A Mocidade Independente de Padre Miguel já tem o samba que irá embalar seu desfile no Carnaval 2027. A obra da parceria de PC Feital foi escolhida na madrugada deste domingo (6), no Maracanã do Samba — quadra da escola — na Avenida Brasil.
- Compositores: PC Feital, Alex Saraiça, Denilson do Rozario, Andre Russo. Carlinho da Chacara e Fabio Bueno.
Depois de semanas de mata-mata, os 4 sambas finalistas chegaram à decisão para ter direito de traduzir na Marquês de Sapucaí o enredo “Latinamente Independente”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos.
O desfile será inspirado na obra “América Invertida”, feita pelo artista uruguaio Joaquín Torres García em 1943. A proposta é discutir uma nova ordem no continente em que a América Latina apareça como protagonista – e não os Estados Unidos.
Segundo o carnavalesco, o enredo pretende repensar os “nortes” do continente valorizando a identidade latino-americana. A ideia, segundo o carnavalesco, é usar a linguagem do carnaval para “ironizar a hegemonia cultural colonizante e imperialista”, além de cobrar reparações históricas e propor “um futuro mais latino”.
Toca o agueré, pra fazer revoluçãoToca o agueré e respeita essa naçãoO meu norte sempre foi, nossa pátria mãe gentilMocidade Independente do Brasil.
Desperta, pioneira, no verde da bandeiraOdé Komorodé me empresta o seu ofáÉ hora! Do hemisfério oprimidoTer o mapa invertido pra Jurupari lutarChoramos por tanto sangue derramadoEntre a fome do mercado e a fúria d'ambiçãoPois eles são capatazes da alegriaOpressores da harmonia, carcereiros da ilusãoLatino, em tua alma matarás os soberanos de AlcatrazPero sí, perder la ternura jamás.
Eu sonhei com Obatalá e Tupã lá no OrumCaetés na Casa Branca, a Colômbia e o PeruNa soberania plena todos juntos somos umPindorama era o quilombo dos saberes de Ogum.
Os sabores do amor têm punhados de alegriaPreparados no calor da rebeldiaPeço, ao norte não repita o amargor de tanta ausência,No Brasil, meus companheiros são heróis da resistênciaAtahualpa se uniu a Tupiara e gritaram fortementeNão assalte as terras rarasSou de Tupã com ascendente em PachamamaNo suor que se derrama e na dor que se escancaraIndependente, eu sou desobediente,Tenho molho e sangue quenteE não faço concessãoTome tenência e sossegue logo o fachoQue meu filho vire o mundo de cabeça para baixo.
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