A presença do pai nos primeiros dias de vida do bebê pode fazer diferença tanto para a criança quanto para toda a família. Embora a licença-paternidade ainda seja de cinco dias para a maioria dos trabalhadores, uma lei aprovada neste ano prevê a ampliação gradual do benefício até chegar a 20 dias em 2029.
Enquanto a mudança não entra em vigor, algumas empresas mineiras já oferecem um período maior aos funcionários. Foi o que aconteceu com o inspetor de qualidade Kelber Lima Simão, de 30 anos, morador de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Funcionário da RHI Magnesita, ele pôde ficar 20 dias em casa após o nascimento da filha, Ana Júlia. No primeiro Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), ele relembra o período como uma experiência única.
Eu cuidei da minha filha ativamente junto com a minha esposa. Ela ficou muito debilitada por causa da cesariana e precisou de ajuda por muitos dias. Peguei no colo, dei banho, fiz de tudo.
Foi uma experiência muito incrível, um momento que não volta mais", relatou Kelber.
Kelber conta que o período também foi importante para fortalecer a relação com a filha.
Hoje ela acorda, olha para a gente e sorri. Quando começa a chorar, parece que sente o nosso cheiro e se acalma. É importante construir esse vínculo desde o começo", completou.
Na mesma empresa, o engenheiro de segurança do trabalho Fernando Figueiredo de Campos também aproveitou os 20 dias de licença após o nascimento da primeira filha, Heloísa.
Foi um momento de conhecer a paternidade e conhecer a Heloísa. Consegui participar da rotina de sono, do banho, trocar fraldas, acompanhar vacinas e o teste do pezinho.
Para ele, o período fez diferença não apenas na relação com a filha, mas também no apoio à esposa durante o pós-parto.
A licença ampliada é oferecida pela RHI Magnesita desde 2019. Segundo o gerente de Recursos Humanos da empresa, Matheus Oliveira, a iniciativa surgiu a partir de uma proposta do comitê interno de diversidade.
A gente entende que o pai presente alivia a rotina da mãe nesse momento e cria um vínculo com a criança que vai permanecer pelo resto da vida", ressaltou o gerente.
De acordo com ele, a medida também trouxe benefícios para a empresa.
As pessoas ficam mais felizes. Quando o ambiente familiar está organizado e funcionando bem, isso volta para a empresa em forma de engajamento e produtividade", completou Matheus.
Além da licença de 20 dias, a empresa oferece auxílio-creche, grupos de apoio para pais atípicos e flexibilização da jornada para parte dos funcionários. Matheus afirma que novas ampliações seguem sendo avaliadas.
Para a psicóloga Alessandra Furst, a participação do pai desde os primeiros dias de vida fortalece o vínculo afetivo e traz benefícios para toda a família.
Essa iniciativa gera um sentimento de segurança para a criança e fortalece o vínculo afetivo entre pai, filho e toda a família. O pai participa mais ativamente dos primeiros cuidados e isso também é importante para ele.
É nesse momento que muitos homens passam a compreender, de fato, a paternidade", ressaltou a psicóloga.
Segundo ela, esse contato é importante inclusive para o próprio homem construir a identidade de pai.
O pai se sente pai a partir do momento em que o bebê nasce. Se ele consegue permanecer mais tempo em casa ajudando nos cuidados, cria uma conexão afetiva muito mais forte.
Atualmente, a licença-paternidade é de cinco dias para a maior parte dos trabalhadores com carteira assinada. Com a nova legislação, o benefício será ampliado gradualmente: passa para 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e chega a 20 dias em 2029.
A norma também cria o salário-paternidade e estende o direito a categorias como microempreendedores individuais (MEIs), empregados domésticos, trabalhadores avulsos e segurados especiais.
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Fontes
Informação baseada em material público de G1 Minas, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.