A Guarda Municipal (GM) de Londrina enviou à Justiça, nesta terça-feira (1º), a gravação realizada por câmera corporal no dia em que Murilo Dias, de 15 anos, foi morto a tiros durante uma abordagem em Londrina, no Norte do Paraná.
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Defesa questiona falta de imagens em câmeras corporais da Guarda Municipal.
As imagens, entretanto, começam depois que a morte havia acontecido.
O g1 procurou a GM para saber o motivo de não existir um registro completo da abordagem, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Também não foi detalhado se as gravações encaminhadas à Justiça são de mais de um agente e a identidade dele.
Os nomes dos guardas envolvidos no caso não foram divulgados, e o processo que apura a morte do jovem está sob sigilo.
Os vídeos captados pela corporação mostram a movimentação de autoridades e testemunhas ao redor do carro de Volmir, que bateu contra um poste depois da perseguição.
No momento da gravação, o pai já havia sido encaminhado à delegacia da Polícia Civil (PC-PR) e Murilo estava morto. Assista acima.
O guarda que carrega a câmera chegou a relatar brevemente o que havia acontecido a um policial penal que estava no local, mas não disse como foi a morte de Murilo.
A gravação foi interrompida depois que ele pegou os nomes dos profissionais que estavam prestando atendimento.
Também na terça-feira, a defesa de Volmir solicitou que a Justiça peça à GM os vídeos na íntegra, sem cortes ou edições, além de detalhes de como a gravação foi feita — e, se não foi feita, o motivo.
A resposta administrativa não individualiza os equipamentos utilizados, não identifica quais agentes portavam cada câmera, não informa horários de retirada, ativação, interrupção e devolução dos equipamentos, não esclarece se houve gravações adicionais, não apresenta metadados ou logs e tampouco oferece justificativa técnica para eventual inexistência de imagens do momento central dos fatos", diz a manifestação.
Ainda não houve uma resposta da Justiça sobre a manifestação da advogada.
De acordo com a GM, a ocorrência envolvendo Volmir começou no dia 31 de julho, quando ele foi à pizzaria onde a mãe de Murilo trabalha. No local, o homem deu um tiro para cima ao se envolver em uma confusão.
Em seguida, saiu dirigindo uma picape, com o filho no banco do passageiro.
Pouco tempo depois, uma equipe da GM passou pela região e foi parada por uma testemunha, que denunciou Volmir. Os guardas municipais, então, seguiram em busca do homem para tentar uma abordagem, e uma perseguição foi iniciada.
Perto do Ginásio de Esportes Moringão, Volmir atropelou um motociclista e bateu contra um poste. A GM o alcançou e, logo após, pai se entregou. Enquanto ele era detido, o filho, que continuava no carro, foi morto.
Na abordagem final, o condutor [Volmir] foi detido. O passageiro [Murilo] resistiu às ordens de desembarque e, segundo relato da equipe, tentou sacar uma arma de fogo da cintura.
Diante da ameaça iminente, um guarda municipal efetuou disparo de arma de fogo", diz o relatório divulgado pela GM.
Murilo foi socorrido por equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O corpo foi encaminhado à Polícia Científica.
Conforme a GM, Volmir foi preso em flagrante por disparo de arma de fogo, conduzir veículo automotor sob influência de álcool e desobediência. Além disso, foi apreendido um revólver com seis munições intactas e uma deflagrada.
Em depoimento na delegacia, Volmir confirmou ter usado o revólver para dar um tiro para cima na pizzaria. Ele também disse que, depois que entrou na picape, derrubou a arma no chão do veículo e o filho não a pegou.
Deu crise nele, na hora. Ele tem epilepsia", Volmir relatou no interrogatório.
Volmir passou por audiência de custódia e recebeu a liberdade provisória, no dia 1º de agosto, sob a condição de uso de tornozeleira eletrônica.
O g1 entrou em contato com as defesas dos envolvidos nesta quarta-feira (2), mas não houve novos retornos até a última atualização desta reportagem.
À época dos fatos, o comandante da GM, tenente-coronel Ricardo Eguedis, informou à RPC que os guardas municipais envolvidos na situação estão afastados das funções e que a Corregedoria-Geral do Município apura o caso.
No mesmo período, a defesa de Volmir citou que o MP havia concordado com a solicitação das imagens das câmeras corporais. Leia a nota enviada no dia 3 de agosto na íntegra.
A CAPOCCI Sociedade de Advogados manifesta sua solidariedade à família do adolescente de 15 anos que morreu durante a ocorrência registrada na noite de sexta-feira (31) e reafirma seu compromisso com a completa apuração dos fatos.
Na qualidade de defesa técnica de seu pai, Sr. Volmir Dias, informa que a Justiça já determinou sua liberdade, reconhecendo que não havia motivos para mantê-lo preso.
Informa, ainda, que o Ministério Público concordou com o pedido da defesa para a requisição das imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos, por entender que a completa apuração de fatos tão graves exige a análise de todas as provas disponíveis.
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