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Moraes dá 30 dias para PGR opinar sobre plano de reocupação de territórios do RJ na ADPF das Favelas

Ministro afirmou que proposta apresentada pelo governo fluminense precisa de análise mais detalhada para verificar compatibilidade com as decisões já proferidas

5 min de leitura
Moraes dá 30 dias para PGR opinar sobre plano de reocupação de territórios do RJ na ADPF das Favelas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, em até 30 dias, sobre o Plano Estratégico de Reocupação Territorial apresentado pelo Governo do Rio de Janeiro no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.

A decisão foi assinada nesta segunda-feira (17).

No despacho, Moraes afirmou que a proposta enviada pelo estado, em dezembro de 2025, exige uma avaliação mais aprofundada antes da homologação pelo Supremo — que pode rejeitá-la.

Com a decisão, os autos serão encaminhados à PGR para análise do documento antes dos próximos passos no processo.

O plano foi apresentado pelo governo fluminense ao STF em 22 de dezembro de 2025, em cumprimento a determinações da própria Corte. Segundo o estado, a proposta prevê a retomada de áreas dominadas por organizações criminosas com atuação combinada das forças de segurança e de outros órgãos públicos.

Entre as medidas previstas estão a instalação de Bases Integradas de Segurança Territorial (BISTs), com funcionamento 24 horas, policiamento comunitário e uso de tecnologias de monitoramento.

O projeto-piloto foi desenhado para comunidades de Rio das Pedras, Gardênia Azul e Muzema, na Zona Sudoeste do Rio, região com cerca de 85 mil habitantes. A estimativa do governo é que a iniciativa possa impactar até 1,2 milhão de pessoas.

A proposta também prevê ações de urbanismo, infraestrutura, desenvolvimento social e geração de oportunidades econômicas, com participação dos governos estadual, municipal e federal.

No fim do mês passado, o governo publicou decreto criando a Política Estadual de Reocupação Territorial e gabinetes responsáveis por coordenar e monitorar a execução do plano.

As estruturas, segundo o estado, vão reunir representantes de órgãos públicos e da sociedade civil para acompanhar as ações nas áreas contempladas.

Apesar da criação dos gabinetes, o plano segue dependendo da análise e aprovação do STF para avançar. A decisão de Moraes indica que a Corte pretende examinar com mais profundidade a compatibilidade da proposta com as determinações já estabelecidas na ADPF das Favelas antes de deliberar sobre sua implementação.

Cada território, segundo o plano enviado ao STF, terá um plano tático específico para uma estratégia de ocupação e permanência.

Entre as comunidades candidatas a receber o projeto, devido à sua alta densidade populacional, estão.

Fazenda Coqueiro (Senador Camará)Nova CidadeParque União (Maré)Vila VintémNova HolandaVila Rica de Irajá.

Entenda abaixo quais são os eixos do plano enviado ao STF.

EIXO 1 – Segurança Pública e Justiça.

Objetivo: Eliminar a presença armada de organizações criminosas, garantir a ordem pública e restabelecer o império da lei.

Operação de Retomada Integrada entre forças de segurança estaduais, federais e, se necessário, Forças Armadas. Bases Integradas de Segurança Territorial (BIST) funcionando 24h com policiamento comunitário e tecnologia de monitoramento.

Justiça Itinerante com Defensoria, Ministério Público e Juizados nos territórios. Repressão ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro com apoio da Receita Federal e COAF.

Governo estuda iniciar reocupação de território, determinada pelo STF, por zona sudoesteGoverno estuda iniciar reocupação de território, determinada pelo STF, por zona sudoeste.

Objetivo: Resgatar a cidadania e ampliar o acesso a direitos fundamentais.

Mutirões de cidadania, saúde, educação e assistência social nas comunidades retomadas. Requalificação das escolas públicas com implantação de tempo integral e atividades extracurriculares.

Centros da Juventude e Oportunidades (CJO) com cursos técnicos, orientação vocacional e inclusão digital. Programas de apoio familiar e combate ao aliciamento de crianças e adolescentes pelo crime.

EIXO 3 – Urbanismo e Infraestrutura.

Objetivo: Reurbanizar os territórios e integrar os espaços à cidade formal.

Obras de infraestrutura (saneamento, iluminação, moradia) com participação da comunidade. Regularização fundiária com assistência técnica gratuita e entrega de títulos de propriedade.

Conectividade pública com Wi-Fi livre em espaços coletivos. Mobilidade urbana com transporte acessível e seguro.

Objetivo: Promover oportunidades de geração de renda, trabalho e empreendedorismo local.

Criação das Zonas de Incentivo ao Empreendedorismo (ZIE) com benefícios fiscais e microcrédito. Fomento a polos produtivos e cooperativas comunitárias. Parcerias com empresas para contratação de mão de obra local.

Incentivo ao turismo comunitário, cultural e gastronômico.

EIXO 5 – Governança e Sustentabilidade do Projeto.

Objetivo: Garantir articulação permanente entre os entes públicos e a população local.

Gabinete Integrado de Gestão Territorial (GIGT) com representantes da União, Estado e Municípios. Comitês locais com metas, cronogramas e acompanhamento contínuo.

Conselhos populares de acompanhamento com poder de voz e fiscalização. Plataforma digital de transparência com indicadores públicos de desempenho.

Para a realização do plano de reocupação, o governo do Estado preparou uma pesquisa com a seguinte pergunta para o morador: "O que você precisa.

Na gestão do monitoramento desse projeto há a participação ativa da comunidade. Essa intervenção é uma ação policial para garantir que todos os serviços cheguem à comunidade", afirmou Victor dos Santos.

Em números

  • S de Rio das Pedras, Gardênia Azul e Muzema, na Zona Sudoeste do Rio, região com cerca de 85 mil habitantes
  • A estimativa do governo é que a iniciativa possa impactar até 1,2 milhão de pessoas

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

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