É um pássaro? É um avião? Nada disso. O que corta o céu das lavouras do Oeste do Paraná é o DJI T50, um drone com 2,8 metros de largura e mais de 3 metros de comprimento quando totalmente aberto.
O DJI T50 pode alcançar 100 metros de altitude. Em aplicações agrícolas típicas, ele costuma sobrevoar a lavoura a 4 metros do solo.
Essas aeronaves, que há pouco tempo pareciam coisa de filme futurista, hoje fazem parte da rotina de muitos produtores. A pulverização aérea de precisão já é realidade, e empresas como a Soy Drone, de Santa Tereza do Oeste (PR), mostram que a tecnologia pode ser eficiente, econômica, sustentável e, acima de tudo, acessível.
O DJI T50, modelo utilizado pela empresa, é capaz de pulverizar 20 hectares por hora, com economia de até 90% de água em relação aos métodos convencionais. Segundo Danimar, a aplicação é mais uniforme e evita o amassamento das plantas, o que pode aumentar a lucratividade entre 5% e 7%.
Drones atuais trazem tecnologia embarcada, como radares mais inteligentes, câmeras modernizadas, aumento na capacidade de carga e sistemas de pulverização e dispersão de sólidos.
Além da economia de recursos, o uso dessa ferramenta traz um ganho ambiental e social importante. “Com a menor utilização de água e defensivos agrícolas, o impacto ambiental é reduzido.
A tecnologia de aplicação veio para somar na agricultura, tornando o uso mais racional e sustentável”, destaca Danimar.
Outro ponto que salienta o uso dos drones é a segurança no trabalho. Com menos pessoas envolvidas na operação e equipamentos adequados para o preparo da calda, que é a mistura líquida usada na pulverização de lavouras, a exposição a produtos químicos é muito menor, reduzindo riscos e tornando o processo mais seguro.
Manutenção que prolonga o voo: simples, cuidadosa e mais barata.
Os drones agrícolas são projetados para resistir à poeira, à umidade e ao contato com defensivos, mas por trás de cada voo há uma rotina rigorosa de cuidados.
Por ser uma aeronave não tripulada, qualquer falha, seja na bateria, no motor, na hélice ou nos sensores, pode comprometer toda a operação. Por isso, é essencial manter um acompanhamento rigoroso de cada item, garantindo segurança, desempenho e confiabilidade no campo.
Esses cuidados antes e depois do voo, por parte dos operadores, são imprescindíveis para uma boa durabilidade do equipamento. Eduardo Joaquim, de 20 anos, é operador de drones há dois anos.
Para ele, o principal desafio na prática é a autonomia da bateria antes de um carregamento: “É pouca. Dura aproximadamente de cinco a oito minutos em pulverização.
O clima interfere bastante, quando tem muito vento ou muito sol não tem aplicação.”.
As baterias são um ponto de atenção, uma vez que sua durabilidade está ligada aos cuidados do operador. É importante seguir as recomendações do fabricante, evitando mau uso, já que, quando bem manuseadas, podem alcançar cinco anos de longevidade.
Outro diferencial é o baixo custo de manutenção. De acordo com o especialista, cuidar de um drone pode ser até cinco vezes mais barato do que manter uma máquina autopropelida, como tratores, sendo uma alternativa mais acessível aos produtores.
A pulverização com drones exige preparo. Antes, é preciso solicitar autorização de voo, mapear a área, conferir o receituário agronômico e ajustar a vazão conforme as condições do clima.
Mesmo assim, o processo tende a se tornar cada vez mais ágil. Hoje já há drones que, além da pulverização, realizam mapeamento, semeadura e dispersão de fertilizantes, um novo passo para integrar mais funções em uma mesma ferramenta.
A pulverização com drones está mais próxima da realidade do produtor do que muita gente imagina e tem transformado não apenas a lavoura, mas a relação com o trabalho no campo.
Eduardo compartilha que procurou entender mais de drones quando o assunto começou a repercutir. “É o futuro, algo que cresce cada dia mais. Para pilotar é exigido o curso CAAR (Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota), não é muito acessível, em torno de cinco a sete mil reais.”.
Danimar, por sua vez, vislumbra um futuro com garantia de mais sustentabilidade, sistemas inteligentes e tecnologias que impulsionarão cada vez mais a evolução dos drones.
No céu do Oeste, as hélices giram e espalham mais do que defensivos: espalham o sinal claro de que o futuro da agricultura já chegou e de que ele voa alto.
Texto produzido por Kariny Camilo, Leonardo Pelegrini Moura e Thabata François, acadêmicos do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, sob orientação da professora Julliane Brita, para a 24ª edição da Revista Verbo, veiculada na 5ª edição do City Farm FAG.
Em números
- O DJI T50, modelo utilizado pela empresa, é capaz de pulverizar 20 hectares por hora, com economia de até 90% de água em rela
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