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Mesmo após 6 anos do Pix, 30 dos 41 postos da SPTrans só aceitam dinheiro vivo para emitir 2ª via do

Prefeitura de SP alega que, quando o sistema foi implantado, em 2004, 'não havia sistema disponível para pagamento eletrônico sem o desconto de taxas do poder p

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Mesmo após 6 anos do Pix, 30 dos 41 postos da SPTrans só aceitam dinheiro vivo para emitir 2ª via do

Em uma das cidades mais ricas e tecnológicas da América Latina, quem perde ou precisa emitir o Bilhete Único ainda esbarra em um problema que parece do século passado: é preciso pagar em dinheiro vivo.

  1. A.E. Carvalho: Av. Imperador, 1.401 – Cidade A. E. Carvalho (aceita PIX).
  2. Alberto Lion: Praça Alberto Lion, s/n – Ipiranga.
  3. Amaral Gurgel: Rua Dr. Frederico Steidel, 107 – Santa Cecília (aceita PIX).
  4. Ana Neri: Rua Dona Ana Nery, 459 – Mooca.
  5. Aricanduva: Av. Airton Pretini, 86 – Penha.
  6. Água Espraiada: Av. Jornalista Roberto Marinho, 400 – Cidade Monções.
  7. Bandeira: Praça da Bandeira, s/n – Bela Vista (aceita PIX).
  8. C. A. Ypiranga: Rua do Manifesto, 151 – Ipiranga.
  9. Cachoeirinha: Av. Inajar de Souza, 4.120 – Cachoeirinha (aceita PIX).
  10. Campo Limpo: Estrada do Campo Limpo, 3.465 – Campo Limpo.
  11. Cantinho do Céu: Rua Nossa Sra. de Fátima, 82.
  12. Capelinha: Estrada de Itapecerica, 3.222 – Parque Fernanda.
  13. Casa Verde: Rua Baía Formosa, 80 – Casa Verde.
  14. Cidade Tiradentes: Rua Sara Kubitscheck, 165 – Cidade Tiradentes.
  15. Dom Pedro II: Av. do Estado, 4.455 – Mooca (aceita PIX).
  16. Estação Varginha 1: Av. Paulo Guilguer Reimberg, 937 – Jardim Maria Fernandes.
  17. Grajaú: Rua Giovanni Bononcini, 77 – Parque Brasil.
  18. Guarapiranga: Estrada do M'Boi Mirim, 150 – Jardim das Flores.
  19. Jabaquara: Av. Eng. Armando de Arruda Pereira, 2.051.
  20. Jardim Ângela: Estrada do M'Boi Mirim, 4.901 – Jardim Ângela.
  21. João Dias: Av. João Dias, 3.589 – Jardim Monte Azul.
  22. Lapa: Praça Miguel Dell Erba, 50 – Lapa (aceita PIX).
  23. Nossa Sra. Aparecida: AC. A. Estação N. Sra. Aparecida, 450 – Ipiranga.
  24. Parelheiros: Estrada da Colônia, 300 – Parelheiros.
  25. Parque Dom Pedro: Av. do Exterior, s/n – Sé.
  26. Pinheiros: Rua Gilberto Sabino, 130 – Pinheiros (aceita PIX).
  27. Pirituba: Av. Doutor Felipe Pinel, 60 – Pirituba (aceita PIX).
  28. Princesa Isabel: Alameda Glete, 433 – Campos Elíseos (aceita PIX).
  29. Rua do Grito: Av. Juntas Provisórias, 1.290 – Ipiranga.
  30. Sacomã: Rua Bom Pastor, 3.000 – Ipiranga.
  31. Santana: Rua Olavo Egídio, 274 – Santana (aceita PIX).
  32. Santo Amaro: Av. Padre José Maria, 400 – Santo Amaro.
  33. Sapopemba: Av. Arquiteto Vilanova Artigas, s/nº – Teotônio Vilela.
  34. São Miguel: Rua Tarde de Maio, s/n – São Miguel.
  35. Vila Carrão: Av. Dezenove de Janeiro, 884 – Vila Formosa.
  36. Vila Prudente: Rua Trocari, s/n – Vila Prudente (aceita PIX).

Um levantamento feito pelo g1 identificou que três em cada quatro postos da Trans na capital só aceitam dinheiro em espécie na emissão da 2ª via do cartão.

Dos 41 postos de atendimento da Trans no município, 30 não aceitam débito, crédito nem PIX, mesmo seis anos após o lançamento do sistema no Brasil.

