Na primeira semana de propaganda eleitoral na TV, o PL de São Paulo colocou o holofote sobre candidaturas femininas. No horário reservado aos postulantes de vagas a deputado federal e estadual do partido, figuraram, em sua maioria, mulheres, incluindo uma trans.
O movimento acompanha a esfera nacional, uma vez que Flávio Bolsonaro (PL), candidato do partido à Presidência, dedica boa parte do seu horário ao eleitorado feminino, o que inclui a participação de sua mulher, Fernanda.
No dia 28, primeiro dia do horário eleitoral, o PL exibiu só candidatas à Câmara e à Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). No dia seguinte, os 2 minutos e 15 segundos reservados para postulantes a deputados foram ocupados por quatro candidatas: Rosana Valle, Rita Zambelli —mãe de Carla Zambelli—, Katia Sastre e Tatiane Costa.
Cada uma teve inserções de cerca de 30 segundos.
Na noite de segunda (31), assim como na terça (1º), todas as peças de candidatos a deputado federal pelo PL veiculadas em São Paulo foram de candidaturas femininas, incluindo a de Sophia Barclay, influenciadora que se define como "trans de direita anti-woke.
Na quarta (2) e na noite de quinta (3), só havia candidatos homens.
A maioria das postulantes se autointitula defensora do direito das mulheres e das crianças. Algumas ainda aproveitam o tempo de TV para se declararem conservadoras nas pautas de costume, como é o caso da vereadora de Praia Grande e candidata a deputada estadual Eduarda Campopiano.
Na propaganda, ela diz ser a "maior inimiga das feministas.
O PL lançou 71 candidaturas a deputado federal em São Paulo, das quais 24 são de mulheres —33,8% do total, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atualizados na quinta (3).
Na disputa às cadeiras da Alesp, a legenda lançou 95 candidaturas, das quais 30 são femininas (31,58% do total). As proporções superam o piso de 30% exigido pela Lei das Eleições.
De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, Flávio tem o voto de 36% dos homens e 31% das mulheres. Com Lula (PT), há mais equilíbrio entre homens (38%) e mulheres (39%).
O percentual de mulheres indecisas é de 4%, e o de homens é de 2%. Enquanto isso, 7% das mulheres declaram voto em branco ou nulo. Para os homens, esse percentual é de 5%.
A distribuição do tempo de propaganda na TV segue regra do TSE: o percentual do horário eleitoral reservado a mulheres deve corresponder à proporção de candidaturas femininas registradas pela chapa.
A aferição é semanal, e não cumulativa —ou seja, a coligação não pode veicular só mulheres no início da campanha e concentrar homens no fim para compensar.
Regra semelhante já vale para o financiamento das campanhas desde 2018. Naquele ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que ao menos 30% dos recursos do fundo partidário fossem destinados a candidatas mulheres.
Meses depois, o TSE estendeu a mesma proporção ao fundo eleitoral e ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV.
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