O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nacionalizou a discussão de temas paulistas no seu primeiro dia útil de campanha, apresentando discurso calibrado para uma eventual disputa presidencial de 2030.
Em um debate com representantes do setor de saúde, nesta segunda-feira (17), Tarcísio tratou de bets e do endividamento da população, do sistema penal e de audiências de custódia, do Orçamento da União e das dificuldades de financiamento do SUS, e defendeu uma reforma orçamentária como forma de esvaziar o poder das emendas parlamentares na execução de gastos públicos.
O evento foi promovido pelo SindHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo) e ocorreu em um auditório da entidade, na avenida Brigadeiro Faria Lima.
Em sua apresentação inicial, de cerca de 40 minutos, o governador centralizou sua fala em apresentar suas bandeiras para o setor, em especial a Tabela SUS Paulista —complemento estadual aos valores pagos pelo SUS a entidades que atuam na saúde pública, calculado por procedimento.
O programa é a principal ação de sua gestão na área, com foco em injetar recursos em santas casas e hospitais municipais para aumentar o número de procedimentos realizados pelo sistema público no estado.
Ao longo do evento, a saúde e a gestão do estado foram dando espaço para os assuntos nacionais. Sua visão sobre os sites de apostas, por exemplo, partiu de uma explicação sobre questões ligadas à saúde mental.
Agora a gente tem a questão do jogo, para pensar: 30%, 35%, 40% da renda do brasileiro está comprometida com o banco, comprometida com o consignado, e outros 20, 25% hoje estão comprometidas com o bet", disse, sem citar a origem dos dados.
As empresas estão investindo em terapia para seus funcionários, porque isso está drenando produtividade, e um dos temas do Brasil é produtividade.
Ele concluiu: "Então, é o seguinte. Ou o Brasil acaba com a bet ou a bet acaba com o Brasil.
Tarcísio não falou com jornalistas e não especificou se ele defende restrições às empresas de apostas ou a proibição do setor.
Durante o evento, o governador foi questionado sobre as emendas parlamentares, que são pagas tanto na esfera estadual quanto na nacional, e respondeu defendendo mudanças no Orçamento público como um todo.
Muita gente [pergunta] como é que a gente vai resolver o problema das emendas, aquele gênio que não volta pra garrafa", afirmou. "O gênio vai voltar pra garrafa quando a gente olhar o Orçamento como um todo.
Ele disse que, com a vinculação de receitas que existe no Orçamento público, "todo o esforço de discussão vai dar em torno de 3%" do total e que vai "chegar o momento que vocês não vão ter que discutir, porque o Orçamento vai estar absolutamente vinculado" "E aí a gente vai ter a falência, a insolvência, a falta de condição de manter as despesas obrigatórias.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.