O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu novamente a prisão preventiva do vereador de São João de Meriti Ernane Aleixo (PL), acusado de colaborar com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
Segundo o MP, o parlamentar descumpriu medidas cautelares impostas pela Justiça ao participar de um encontro com políticos e empresários do município na semana passada.
Ernane foi preso em novembro do ano passado durante a Operação Muro de Favores, que investigou uma suposta relação entre agentes públicos e integrantes do TCP. Em janeiro deste ano, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio determinou que ele poderia responder ao processo em liberdade, mas estabeleceu medidas cautelares, entre elas o afastamento da função pública e de todas as prerrogativas do cargo, com exceção da remuneração.
Para o Ministério Público, a presença do vereador em um encontro de articulação política, mesmo afastado judicialmente, indica uma possível retomada de sua atuação política e representa descumprimento da decisão.
O órgão também argumenta que a decisão judicial não proibiu apenas a participação do vereador em sessões ou votações na Câmara, mas determinou o afastamento da função pública e das prerrogativas relacionadas ao cargo.
Investigação aponta suposto apoio a criminosos.
A Operação Muro de Favores teve início a partir da prisão do traficante Marlon Henrique da Silva, conhecido como Pagodeiro. Segundo a investigação, mensagens encontradas no celular dele apontaram para uma suposta relação com Ernane.
Em uma das conversas, um criminoso afirma que o vereador poderia emprestar máquinas para a construção de barricadas. Em outra mensagem, atribuída a Ernane, ele teria respondido que utilizar máquinas da prefeitura poderia gerar problemas, mas que poderia emprestar um martelete.
A investigação também identificou áudios em que integrantes da quadrilha mencionam um suposto contato com o vereador.
Segundo a polícia, Ernane ofereceria suporte logístico e operacional ao grupo criminoso em troca de benefícios financeiros e políticos.
Ainda de acordo com a investigação, o vereador também teria negociado vagas de emprego em troca de apoio político. Em uma das mensagens, ele oferece a possibilidade de indicar uma pessoa para trabalhar e cita vagas de técnica, enfermeira, maqueiro e recepção, geralmente em hospitais.
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Ernane foi preso em novembro de 2025 e permaneceu pouco mais de um mês na cadeia. Em janeiro de 2026, a 8ª Câmara Criminal autorizou que ele respondesse ao processo em liberdade, mas determinou seu afastamento do cargo.
Como está impedido de comparecer às sessões da Câmara, ele pediu ao presidente da Casa, João Dantas de Mello, o abono das faltas.
O presidente entendeu que o vereador foi “temporariamente” privado do exercício das funções por força de uma decisão judicial e considerou que o pedido de abono estava amparado na legalidade.
Com isso, as faltas foram abonadas e Ernane manteve o mandato.
A defesa de Ernane Aleixo afirmou que ele foi convidado pelo prefeito de São João de Meriti para participar de um almoço com empresários da cidade.
Segundo os advogados, o encontro não teve finalidade política e não estava relacionado às funções exercidas pelo vereador na Câmara Municipal. Por isso, a defesa sustenta que não houve descumprimento das medidas cautelares.
Os advogados também afirmaram que Ernane está à disposição da Justiça e participou normalmente de uma audiência realizada nesta quarta-feira (12) no Fórum de São João de Meriti.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.