A Operação Ouro Reverso 2 é realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e cumpre mandados na capital paulista e em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Segundo material da Polícia Civil, são 35 mandados judiciais, sendo 28 de busca e apreensão, quatro de prisão temporária e três de prisão preventiva. A ação é coordenada pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas, da Divisão de Investigações Gerais (DIG) do Deic.
Entre os locais fiscalizados está uma região do Centro de São Paulo apontada pelos investigadores como "círculo de fogo", onde teriam sido identificadas empresas responsáveis por comprar joias roubadas e derreter o material.
De acordo com a investigação, o esquema funcionava como uma cadeia que começava com furtos e roubos de joias e passava por intermediários, comerciantes e empresas responsáveis por receber e processar o ouro.
O objetivo seria eliminar a identificação das peças e permitir que o metal de origem criminosa voltasse ao mercado.
A Polícia Civil divide a estrutura investigada em três grupos: executores, processadores e financiadores.
Os executores seriam responsáveis diretamente pelos furtos e roubos de joias nas ruas e atuariam sob coordenação de intermediários. Os processadores seriam lojistas e receptadores que recebiam o material roubado e faziam o processamento inicial, incluindo o derretimento e a remanufatura das peças.
Já os financiadores seriam responsáveis pela lavagem do dinheiro obtido com o esquema. Segundo a investigação, eles utilizariam empresas de fachada e depósitos fracionados para ocultar a origem dos recursos e inseri-los no sistema financeiro.
O derretimento das joias é apontado pela polícia como um ponto central do esquema porque permitiria destruir evidências da origem das peças. Depois disso, o ouro poderia ser inserido novamente no mercado por meio de empresas e documentos fiscais.
Para os investigadores, o dinheiro obtido com a comercialização do ouro voltava a financiar novos crimes, formando um ciclo que começava com o roubo das joias, passava pelo derretimento e pela lavagem dos recursos e terminava com o financiamento de novos furtos e roubos.
A operação mobiliza 60 policiais civis do Deic, em 30 viaturas, além de 21 auditores da Receita Estadual e três avaliadores da Caixa Econômica Federal.
Os auditores fiscais participam da operação para verificar a regularidade fiscal das empresas investigadas e cruzar documentos. A Caixa participa para avaliar e fazer a custódia de eventuais joias, objetos de valor e outros bens apreendidos durante o cumprimento dos mandados.
A investigação é um desdobramento da primeira fase da Operação Ouro Reverso, realizada em 7 de maio de 2025.
Na primeira fase também foi preso, em Ferraz de Vasconcelos, Rony Gonçalves, apontado pela polícia como o principal negociador de objetos de ouro roubados. Segundo a investigação, ele integrava o esquema comandado por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como "Mainha do Ouro", apontada como responsável por dar apoio a quadrilhas envolvidas nos crimes.
A análise do material apreendido a partir dessa prisão permitiu, segundo a Polícia Civil, mapear as conexões entre assaltantes, comerciantes e operadores financeiros e identificar uma estrutura mais ampla de receptação e lavagem de dinheiro.
A segunda fase busca atingir justamente os demais elos dessa cadeia, com foco em lojistas, locais usados para o derretimento do ouro e movimentações bancárias dos investigados.
Em números
- Justiça bloqueia R$ 34,6 milhões em operação contra esquema de receptação de alian
Fontes
Informação baseada em material público de G1 São Paulo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.