O candidato ao governo do Rio pelo PSOL, William Siri, foi entrevistado nesta quarta-feira (9) por "O Globo", "Extra", "Valor" e CBN. Conduzida pelos apresentadores da CBN Rio Bianca Santos e Leandro Resende; pelo editor de Política dos jornais "O Globo" e "Extra", Thiago Prado; pelo colunista Bernardo Mello Franco e por Francisco Góes, chefe da sucursal do "Valor" no Rio, a entrevista começou às 10h30 e teve 1h30 de duração.
- 8 de setembro (terça-feira) - Douglas Ruas (PL) – leia a checagem.
- 9 de setembro (quarta-feira) - William Siri (Psol).
- 10 de setembro (quinta-feira) - Anthony Garotinho (Republicanos).
- 11 de setembro (sexta-feira) - Eduardo Paes (PSD).
- Na pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto, William Siri tinha 3% das intenções de voto. O levantamento ouviu 1.302 eleitores e tinha margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
- Após nova rodada da pesquisa, divulgada em 8 de setembro, Siri apareceu com 1%. Foram novamente entrevistados 1.302 eleitores, com margem de erro de três pontos percentuais.
- A diferença entre os dois levantamentos foi, portanto, de dois pontos percentuais, inferior à margem de erro informada pela pesquisa. Assim, os números não permitem afirmar, isoladamente, que houve uma queda efetiva do candidato na pesquisa.
- Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), sete policiais se suicidaram no Rio em 2025 — quatro militares e três civis. O número caiu pela metade em relação a 2024, quando foram registrados 14 casos.
- Os 55 casos não correspondem a suicídios. Esse número aparece em dados sobre o total de policiais mortos no estado: em 2024, foram 55 mortes, das quais 28 por letalidade violenta, 13 por acidentes e 14 por suicídio.
- Em 2025, o ISP registrou 69 policiais mortos, sendo 51 por letalidade violenta, 11 em acidentes e sete por suicídio.
- Procurada, a assessoria do candidato admitiu o equívoco.
- Quando era prefeito do Rio de Janeiro, em 2024, Eduardo Paes enviou um projeto à Câmara de Vereadores (PL 2584) que ampliou o prazo para contratos temporários, sem concurso público, feitos pela Prefeitura.
- O tempo máximo desses contratos era de três anos e subiu para seis após a aprovação do projeto pelos vereadores. A aprovação motivou um protesto de professores em novembro de 2024. Os manifestantes ocuparam o plenário da Câmara de Vereadores, e o protesto foi encerrado pacificamente.
- Em dezembro, no entanto, os professores voltaram a protestar contra um novo projeto de Paes, o Projeto de Lei Complementar 186, que alterava a carga horária, a licença especial e a gestão do período de férias dos professores. O protesto foi dispersado com uso de bombas de gás lacrimogêneo pela Polícia Militar, que é subordinada ao governo do estado, e não à Prefeitura.
- A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) leiloou quatro lotes de serviço de saneamento básico para a iniciativa privada em 2021 no início da gestão Cláudio Castro. O leilão arrecadou, em três dos quatro lotes em disputa, R$ 22,7 bilhões em outorgas, valor 114% maior que os mínimos previstos no edital.
- Mas a empresa não foi totalmente privatizada. A captação e tratamento da água ainda é feita pela empresa estatal. O que foi cedido à iniciativa privada foi a exploração dos serviços de água e esgotamento sanitário, por 35 anos. As concessionárias compram água do Estado para distribuir para a população.
- Depois da operação, supostos erros e inconsistências nos dados de cobertura de água e esgoto usados no edital de concessão foram alvo de questionamento. Um acordo de R$ 900 milhões entre a Cedae e as concessionárias foi posteriormente suspenso pelo Tribunal de Contas do Rio (TCE-RJ) e em abertura de inquérito pelo Ministério Público do Estado (MPRJ) para investigar se houve prejuízo aos cofres públicos.
- Em 8 de dezembro de 2025, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu revogar a prisão do então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), suspeito de vazar informação de operação contra o aliado e ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho (CV).
