Um suposto esquema de "rachadinha" em plantões em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, teria permitido que médicos recebessem por horas não trabalhadas na rede pública.
- os valores recebidos pelos profissionais.
- quem autorizava ou validava os pagamentos.
- e eventuais transferências ou devoluções de dinheiro após os depósitos.
Polícia Civil apura esquema de "rachadinha" em Santa Luzia.
A investigação levou à deflagração de uma operação da Polícia Civil, realizada nesta quarta-feira (9), com o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão, inclusive na casa do vereador Rodrigo Gazeto (MDB), ex-secretário municipal de Saúde.
Dois médicos também são alvos da investigação.
A suspeita é de que a fraude começasse justamente na documentação que comprova os plantões médicos. Um profissional que tivesse trabalhado, por exemplo, em um plantão de 12 horas poderia aparecer nos registros e receber como se tivesse trabalhado 20 horas.
Parte do dinheiro pago "a mais" seria repassada ou devolvida a outros integrantes do esquema, caracterizando uma possível "rachadinha" com recursos públicos.
A importância da validação dos plantões.
Uma das peças consideradas fundamentais para o funcionamento do esquema seria a confirmação das escalas e folhas de ponto.
O responsável técnico da unidade teria papel importante nesse processo, por possuir atribuições relacionadas à conferência e à validação dos registros que comprovam quais médicos estavam de plantão, em quais dias e durante quais horários.
Com a confirmação dos registros, a administração pública fazia o pagamento dos valores correspondentes.
A investigação tenta esclarecer se as horas registradas coincidiam, de fato, com o período em que os médicos permaneciam trabalhando nas unidades de saúde.
Médicos recebiam e parte do dinheiro retornava.
Outro ponto que chama a atenção dos investigadores é a informação de que alguns médicos teriam recebido valores considerados suspeitos e, posteriormente, devolvido parte do dinheiro.
A Polícia Civil deverá identificar para onde esses recursos eram direcionados, quem eventualmente recebia os valores e qual era a participação de cada pessoa no suposto esquema.
Também será necessário esclarecer a dinâmica dos plantões. Ainda não está definido se médicos apenas cobriam colegas, se havia profissionais escalados simultaneamente ou se alguns nomes eram incluídos em escalas com uma carga horária superior à efetivamente cumprida.
Essas respostas deverão surgir a partir da análise de folhas de ponto, escalas médicas, pagamentos efetuados e movimentações financeiras.
Denúncia partiu de médica que teria recusado participar do esquema.
A suspeita chegou à Câmara Municipal de Santa Luzia em setembro do ano passado.
Segundo as informações apresentadas aos vereadores, uma médica teria sido convidada a participar do suposto esquema. Ela teria recusado a proposta e procurado um vereador para relatar o que estava acontecendo.
A denúncia foi levada ao plenário da Câmara Municipal e deu início às primeiras discussões públicas sobre o caso.
Na época, o então responsável técnico encaminhou um ofício à Câmara negando a existência de qualquer irregularidade. Ele teria informado que exercia a função havia anos e que nunca havia tomado conhecimento de um esquema envolvendo pagamentos irregulares de plantões.
Apuração interna e investigação policial.
Após a repercussão da denúncia, a Prefeitura de Santa Luzia instaurou uma comissão interna para investigar o caso.
A Comissão de Saúde da Câmara Municipal também realizou uma apuração. Vereadores da oposição, no entanto, consideraram que a investigação não avançou de forma satisfatória e decidiram levar as informações diretamente à Polícia Civil.
A instituição instaurou um inquérito e passou a investigar as suspeitas.
O principal objetivo da investigação agora é comparar os documentos oficiais com a realidade dos plantões. Os investigadores deverão analisar.
A Polícia Civil busca esclarecer se houve pagamento por serviços não prestados e se recursos públicos foram desviados por meio de um sistema de registros falsos ou adulterados.
A Prefeitura de Santa Luzia informou ter iniciado uma apuração interna para verificar possíveis fatos, circunstâncias e responsabilidades. A prefeitura afirmou também que uma comissão já havia sido criada para apurar questões relacionadas a contratos da área da saúde.
Segundo o município, o trabalho da comissão não tinha como objeto específico uma eventual "rachadinha" entre médicos, mas outras questões relacionadas aos contratos.
Ao fim dos trabalhos, apontamentos e conclusões foram encaminhados ao Controle Interno, onde o procedimento está atualmente em análise.
O g1 entrou em contato com Rodrigo Gazeto, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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