Moskitão é acusado de capacitismo contra outro influencer.
O influenciador Alexsander José Rodrigues da Silva, conhecido como Moskitão, virou recentemente réu na Justiça de São Paulo por importunação sexual e discriminação em razão de deficiência contra o também influencer Guilherme Ribeiro dos Santos, o Tokinho, que tem nanismo, durante uma live em 2025 (veja vídeo acima).
O acusado responde aos crimes em liberdade.
A denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) acusa Moskitão de tentar beijar Tokinho sem o consentimento dele e fazer comentários de cunho sexual e discriminatório numa transmissão ao vivo na plataforma Twitch.
O episódio de capacitismo ocorreu em 30 de agosto do ano passado, num evento de música na Arena Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.
🔎 Capacitismo é a palavra usada para definir discriminação e preconceito contra pessoas com deficiência, associando-as a seres humanos inferiores ou menos capazes.
O g1 não conseguiu localizar Moskitão e sua defesa para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem.
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Logo após ter sofrido as ofensas verbais, Tokinho gravou um vídeo (veja no começo da reportagem) para criticar a atitude de Moskitão. "Eu me senti desrespeitado, constrangido", disse o influencer na ocasião.
A denúncia do MP contra Moskitão foi recebida pela 26ª Vara Criminal de São Paulo em 21 de julho de 2026. Na decisão, o juiz Marcos Vieira de Morais afirmou que havia prova da materialidade e indícios suficientes de autoria e determinou que o influencer responda à acusação.
Depois marcará datas das audiências para ouvir a vítima, o próprio acusado e os advogados das partes.
Se for condenado pelos dois crimes, Moskitão poderá receber penas que, somadas, variam de 2 a 8 anos de reclusão, além de multa. Caso a Justiça considere aplicável a previsão específica para o crime de discriminação cometido por meio de comunicação social, a pena poderá chegar a 10 anos de reclusão, além da multa.
Segundo o MP, Moskitão se aproximou de Tokinho durante a transmissão e insistiu para entrevistá-lo. Ainda de acordo com a denúncia, ele tentou beijá-lo contra a vontade e disse: “Eu vou te abusar”.
Na sequência, afirmou: “Eu tenho fetiche por deficiente” e voltado a tentar beijá-lo sem consentimento.
A denúncia também relata que Moskitão fez comentários sexualizados sobre pessoas com nanismo. Ao ser questionado por Tokinho sobre o que entendia por deficiência, ele afirmou que seria algo que “não condiz com o normal” e fez comentários sobre o tamanho do órgão sexual de pessoas com nanismo.
Moskitão - Sabe por que eu não te acho normal? Tokinho – Ai, você não me acha normal? Moskitão – Porque todo anão tem um p* grande.
Tokinho o corrigiu e pediu que ele usasse a expressão “pessoa com nanismo”, em vez de “anão”. Mesmo assim, segundo o MP, Moskitão continuou com as referências e, pouco depois, debochou atribuindo a ele expressões como "micro-ondas" e "viado" _Tokinho é gay.
Todo o episódio foi transmitido ao vivo pela Twitch, e o vídeo foi apresentado à investigação policial como prova.
Importunação sexual e discriminação.
A denúncia do MP enquadra Moskitão no artigo 215-A do Código Penal, que trata de importunação sexual, e no artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão, por discriminação em razão de deficiência.
A denúncia informa ainda que Moskitão não foi encontrado para prestar sua versão dos fatos durante a fase da apuração pela polícia. Por esse motivo, sua defesa não está no processo.
Após o episódio de capacitismo, Tokinho registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e relatou ter se sentido constrangido e discriminado durante a transmissão.
O vídeo da abordagem passou a circular nas redes sociais.
Na ocasião, Tokinho afirmou que não conhecia Moskitão e criticou a abordagem.
Essa pessoa ou qualquer outra pessoa que desrespeita, que joga ódio, compartilha ódio, preconceito, insinua assédio... não pode ficar assim", disse Tokinho na sua rede social após o episódio.
Por meio de nota, os advogados de Tokinho, Jean Duarte, Thiago Castanho, Ruan Sousa e Joyce Silva, informaram que "o recebimento da denúncia representa um importante avanço na busca por Justiça e demonstra que os fatos narrados pela vítima foram tratados com a seriedade que sua gravidade exige pelas instituições responsáveis pela persecução penal.
Nenhuma pessoa pode ser transformada em objeto de ridicularização, sexualização ou entretenimento em razão de uma deficiência ou de uma característica física. A liberdade de expressão e a atividade desenvolvida nas redes sociais não afastam o dever de respeito à dignidade humana, à integridade, à liberdade sexual e aos direitos das pessoas com deficiência", informa outro trecho do comunicado.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 São Paulo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.