- 65 deputados estavam presentes na sessão, três, ausentes e um estava licenciado. Foram 42 votos “sim”, a favor da revogação, 21 votos “não”, para manter a prisão, e duas abstenções.
- Os cinco deputados do PSOL apoiaram, de forma unânime, a manutenção da prisão. Entre os deputados do PSD, um estava ausente, dois votaram “sim”, pela revogação, e três, “não”. Já entre os 18 deputados do PL, a maioria votou “sim”. Foram 14 votos pela revogação, três contrários e uma abstenção.
- Segundo o levantamento Planos de Carreira e Remuneração do Magistério das Redes Públicas Estaduais 2025, do Movimento Profissão Docente, o estado do Rio de Janeiro apresentava o salário inicial mais baixo de professores estaduais do país, estabelecido em R$ 4.867,77.
- Divulgada em 3 de março deste ano, a pesquisa elaborou um ranking com dados dos salários estaduais da categoria nos 26 estados e no Distrito Federal. Os três últimos são Piauí (R$ 4.984,17), Minas Gerais (R$ 4.867,97) e, na pior posição, Rio.
- No entanto, o valor pago no estado era exatamente o mesmo do piso nacional determinado pelo Ministério da Educação (MEC) para 2025.
- TH Joias está preso desde setembro de 2025, investigado por suspeita de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho. A PF também apontou a negociação de equipamentos antidrones pelo grupo investigado.
- Ao contrário do que disse o candidato, as investigações citadas não apontam Thiago Rangel como responsável pela negociação ou venda de drones e armas. Thiago Rangel foi preso em maio de 2026, na quarta fase da Operação Unha e Carne, que apurou suspeitas de fraudes, peculato, fraude a licitações e lavagem de dinheiro envolvendo a Secretaria Estadual de Educação.
- Em junho de 2017, a Polícia Civil do Rio apreendeu 60 fuzis no terminal de cargas do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. As armas, enviadas de Miami, estavam escondidas em contêineres junto com aquecedores de piscina. A apreensão é a maior já registrada no estado. Em 2025, o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também afirmou, em audiência no Senado, que a maior apreensão de fuzis da história realizada pela PF ocorreu no Galeão.
- VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE.
- GloboPop: clique para ver vídeos do palco de Fato ou Fake.
A série foi aberta nesta terça-feira (8) com o deputado estadual Douglas Ruas (PL). Anthony Garotinho (Republicanos) será sabatinado nesta quinta-feira (10). Eduardo Paes (PSD) fecha a programação, nesta sexta-feira (11).
Cada entrevista terá uma hora e meia de duração.
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de William Siri (PSOL). Leia.
Faltam pouco mais de três semanas para a eleição. A gente está na rua, com essa militância muito aguerrida. Essa oscilação [de 3% para 1% nas intenções de voto] acho que está dentro da margem de erro.
Há uma epidemia, muitos policiais estão se suicidando. Foram 55 policiais que morreram [suicidaram] no ano passado.
[Eduardo Paes] em 2024, aumentou de 2 anos para 6 anos as contratações, na cidade do Rio de Janeiro, depois das eleições do primeiro turno, e depois jogou bomba nos professores.
O saneamento básico também faz parte de uma política absurda que fizeram, desse mesmo grupo criminoso de Cláudio Castro, de Rodrigo Bacelar e cia, que vendeu a Cedae e está hoje piorando a vida da sociedade.
O PSOL votou de forma unânime para que mantivesse a prisão de Rodrigo Bacellar [ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio]. Agora, uma parte do PSD, do Eduardo Paes, votou para ele sair da prisão.
A boa parte, quase a maioria, basicamente a maioria do PL, votou para ele sair da prisão.
O pior salário do Brasil para os educadores estaduais está no Rio de Janeiro. A gente sequer paga o piso nacional.
Nós temos, na história do Rio de Janeiro, a maior apreensão de fuzis foi aonde? Foi no aeroporto.
Participaram da checagem: Anna Júlia Steckelberg, Clara Simão, Lucas Guimarães, Luiza Calegari e Mel Trench.
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