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Política Revisado por ULTRA AI

O que pesa contra Lula nas eleições de 2026

Endividamento de famílias, fila do INSS, Lulinha e resistência de evangélicos podem alimentar opositores

6 min de leitura
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O presidente Lula (PT) tenta a reeleição em 2026 com um histórico de desgastes acumulados ao longo do terceiro mandato e que alimentam a ofensiva de opositores.

As vulnerabilidades do petista incluem o endividamento recorde das famílias brasileiras, a fila do INSS que ele havia prometido zerar e a investigação da Polícia Federal que envolve o nome de seu filho Lulinha.

Endividamento das famílias O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde no governo Lula 3.

Desde outubro de 2025, os brasileiros comprometem 29% de sua renda para quitar dívidas financeiras, o maior percentual em pelo menos 20 anos, segundo o Banco Central.

A inadimplência dos consumidores atingiu 6,9%, o patamar mais alto desde 2012, puxada sobretudo pelo rotativo do cartão de crédito.

Pesquisa Datafolha mostrou que 2 em cada 3 brasileiros dizem ter dívidas e que 45% vivem em situação financeira apertada ou severa. Entre os mais pobres, a inadimplência é ainda maior: quem ganha até três salários mínimos registra calote superior a 7,5%.

O governo lançou em maio nova versão do Desenrola, programa de renegociação de dívidas, para tentar reduzir a inadimplência e melhorar a popularidade em ano eleitoral.

Pesquisa do Datafolha em julho mostrou que a economia é vista como o principal problema do país por 14% dos brasileiros. A saúde está no topo da lista, com 21% das menções, seguida por violência, com 17%.

Lula segue distante de contornar a resistência de evangélicos.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, em uma simulação de segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL), o presidente venceria por 47% a 43%. Porém, levando em conta apenas o segmento evangélico, o placar vai a 62% a 29% a favor do candidato do PL.

No segmento feminino, Lula costuma ver vantagem sobre Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Porém pesa contra o presidente seu histórico de declarações consideradas machistas.

Em abril de 2025, ele chamou a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, de "mulherzinha". Meses antes, disse ter nomeado uma "mulher bonita" no ministério para "melhorar a relação" com o Congresso.

O cenário é agravado pelo recorde de feminicídios no país registrado em 2025: ao menos 1. 470 mulheres foram assassinadas em contexto de violência doméstica ou por razões de gênero —média de quatro por dia, o maior número desde a tipificação do crime, em 2015.

A composição dos ministérios de Lula também não ajuda o discurso: com as saídas eleitorais, o número de mulheres nas pastas caiu de 10 para 8, em um total de 38 integrantes.

Em entrevista à Folha e ao UOL em julho, a primeira-dama Janja culpou partidos aliados por essa circunstância. "Se você vai fazer um acordo de um partido que está na coalizão, muitas vezes, eles não indicam mulheres.

A promessa de Lula em 2022 de reduzir a fila de pedidos no INSS tornou-se um problema eleitoral. No início deste ano, o estoque de solicitações bateu a marca inédita de 3,1 milhões.

Em abril, o governo demitiu o presidente do instituto, Gilberto Waller Júnior, substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira, com a missão declarada de acelerar a análise de benefícios e reduzir o tempo de espera.

Nos bastidores, a relação conflituosa entre Waller Júnior e o Ministério da Previdência era apontada como entrave à melhora na gestão.

Nesta semana, o INSS divulgou que a fila estava em 1,28 milhão de requerimentos. Flávio Bolsonaro incluiu em seu programa de governo um projeto sobre o tema, chamado "Brasil Sem Fila.

Lulinha não foi indiciado, mas teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do STF a pedido da própria PF. Desde julho, o STF autorizou a abertura de três inquéritos relacionados ao filho do presidente.

Entre as suspeitas, está tráfico de influência no governo federal, em órgãos como o Ministério da Saúde e a Dataprev.

A defesa de Lulinha nega qualquer participação nas fraudes e diz aguardar eventuais desdobramentos "com absoluta tranquilidade". Sobre o assunto, Lula afirmou que, caso seu filho esteja envolvido no escândalo, ele será investigado.

Em eleições anteriores, Lula já sofreu desgastes de outros escândalos de corrupção, como o mensalão e o petrolão, que costumam ser rememorados por adversários.

O presidente ficou preso por 580 dias entre 2018 e 2019 em decorrência de condenação por corrupção e lavagem de dinheiro em processo da Operação Lava Jato. Posteriormente, o Supremo considerou que houve nulidades no caso, incluindo a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro, e invalidou duas sentenças expedidas em Curitiba.

Lula completará 81 anos na semana da eleição, e a questão do vigor físico já entrou abertamente no debate eleitoral, destacada inclusive por veículos internacionais.

A revista britânica The Economist afirmou no fim de dezembro que Lula não deveria concorrer por causa de sua "idade avançada". Já o jornal The Guardian, também britânico, publicou reportagem sobre a estratégia do presidente e de aliados de divulgar vídeos dele fazendo exercícios (agachamentos, corridas, aparelhos de academia) como demonstração de disposição para um novo mandato.

O principal adversário, Flávio Bolsonaro, tem 45 anos —a mesma idade de Lula quando ele concorreu pela primeira vez à Presidência, em 1989. O senador já explorou a diferença: "Lula é como Opala, 'velhão', já foi bonito, mas hoje não te leva a lugar nenhum", disse.

Para ser candidato, preciso estar 100% de saúde", afirmou Lula no ano passado.

Nas 10 eleições presidenciais disputadas no período da redemocratização, Lula foi o candidato do PT em 8. Em 2018, ele lançou candidatura mesmo estando preso, mas desistiu depois de ser barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Ao longo deste mandato, Lula nunca conseguiu repetir os níveis de popularidade que ostentava quando deixou a Presidência, em 2010.

A fatia de eleitores que consideram seu governo ruim ou péssimo supera a parcela dos que classificam a gestão como ótima ou boa desde o fim de 2024.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, a avaliação negativa está em 41%, ante 33% da positiva. Consideram a gestão regular 25% dos entrevistados.

Outro quesito, a taxa de aprovação, mostra uma divisão arraigada do eleitorado: 50% dizem reprovar a gestão, ante 47% afirmam aprová-la. A pesquisa ouviu 2. 058 pessoas, e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

Em números

  • No início deste ano, o estoque de solicitações bateu a marca inédita de 3,1 milhões
  • Nesta semana, o INSS divulgou que a fila estava em 1,28 milhão de requerimentos

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Poderlink

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