Os dez ministros do Supremo precisam olhar para a estatueta da Justiça que enfeita seus gabinetes. Ela é cega.
O presidente do tribunal, Edson Fachin, sabe que a estratégia da turma do Vorcaro é obter a nulidade de todo o processo e de suas provas.
Afinal, o banqueiro quebrado ameaçou várias vezes contar "toda a história" do Master.
Preso, está conseguindo mais do que supunha. Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça engalfinharam-se. Um (Mendonça) quer que os diálogos de Moraes com Vorcaro em poder da Polícia Federal venham a público.
Trata-se da aplicação da lei do juiz americano Louis Brandeis: "A luz do sol é o melhor desinfetante.
O outro, Moraes, quer investigar iniciativas ilegais de Mendonça.
No meio, clarividente, está o presidente do tribunal, Edson Fachin, vendo que a estratégia da defesa de Vorcaro e de sua turma é a busca da nulidade. Assim, a maior fraude financeira da história iria para baixo das togas.
Quais? Todas, como se deu com a Lava Jato.
Isso está claro desde o tempo em que a relatoria do caso estava sob o ferrolho do ministro Dias Toffoli.
Como ensinaria Chico Buarque, "chamem o banqueiro.
O ministro André Mendonça deve estar amargamente arrependido de ter criado o Iter, uma instituição privada de ensino nascida em 2024. Ela se apresenta como um lugar onde "autoridades vivem o que ensinam.
O sujeito dessa frase é a autoridade, não necessariamente o saber.
Mendonça encabeça o plantel do Iter e é seguido por um "membro da Câmara Nacional de Licitações e Contratos da Advocacia-Geral da União" e por um "assessor de ministro do Supremo Tribunal Federal.
O instituto anuncia: "No Instituto Iter você aprende com quem faz.
Mendonça criou o Iter depois de ser nomeado para o Supremo Tribunal, mas não foi ele quem inventou essa fonte de conhecimento. A iniciativa de maior sucesso nessa área é o IDP, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, criado pelo ministro Gilmar Mendes há mais de 20 anos, antes de ser indicado para o STF, quando ele era advogado-geral da União.
Estendendo suas atividades a Portugal, o IDP promove ciclos de palestras chamadas de "Gilmarpalooza" que reúnem em Lisboa magistrados, ministros, parlamentares e empresários.
O atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi um dos fundadores do IDP.
O IDP se apresenta como "conhecimento que conecta, comunidade que transforma" e convida: "Formamos os nomes por trás das grandes decisões. Agora é a sua vez.
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