Oito homens e uma mulher morrem pisoteados em baile funk em Paraisópolis, em São Paulo.
A Justiça de São Paulo decidiu que 12 policiais militares acusados pelas mortes de nove jovens durante uma ação policial no baile da DZ7, em Paraisópolis, na Zona Sul da capital, serão julgados pelo Tribunal do Júri.
A decisão foi assinada na segunda-feira (17) pela juíza Ana Luisa Marcondes Esteves, da 1ª Vara do Júri do Foro Central Criminal.
A decisão foi recebida com alívio, mas também com preocupação por familiares das vítimas. Eles questionam se o julgamento será capaz de responsabilizar todos os envolvidos na operação que terminou com a morte dos jovens.
Maria Cristina Quirino Portugal é mãe de Denys Henrique Quirino Silva, de 16 anos, uma das nove vítimas. Ela atua no movimento de familiares das vítimas do massacre, "Os 9 que Perdemos.
Para Cristina, a decisão representa uma conquista depois de quase sete anos de espera, mas o histórico de julgamentos envolvendo policiais aumenta o temor de uma nova frustração.
Cristina citou o caso de Guilherme Silva Guedes, adolescente de 15 anos morto em junho de 2020, na Zona Sul de São Paulo. Em julgamento recente, o Tribunal do Júri da capital absolveu os ex-policiais militares Adriano Campos e Gilberto Rodrigues, acusados de participação na morte do adolescente.
Vagner dos Santos Oliveira, conhecido como Biu, é tio de Luara Victória Oliveira, de 18 anos, a única mulher entre as nove vítimas do massacre.
Para ele, o fato de apenas os policiais militares que participaram diretamente da operação serem levados ao Tribunal do Júri não encerra a discussão sobre a responsabilidade pelo que aconteceu.
Segundo Biu, para os familiares, o Estado é o responsável pelas mortes. “Nada muda para mim. O sentimento de quem matou a Luara e mais os oito é o Estado. O Estado é o responsável direto.”.
Cristina também teme que a estratégia de defesa dos policiais seja baseada na criminalização das vítimas e de seus familiares. Segundo ela, essa abordagem já teria contribuído para que policiais acusados de crimes fossem absolvidos.
Cristina afirma que são poucos os casos em que policiais acusados de crimes são condenados e presos.
As nove vítimas do episódio foram Bruno Gabriel dos Santos, Denys Henrique Quirino Silva, Dennys Guilherme dos Santos França, Eduardo da Silva, Gabriel Rogério de Moraes, Gustavo Cruz Xavier, Luara Victória Oliveira, Marcos Paulo Oliveira dos Santos e Mateus dos Santos Costa.
Segundo a sentença, oito dos jovens morreram por asfixia mecânica por sufocação indireta. Mateus dos Santos Costa morreu em decorrência de traumatismo raquimedular.
De acordo com a investigação policial, os jovens foram encurralados durante a ação da Polícia Militar e morreram após um tumulto no local. O caso ficou conhecido como o massacre de Paraisópolis.
Nenhum dos nove mortos morava na comunidade de Paraisópolis.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 São Paulo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.