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Do passeio de bicicleta ao linchamento: cronologia da morte de Rafael em Copacabana; IMAGENS

Imagens de câmeras de segurança e a investigação da polícia ajudam a reconstruir os últimos momentos de Claudio Rafael Landeiro, morto após uma sequência de agr

6 min de leitura
Do passeio de bicicleta ao linchamento: cronologia da morte de Rafael em Copacabana; IMAGENS

Novas imagens da barbárie que chocou o país.

Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, saiu de casa para dar uma volta de bicicleta na noite de 11 de agosto. Pouco mais de duas horas depois, ele estava no chão, após ser perseguido e espancado em Copacabana, na Zona Sul do Rio.

Rafael chegou a ser socorrido, mas morreu.

Imagens de câmeras de segurança e depoimentos apresentados na investigação ajudam a reconstruir a sequência dos acontecimentos.

Às 22h26, Rafael deixa a vila onde morava com a família, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Ele saiu para dar uma volta na bicicleta da irmã.

A bicicleta tinha o pneu traseiro desgastado e o suporte do assento enferrujado, o que não impediu a acusação de roubo.

Vinte e oito minutos depois, às 22h54, Rafael chega a uma loja de conveniência em Copacabana.

Ele entra no estabelecimento para pedir um cigarro avulso. Um funcionário diz que não poderia entregar o cigarro sem pagamento. Rafael desiste e deixa a loja.

23h21: segurança questiona Rafael sobre a bicicleta.

Às 23h21, o segurança Davi Santos Machado aparece conversando com Rafael na entrada da loja. Segundo a investigação, Davi pergunta de quem é a bicicleta.

A bicicleta é presa com um cadeado junto a galões de água e Davi fotografa o veículo. Depois, ele volta ao funcionário e diz que havia encontrado o dono da bicicleta.

Depois das 23h21: outro segurança é chamado.

Segundo a investigação, Davi usa o celular para chamar outro segurança que trabalhava em uma rua próxima.

O segurança Jorge Luiz Ricardo Dias aparece nas imagens. Ele segura a bicicleta enquanto atravessa a Rua Barata Ribeiro com Davi e Rafael.

Jorge monta na bicicleta e começa a ir embora. Rafael tenta impedir que ele leve o veículo. Davi volta para a esquina e aparece com um porrete. Ele ataca Rafael e o persegue.

O porrete cai no chão. Depois, Jorge consegue levar a bicicleta. Ele pedala por algumas quadras até chegar à praia de Copacabana.

Perto da meia-noite: informação sobre um suposto ladrão se espalha.

Depois da discussão com Davi, Rafael atravessa a rua. Os dois caminham lado a lado por um trecho e depois se separam.

Entregadores de aplicativo costumavam permanecer em uma esquina da região esperando pedidos.

Segundo depoimento de Felipe Eduardo dos Santos Silva, perto da meia-noite um entregador avisou sobre a presença de um ladrão de bicicleta.

Um colega ouvido pela reportagem deu uma versão semelhante: “Aí chamaram, falaram que tinha agarrado um ladrão ali, segurança tinha agarrado o ladrão ali, tá ligado?”.

Pouco antes da meia-noite: começa a perseguição.

Felipe e Ailton José da Silva chegam ao local onde Rafael havia sofrido as primeiras agressões. Segundo a investigação, Davi informa aos dois que o suposto ladrão de bicicleta havia acabado de passar.

Rafael dobra em uma rua à esquerda. Os entregadores aceleram e passam a segui-lo de perto. Rafael então se senta na escadaria de um prédio.

Os entregadores chegam até Rafael. Moradores passam pelo local e entram na portaria. Felipe e Ailton tiram os celulares e filmam Rafael.

Na sequência, começa o linchamento. Um homem não identificado aparece e dá um chute em Rafael. Davi volta a dar pauladas enquanto fala ao telefone. Ele também chuta o rosto de Rafael.

Segundo a investigação, são cerca de nove minutos de agressões. Rafael leva 63 pauladas.

Depois das agressões: espera pelo socorro.

Os agressores deixam o local. Rafael permanece no chão, agonizando. Segundo a reportagem, ele fica cerca de 30 minutos aguardando o socorro.

Depois do crime: quatro pessoas são presas.

Quatro envolvidos na morte de Rafael foram presos: os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva.

Os seguranças e Felipe confessaram o crime. Ailton ficou em silêncio durante o depoimento à polícia.

As imagens de dezenas de câmeras da região são usadas pela polícia para esclarecer a dinâmica do crime. A investigação também pretende identificar pessoas que presenciaram as agressões.

Em seguida, segundo as investigações, Davi chamou outro segurança, Jorge Luiz Ricardo Dias. As imagens mostram Rafael conversando com os dois e, em determinado momento, apertando a mão de Davi e dando dois tapinhas nas costas dele.

Câmeras de segurança das ruas de Copacabana mostram que pelo menos sete pessoas se mobilizaram na perseguição a Rafael. Segundo a reportagem, informações equivocadas foram sendo repassadas entre as pessoas.

Jorge aparece segurando a bicicleta enquanto atravessa a Rua Barata Ribeiro, que fica em Copacabana, com Davi e Rafael. Ele monta no veículo e começa a pedalar para longe.

Jorge consegue levar a bicicleta até a região da praia de Copacabana. Rafael, enquanto isso, segue a pé.

Perto da meia-noite, entregadores que costumavam ficar em uma esquina aguardando pedidos são avisados de que havia um suposto ladrão de bicicleta na região.

Rafael dobra em uma rua. Os entregadores passam a persegui-lo.

Sem reagir, ele se senta na escadaria de um prédio. Os dois entregadores chegam e o abordam. Eles tiram os celulares e passam a chamá-lo de ladrão. Na sequência, começam as agressões.

Um homem que não foi identificado aparece e dá um chute em Rafael. Davi volta ao local com o porrete. As imagens mostram golpes, socos e chutes contra a vítima.

Segundo a investigação, foram 63 pauladas durante os cerca de nove minutos de linchamento. Ele também foi atingido diversas vezes na cabeça. Depois que os agressores deixam o local, Rafael permanece no chão.

Ele teria aguardado cerca de 30 minutos até a chegada do socorro.

As imagens também mostram Jorge nas proximidades do local das agressões. Segundo seu depoimento, ele teria dito a Davi: “Você vai ficar rindo, tem noção do que você fez?”.

Ainda de acordo com o relato apresentado na reportagem, Davi não respondeu e continuou rindo.

A polícia também pretende identificar outras pessoas que presenciaram as agressões.

A família de Rafael levou alguns dias para descobrir o que havia acontecido. A irmã, Fabiana Landeiro Hansen, contou que a certidão de óbito demorou a ser emitida e, por isso, o registro da ocorrência só foi feito na segunda-feira seguinte.

Ela também afirmou que não pretende deixar o caso cair no esquecimento. “Não vou parar, não vou desistir. Vou lutar até o fim pelo meu irmão e eu não vou deixar cair no esquecimento de jeito nenhum.”.

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Fontes

Informação baseada em material público de G1 Rio, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

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