O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) renunciou ao mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quarta-feira (12), quando o pedido foi recebido pela Casa e lido durante a sessão plenária pelo vice-presidente da Alerj, deputado Guilherme Delaroli (PL).
No pedido, o agora ex-deputado afirmou que apresentava a "renúncia por sua livre e espontânea vontade" em um "caráter irrevogável e irretratável com a finalidade de dedicar-se integralmente a sua defesa" no inquérito que corre no STF.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça.
Com a renúncia, o suplente Wellington José (União), que já exercia o mandato desde o afastamento de Rangel, passa a ocupar a cadeira de forma definitiva. Wellington José era o primeiro suplente do Podemos, partido pelo qual ele e Rangel disputaram as eleições de 2022.
STF nega pedido de liberdade do deputado Thiago Rangel após descoberta de intimidação.
Rangel estava afastado do cargo desde que foi preso, em maio deste ano, durante a 4ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF).
A operação investiga suspeitas de fraudes em procedimentos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma, no âmbito da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).
A 4ª fase da operação foi deflagrada em 5 de maio. Na ocasião, a PF cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.
As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Deputado estadual Thiago Rangel é preso pela PF na 4ª fase da Operação Unha e Carne.
Segundo as investigações, contratos de escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc teriam sido direcionados para empresas previamente selecionadas e relacionadas ao esquema.
A região era apontada pela PF como uma área de influência política de Rangel.
Os investigados são suspeitos de crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.
A investigação teve origem na análise de materiais apreendidos na primeira fase da Operação Unha e Carne, que apurou o vazamento de informações sigilosas por agentes públicos.
Na ocasião, o então deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi preso.
De acordo com a PF, conteúdos extraídos do computador de Bacellar ajudaram a revelar o esquema investigado na quarta fase da operação.
Na época da prisão de Thiago Rangel, a defesa do deputado negou a prática de qualquer ato ilícito e afirmou que prestaria todos os esclarecimentos necessários no processo.
A Operação Unha e Carne teve 3 fases entre dezembro de 2025 e março de 2026 e apurava um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV).
Segundo a PF, os vazamentos teriam comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção criminosa. O caso foi incluído no contexto da ADPF 635, a ADPF das Favelas, que trata de ações de segurança pública no Rio.
A 1ª etapa da operação foi deflagrada em dezembro de 2025 e teve como alvo o então presidente da Alerj, o deputado Rodrigo Bacellar, hoje cassado.
De acordo com a Polícia Federal, Bacellar teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, contra o CV. O principal beneficiado seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso na Operação Zargun.
Ainda segundo a investigação, o vazamento teria permitido a destruição ou ocultação de provas, frustrando a ação policial.
Bacellar chegou a ser preso preventivamente por decisão de Alexandre de Moraes, mas foi solto dias depois — após decisão tomada em plenário da Alerj —, com medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Ainda em dezembro de 2025, a 2ª fase aprofundou as apurações sobre a origem dos vazamentos. Nessa etapa, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
Segundo os investigadores, o vazamento teria partido do Judiciário federal. A suspeita é que o magistrado repassou informações a Bacellar, que, por sua vez, as transmitiu a TH Joias.
A Polícia Federal informou ter encontrado mensagens, registros de ligações e indícios de relação próxima entre o desembargador e o deputado, o que, segundo a investigação, indicaria troca de favores.
A 3ª fase foi deflagrada em 27 de março de 2026. Nessa etapa, Rodrigo Bacellar foi preso novamente, desta vez em casa, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio.
A nova prisão foi determinada por Alexandre de Moraes após a cassação do mandato do político pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso conhecido como escândalo da Ceperj, e após denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 16 de março.
Na 3ª fase, a Polícia Federal também passou a relacionar diretamente o caso à ADPF 635, apontando que as condutas investigadas poderiam comprometer ações do Estado no combate ao crime organizado no Rio.
A denúncia da PGR inclui, além de Bacellar, TH Joias, o desembargador Macário Júdice Neto e outros investigados. Segundo o órgão, há indícios de uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.