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Advogado preso em operação multiplicou patrimônio por dez e acumulou R$ 314 milhões em 7 anos, diz MP

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Advogado preso em operação multiplicou patrimônio por dez e acumulou R$ 314 milhões em 7 anos, diz MP

Ouça áudio em que ex-número 3 da Fazenda de SP fala em comprar sauna para lavar dinheiro.

O advogado João André Buttini de Moraes, preso nesta quinta-feira (3) em uma operação contra corrupção na administração tributária paulista, multiplicou por dez o patrimônio declarado entre 2017 e 2024, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

O MP-SP aponta Buttini como líder do núcleo privado de uma organização criminosa que cobrava propina para interferir na análise e na liberação de créditos tributários na Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo.

Segundo a investigação, o advogado captava grandes contribuintes, negociava honorários e facilidades e destinava parte dos valores recebidos a agentes públicos encarregados de destravar, acelerar ou aprovar os pedidos de ressarcimento de impostos.

A defesa do advogado João André Buttini de Moraes afirmou "que está tomando conhecimento dos elementos da investigação e das circunstâncias que levaram à operação.

Em total transparência e colaboração com a investigação, informa que tão logo tenha acesso integral aos autos do caso, prestará todos esclarecimentos necessários às autoridades competentes.

O próprio MP-SP ressalva que esse valor contabiliza duas vezes os recursos que entraram e posteriormente saíram das contas e inclui resgates de investimentos, empréstimos e transferências entre contas do próprio advogado.

Para os investigadores, os valores circulavam pelas empresas e chegavam ao patrimônio pessoal de Buttini principalmente na forma de dividendos.

Os pagamentos correspondiam a serviços jurídicos e de consultoria tributária e não representam, por si só, nenhuma irregularidade.

O MP-SP sustenta, porém, que uma parcela dos honorários recebidos por Buttini teria sido utilizada para pagar propina a agentes públicos. Os documentos não esclarecem se as empresas que contrataram o grupo tinham conhecimento dos supostos pagamentos ilícitos.

As entregas teriam ocorrido em dinheiro vivo, dentro de mochilas, principalmente em restaurantes de Pinheiros. Weiss também foi preso preventivamente nesta quinta.

Ao autorizar as prisões, a Justiça afirmou que o relato da colaboração premiada encontra respaldo em documentos manuscritos, dados bancários e fiscais, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mensagens extraídas de aparelhos eletrônicos e uma gravação ambiental submetida a perícia.

O MP-SP investiga possíveis crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Os citados ainda não foram julgados.

Desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, a Secretaria da Fazenda e Planejamento atua em conjunto com o Ministério Público de São Paulo na apuração rigorosa dos fatos.

As ações da pasta resultaram na demissão de cinco envolvidos, além de um exonerado e 17 servidores afastados sem remuneração.

Qualquer novo fato decorrente dos desdobramentos da operação, inclusive de eventuais acordos de delação ou denúncias, será rigorosamente apurado e, comprovadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis.

A Secretaria colabora integralmente com as investigações e reafirma seu compromisso com a rigorosa apuração e responsabilização de eventuais desvios, sem qualquer tolerância com condutas irregulares.

Em números

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Fontes consultadas

  • G1 São Paulolink

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