Os 11 pontos que aceitam a tecnologia operam ainda em fase de teste desde dezembro de 2025. A Prefeitura de São Paulo não informou quando deve ampliar o modelo para todos os postos.

Questionada sobre o motivo de ainda exigir dinheiro em espécie em quase 75% dos postos, a prefeitura afirmou que, quando o sistema foi implantado, em 2004, "não havia sistema disponível para pagamento eletrônico sem o desconto de taxas do poder público.

Segundo a administração municipal, o prazo para ampliação da modalidade PIX está condicionado à "conclusão das avaliações do piloto e das adequações tecnológicas necessárias.

Para o professor Ciro Biderman, da FGV Cidades, a exigência de dinheiro em espécie em pleno 2026 é um retrato de um problema muito maior: a tecnologia por trás do Bilhete Único, batizada de Mifare, está ultrapassada.

Segundo ele, o cartão do Bilhete Único é o que se chama de "cartão moedeiro", uma tecnologia com cerca de 30 anos, sem nenhum vínculo com uma conta digital de verdade.

O especialista em administração pública e governo destaca que a justificativa da cobrança de taxas dada pela prefeitura não se sustenta.

Temos quase seis anos de PIX. Não tem taxa nenhuma, todo mundo migrou para o PIX. O sistema está em piloto ainda seis anos depois", critica.

O professor também questiona a lógica financeira por trás da resistência em aceitar cartões, mesmo com taxa, e diz que essa dinâmica só se explica em razão do descaso do poder público.

Na avaliação do pesquisador, a consequência vai muito além da obrigatoriedade do dinheiro em espécie: "É só a ponta do iceberg. O sistema inteiro está obsoleto.

O jeito como as pessoas se deslocam mudou completamente nos últimos 10 anos, mas o sistema continua funcionando da mesma forma que há décadas.

Outro ponto levantado por Biderman é o custo logístico de movimentar diariamente tanto dinheiro vivo entre os postos de atendimento espalhados pela cidade e os bancos.

Segundo a Trans, os valores arrecadados são depositados na conta da empresa no dia seguinte à apuração e todas as solicitações são registradas para controle da operação.

Para Biderman, o poder público deveria separar a gestão do sistema de transporte da tecnologia de pagamentos, mantendo o controle sobre os dados dos usuários, mas permitindo que empresas mais especializadas operassem os meios de pagamento.

Nenhum sistema moderno de aproximação funciona assim. Eles até saíram na frente, eles têm mérito de o sistema não estar nas mãos das operadoras de cartão, mas o modelo de negócio está errado.

Eles precisavam ter mudado a tecnologia", avalia.

Doutora em Administração Pública e especialista em mobilidade urbana, Ana Carolina Nunes avalia que a exigência de dinheiro vivo causa confusão para os passageiros, principalmente porque o restante do sistema já oferece diversas formas digitais de recarga.

A Trans demonstra mais dificuldade para se atualizar em relação aos meios de pagamento. Isso evidencia uma deficiência mais ampla na emissão do Bilhete Único.

A pesquisadora afirma que o modelo também prejudica moradores recém-chegados e turistas.

Como exemplo, Ana Carolina citou o caso de uma amiga estrangeira.

Ela ficou alguns meses em São Paulo e precisava de comprovante de residência para emitir o bilhete. Imagina uma pessoa de fora do Brasil que chega e descobre que precisa disso e de dinheiro em espécie.

Muito provavelmente vai desistir de fazer o bilhete e vai optar só pelo metrô ou por carros de aplicativo, o que é pior para todo mundo", pontuou.

Ponta do iceberg' de um sistema sem avanço.

Para Biderman, o problema do dinheiro em espécie na emissão dos cartões é sintoma de uma questão maior: a estagnação tecnológica de todo o sistema de bilhetagem paulistano, com reflexos na qualidade do serviço oferecido à população.

Segundo ele, a resistência a mudar de modelo também tem relação com o monopólio que a prefeitura mantém sobre o sistema atual. "Se ele perde esse monopólio, o Bilhete Único acaba em um instante", diz.

O professor também associa a estagnação tecnológica a uma piora perceptível na qualidade do serviço. "A qualidade do transporte público diminuiu consideravelmente.

O usuário deve ter notado isso. Hoje em dia eu espero muito mais pelo ônibus. E isso faz a gente perder passageiro", completa.

Cresce o número de fraudes no Bilhete Único.

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Fontes consultadas

  • G1 São Paulolink

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