A Polícia Civil do Rio concluiu que a Fictor Holding funcionava como o "motor financeiro" que custeou homicídios cometidos por homens ligados a Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
Lista completa
- Evandro Marques da Silva, o Magrinho.
O bicheiro foi denunciado pelo Ministério Público (MPRJ) e se tornou réu na Justiça como mandante da morte de Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro de 2024. Um policial militar do 15º BPM (Duque de Caxias) foi preso na segunda-feira (28).
A Fictor foi fundada em 2007 com foco no setor de tecnologia. Em 2013, realizou sua primeira operação de investimento e, a partir daí, iniciou um processo de diversificação dos negócios.
Hoje, o conglomerado brasileiro atua nos segmentos de alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e financeiro. O grupo entrou com um pedido de recuperação judicial em fevereiro deste ano, após a polêmica da compra do banco Master.
O que é o Grupo Fictor, que pediu recuperação judicial em SP.
Pagamento para carro utilizado em crime.
O relatório final da investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) sobre a morte de Crespo apontou que o dinheiro utilizado para custear o carro que seguiu os passos do advogado antes da execução passou pela esposa do PM Leandro Machado, preso e condenado pelo homicídio em março deste ano.
Em nota, a Fictor afirmou que os pagamentos ocorreram entre 2023 e 2024, pelo sistema bancário regular, e que a empresa não tinha conhecimento de condenações ou investigações sobre qualquer crime.
A Fictor afirmou ainda que "rejeita qualquer interpretação de que tenha conscientemente participado de crimes de lavagem de dinheiro ou financiamento de atividades criminosas." (leia a nota na íntegra ao final do texto).
O mesmo veículo também foi utilizado para vigiar outra vítima, morta um mês antes em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio: Thiago Trigueiro Gomes foi morto em janeiro de 2024.
A investigação aponta para mais um homicídio ligado à atuação da máfia dos cigarros. O motivo: Thiago estaria vendendo o "cigarro errado.
Segundo as investigações, Francisca também pagava as “diárias” de criminosos como Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, foragido pela morte de Crespo, e Ryan Patrick Barboza de Oliveira, o “Motinha”.
Ryan, chamado de "Motinha" porque costumava usar sua moto para seguir alvos da organização criminosa antes dos homicídios, foi alvo de um mandado de prisão pela morte do advogado.
Ele já estava preso por participar da execução de Antônio Gaspazianne Mesquita Chaves, dono do bar Parada Obrigatória, em Vila Isabel. Adilsinho também é apontado como mandante do crime, que ocorreu no dia 9 de junho.
No dia 12 de junho, segundo a quebra do sigilo do celular de Ryan, ele trocou mensagens com o PM Renato Franco Lopes, o Pitbull, justamente sobre a morte da vítima.
O policial do 15º BPM foi preso pela morte de Crespo nesta semana.
Em nota, a defesa de Adilsinho afirmou que o cliente "desconhece a empresa mencionada na reportagem e as respectivas transações financeiras, reafirmando sua absoluta inocência em relação aos crimes apurados.
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PF investiga estrutura de lavagem de dinheiro com o CV.
Polícia Federal prende 14 pessoas em operação contra fraudes bancárias e lavagem de dinheiro.
Em março de 2026, uma operação da Polícia Federal apontou que o grupo Fictor e células da facção Comando Vermelho (CV) utilizavam o mesmo esquema de lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, o grupo Fictor injetava recursos que alimentavam as simulações de fluxo de caixa, ajudava a montar empresas de fachada e operava mecanismos usados para enganar instituições financeiras.
O CV, por sua vez, se aproveitava de empresas fictícias e da contabilidade fabricada para justificar a entrada de recursos ilícitos no sistema bancário.
Holding 'lavava' dinheiro de quadrilha de Adilsinho, aponta investigação.
O relatório final da investigação do assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo apontou que a holding Fictor era utilizada para lavar dinheiro da organização criminosa chefiada por Adilsinho.
As análises do Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil se debruçaram sobre movimentações financeiras entre janeiro de 2023 e 31 de maio de 2024.
A prática, chamada de "smurfing" pela polícia, consiste em dividir grandes quantias em vários depósitos menores para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro, assim como o destino desses valores.
Depois disso, segundo a polícia, o dinheiro da holding chegava à conta de outras duas pessoas, além de Francisca.
A análise das movimentações financeiras indica que uma parte desse dinheiro foi utilizada para manter a estrutura logística dos homicídios ligados à organização criminosa.
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Até a publicação desta reportagem, ele tinha seis mandados de prisão por diferentes homicídios cometidos a mando da organização criminosa de Adilsinho.
A partir de junho de 2023, no entanto, os valores passaram a ser depositados para outro PM: Leandro Machado, que teria participação direta na morte de Rodrigo Crespo.
O dinheiro que vinha de Evandro “Magrinho” também serviu, segundo a polícia, para pagar os seguranças de um braço direito de Adilsinho. O valor incluía o pagamento de diárias, escalas e despesas logísticas.
Vitor Hugo foi preso durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na investigação do homicídio de Crespo.
PQD é apontado por investigações da Polícia Civil como um dos matadores da quadrilha de Adilsinho. Em 2025, ele foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão em uma operação da Delegacia de Homicídios da Capital.
Em 2022, PQD foi preso junto com Rafael Ferreira Silva, conhecido como Cachoeira, atualmente foragido pela morte de Rodrigo Marinho Crespo.
Em dezembro daquele ano, os dois estavam tentando sequestrar uma mulher em Nilópolis, na Baixada Fluminense, quando foram presos em flagrante.
As investigações da Polícia Civil apontam que ela pode ter sido vítima de um entre os mais de 20 crimes envolvendo o mercado de cigarros ilegais do Rio desde 2022.
Uanderson também está foragido e é procurado como um dos suspeitos pelas mortes do vereador Danilo do Mercado e de seu filho, Gabriel, que ocorreram em 2021 em Duque de Caxias.
O g1 pediu notas para as defesas de Leandro Machado e Francisca Machado, mas não recebeu respostas até a publicação da reportagem.
O g1 não conseguiu contato com as defesas de Uanderson Costa de Souza e Evandro Marques da Silva.
Adilson é alvo de diversas acusações infundadas que carecem de qualquer prova de seu envolvimento com os fatos, seguindo confiante que a Justiça julgará com a isenção e imparcialidade características do devido processo legal”, afirmou o advogado Ricardo Braga.
A Fictor se pronunciou com a seguinte nota.
Os pagamentos mencionados ocorreram entre 2023 e 2024, por meio do sistema bancário regular, no contexto das relações então mantidas pela companhia com os respectivos beneficiários e em observância aos procedimentos de compliance aplicáveis.
À época das operações, a Fictor não tinha conhecimento de condenações ou investigações envolvendo essas pessoas que pudessem relacioná-las aos fatos mencionados na reportagem.
A Fictor permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Em números
- Polícia Federal prende 14 pessoas em operação contra fraudes bancárias e lavagem de