de um efeito secundário ser confundido com um novo diagnóstico, em vez de ser atribuído à sua verdadeira origem.
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