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Depois de não entregar vestidos, ateliê de noivas em Pinheiros também é alvo de ação de despejo por atraso

Clientes dizem que pagaram pelas peças, mas não conseguiram retirar os vestidos nas datas combinadas; Polícia Civil investiga o caso como estelionato.

6 min de leitura
Depois de não entregar vestidos, ateliê de noivas em Pinheiros também é alvo de ação de despejo por atraso

Depois da confusão sobre o calote na entrega de vestidos para dezenas de noivas, a loja My Vintage Dress, na região de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, está sofrendo uma ação de despejo por parte do dono do imóvel.

  • Noiva cearense que comprou vestido por R$ 10 mil em loja acusada de não entregar peças em SP fica sem respostas: 'Desesperador.

Na ação que o g1 teve acesso, o advogado Sérgio Paulo Livovschi pede que as inquilinas sejam despejadas do imóvel.

A reportagem tenta contato com as sócias da loja para entender o imbróglio, mas ainda não teve retorno.

A poucos dias de seus casamentos, noivas que contrataram vestidos da My Vintage Dress enfrentam dificuldades para retirar as peças e conseguir contato com a empresa.

A situação provocou uma mobilização de clientes e familiares em frente ao ateliê, tumulto, invasão da loja e, segundo a proprietária, a interrupção da produção.

Nesta quarta-feira (2), a Polícia Civil informou que investiga o caso como estelionato.

A crise envolvendo a loja se tornou pública nos últimos dias, depois que clientes começaram a relatar nas redes sociais que pagaram pelos vestidos, mas não receberam as peças dentro do prazo combinado.

Algumas delas tinham o casamento marcado para os próximos dias e afirmaram não conseguir respostas da empresa.

Segundo a proprietária da My Vintage Dress, Camila Rossi, a empresa enfrentou problemas em sua operação de produção. Em comunicado, a loja afirma que passou por um período de “volume excepcional de pedidos e desafios na produção”.

Diante da situação, a empresa decidiu fechar temporariamente a loja para novas vendas e concentrar os esforços nos pedidos que já estavam em andamento.

A advogada da proprietária, Thaís Brito, afirmou que um dos problemas enfrentados pela empresa foi justamente a alta demanda de vestidos. Segundo ela, a loja física foi fechada temporariamente para que a equipe pudesse atender aos pedidos.

A empresa também informou que o volume de mensagens recebidas estava acima da capacidade imediata de retorno e pediu que as clientes aguardassem o contato da loja.

Entre as clientes está Iara, que tinha a retirada do vestido marcada para terça-feira (1º), mas se casaria na segunda-feira seguinte. Ao perceber que a empresa enfrentava problemas, ela tentou entrar em contato com a loja e afirmou que não recebeu resposta.

Nas redes sociais, outras clientes também passaram a relatar dificuldades para conseguir os vestidos contratados.

Na segunda-feira (31), clientes foram até a My Vintage Dress, em Pinheiros, para cobrar informações sobre os pedidos. A movimentação ganhou repercussão nas redes sociais.

Segundo a empresa, naquela noite houve uma “entrada coletiva e não autorizada” no estabelecimento. A loja afirma que mais de 50 pessoas entraram no local sem autorização.

A empresa também disse que algumas peças foram retiradas do estabelecimento durante a confusão. Segundo o comunicado, os vestidos foram retirados posteriormente por segurança.

Na manhã de terça-feira (1º), um grupo de noivas e familiares voltou ao endereço da loja em busca de respostas. Algumas clientes choraram diante do estabelecimento e disseram que não conseguiam contato com a empresa.

A Polícia Militar chegou a ser acionada após algumas das noivas invadirem a loja.

O episódio aumentou a repercussão do caso e fez com que vídeos e relatos das clientes circulassem nas redes sociais.

Loja diz que tumulto interrompeu produção.

Na noite de terça-feira (1º), a dona da loja afirmou que o tumulto provocado pela presença das noivas e familiares em frente ao estabelecimento afetou diretamente o funcionamento do ateliê.

Segundo ela, a confusão interrompeu a produção em um momento considerado crítico para a empresa, já que havia vestidos que precisavam ser produzidos, finalizados e organizados para clientes com casamentos marcados para os dias seguintes.

A proprietária afirmou que a prioridade naquele momento era atender as noivas que se casariam nos próximos dias.

Ela disse ainda que a empresa estava mobilizando a equipe, disponibilizando o acervo, buscando parceiros e trabalhando para encontrar alternativas para as clientes.

Ao final do comunicado, pediu desculpas às noivas e às famílias afetadas. “Não estamos parados e não desistimos. Estamos trabalhando incansavelmente para entregar todos os vestidos.”.

Caso passa a ser investigado como estelionato.

Nesta quarta-feira (2), a Polícia Civil informou que vai investigar como estelionato o caso da My Vintage Dress. Clientes afirmam que pagaram pelos vestidos, mas não receberam as peças dentro do prazo combinado.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os casos estão sendo registrados como estelionato pelo 14º Distrito Policial de Pinheiros ou por meio da Delegacia Eletrônica.

Loja fecha e não entrega vestido para casamentos no fim de semana.

A My Vintage Dress afirma que enfrenta dificuldades provocadas pelo volume de pedidos e pela produção dos vestidos. A empresa diz que fechou temporariamente as portas para novas vendas para concentrar os esforços nos pedidos já contratados.

Também afirma que continua atendendo e realizando provas e que a prioridade são as clientes com casamentos mais próximos.

A empresa nega que as imagens de araras vazias que circularam nas redes sociais representem o encerramento das atividades. Segundo a loja, alguns vestidos foram retirados do local por segurança depois da entrada de pessoas no estabelecimento.

A advogada Thaís Brito também atribuiu parte dos problemas à alta demanda e afirmou que houve alterações na qualidade das peças, com o objetivo de entregar vestidos de qualidade superior.

O Procon também entrou no caso. O diretor-executivo do órgão, Luis Orsatti Filho, afirmou que a proprietária da loja foi chamada a comparecer pessoalmente para prestar esclarecimentos e apresentar um cronograma de entregas.

Segundo ele, eventuais problemas enfrentados pela empresa não devem ser repassados às consumidoras.

Assim, a crise reúne, até o momento, reclamações de clientes que dizem não ter recebido os vestidos, dificuldades de comunicação com a empresa, a mobilização de noivas em frente ao ateliê, a alegação da loja de que houve uma entrada não autorizada de mais de 50 pessoas, a interrupção da produção e o receio de funcionárias de retornar ao trabalho.

O caso agora é analisado pela Polícia Civil, enquanto a empresa afirma que tenta priorizar e concluir as entregas dos casamentos mais próximos.

Em números

  • A loja afirma que mais de 50 pessoas entraram no local sem autorização

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Fontes consultadas

  • G1 São Paulolink

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