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'O Rio pode mais': Violência impõe custos nos transportes e trava negócios na capital e na Baixada

Quinto e último capítulo da série “O Rio pode mais” mostra como roubos de carga, milícias e insegurança afetam caminhoneiros, transportadoras e empresas e aumen

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'O Rio pode mais': Violência impõe custos nos transportes e trava negócios na capital e na Baixada

No fim da tarde, quando muitos caminhoneiros encerram a jornada e procuram um lugar para passar a noite, a decisão nem sempre é apenas pelo descanso. Nas estradas do Rio, motoristas dizem que parar antes de anoitecer é também uma forma de se proteger da violência.

  • Falta de mão de obra, estradas e energia são entraves ao desenvolvimento da Região Serrana e Centro-Sul do RJ.
  • Problemas de acesso ao Porto do Açu e falta de energia travam crescimento econômico no Norte e Noroeste do estado.
  • Sul Fluminense e Costa Verde vivem desafios nas áreas do saneamento básico, energia e turismo sustentável.
  • Problemas no transporte e energia prejudicam trabalhadores e empresas em Niterói, São Gonçalo e Região dos Lagos.

O impacto do crime na circulação de cargas no Rio e na Baixada Fluminense é um dos exemplos de como a violência encarece e trava negócios na área. Os entraves para desenvolvimentos na Região Metropolitana foram temas do quinto capítulo da série "O Rio pode mais", do RJ2.

A um mês das eleições, a equipe do telejornal percorreu diferentes regiões do estado para identificar os principais entraves ao desenvolvimento e os potenciais de cada território.

Em cinco capítulos, a série mostra como problemas de infraestrutura, mão de obra e outros gargalos afetam a economia local.

A realidade não é nova. Há mais de 20 anos, o RJ2 já mostrava os efeitos dos roubos de carga no estado. Em 2003, foram registrados 4. 073 casos. O número oscilou nas décadas seguintes e chegou ao recorde de 10.

599 ocorrências em 2017. Desde então, houve redução, mas o índice continua elevado: foram 3. 113 roubos de carga em 2025.

Para quem trabalha nas estradas, a sensação de insegurança permanece. César Pettres, que veio de Quitandinha, na Região Metropolitana de Curitiba, conta que chegou a se aposentar, mas voltou a dirigir depois de um ano e meio em casa.

As transportadoras investiram em rastreadores, câmeras e sistemas capazes de bloquear remotamente caminhões. Mas as quadrilhas também passaram a usar novas estratégias.

Um dos equipamentos usados para impedir o rastreamento é o chamado jammer, um bloqueador portátil de sinais proibido no Brasil, apelidado de Chupa-cabra pelos bandidos.

Quando o dispositivo entra em ação, o caminhão pode desaparecer da central de monitoramento. Sem comunicação, a empresa perde a capacidade de reagir rapidamente e pode ficar impossibilitada de bloquear portas ou desligar o motor.

A resposta agora também envolve tecnologia. Segundo Marcelo Pessoa, diretor de Segurança do Sindicarga, equipamentos capazes de identificar a presença do bloqueador podem ajudar as forças de segurança a localizar os veículos.

A proposta é equipar a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil e unidades estratégicas da Polícia Militar com a tecnologia.

Motoristas também são vítimas dentro das cidades.

O risco não termina quando o caminhão deixa a estrada. Em áreas dominadas pelo tráfico, motoristas podem ser rendidos durante entregas e obrigados a pagar para circular.

Em outra situação, uma funcionária da empresa precisou negociar diretamente com os criminosos para preservar a equipe e evitar que o caminhão fosse incendiado.

Os efeitos psicológicos também ficam. “Ataca o nosso psicológico, do ajudante, quando a minha esposa soube ficou nervosa, tudo isso acontece”, disse o motorista.

Milícias criam novas barreiras para as entregas.

Na Baixada Fluminense, empresas também enfrentam cobranças impostas por grupos criminosos. Uma empresária contou que, em algumas áreas de Seropédica, caminhões são obrigados a pagar para entrar e fazer entregas.

Em alguns casos, a empresa deixa de fazer a entrega no endereço do cliente. “A gente chega a ter o caso do cliente ir à nossa empresa buscar a mercadoria”, contou.

Para a empresária, a situação provoca sensação de impotência. “A gente se sente impotente, porque é uma coisa que a gente não tem como controlar. A única coisa que a gente pode fazer é mudar rotas.”.

Violência aumenta o custo de toda a economia.

Os impactos não ficam restritos às empresas que sofrem diretamente com os crimes. Para Isaque Ouverney, gerente de Infraestrutura da Firjan, a violência afeta toda a sociedade, inclusive quem nunca teve uma carga roubada.

O economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, explica que o problema também atinge empresas do interior que precisam transportar a produção até a capital.

Além do prejuízo direto, empresas precisam gastar mais com segurança, alterar rotas e lidar com atrasos. O resultado é uma economia menos eficiente e produtos mais caros.

A preocupação com a violência também pesa na decisão de investir no estado. Segundo Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, uma pesquisa realizada pela entidade mostra a dimensão do problema.

Para os empresários, o medo envolve não apenas o roubo de cargas, mas também a segurança dos funcionários e a atuação de milícias.

A violência, portanto, aparece como um problema que ultrapassa a segurança pública. Ela interfere na logística, encarece o transporte, reduz a produtividade e pode dificultar a chegada de novos investimentos.

Na avaliação da empresária ouvida pela reportagem, quando o poder público não consegue ocupar determinados territórios, grupos criminosos passam a impor suas próprias regras.

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