De um lado, um presidente em seu terceiro mandato resgatando o passado de sindicalista, numa tentativa de reconexão com a militância ("Um igual a vocês é capaz de fazer mais").
Do outro, um senador buscando forjar personalidade própria, já que seu atributo mais conhecido é ser "filho da esperança", como foi anunciado ao chegar a Copacabana.
No primeiro dia da campanha eleitoral, neste domingo (16), Luiz Inacio Lula da Silva (PT) lotou o estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, em um evento com recursos de megashow: telão que exibia clipes dos melhores momentos da vida do candidato, hino nacional com Fafá de Belém, discurso em um palco que invadia o gramado, gerando imagens perfeitas para a campanha na TV.
Quase no mesmo horário, pela manhã, Flávio Bolsonaro (PL) não reuniu gente suficiente na orla mais famosa do Rio de Janeiro se a comparação for com os atos promovidos pelo pai no mesmo lugar.
No alto do trio elétrico, praticamente apenas políticos locais. O pastor Silas Malafaia tinha outra agenda, enviou um áudio. "A maior manifestação neste ano será nas urnas, não nas ruas", escreveu um bolsonarista que assistia à transmissão pelo YouTube.
Em São Bernardo, o petista gastou boa parte dos 35 minutos do discurso de olho no retrovisor, lembrando os companheiros de luta sindical, os intelectuais que ajudaram a moldar o partido, a sua infância pobre, filho de mãe analfabeta.
Citou as suas prisões, inclusive a mais recente, o que não costuma fazer.
Lula está convencido de que a juventude não conhece a sua trajetória e precisa mostrar que, apesar dos 17 anos do PT no poder, não é um candidato do sistema. "Vocês colocaram na Presidência um peão, quase um analfabeto.
Mas eu conheço o coração e a mente de vocês. E tenho certeza que os outros que passaram por esse país não conheceram.
Se dona Lindu foi lembrada algumas vezes em São Bernardo, Jair Bolsonaro estava onipresente em Copacabana. Sua voz, falando de como pediu a Deus uma segunda chance no hospital depois de ter sido esfaqueado, foi reproduzida no meio do discurso do filho.
É difícil comparar o Pelé com o filho do Pelé, mas estou aqui com toda humildade", disse Flávio.
O candidato do PL garantiu que o ex-presidente nunca foi uma ameaça à democracia e pediu gritos de "volta, Bolsonaro". Terminou sua fala com "eu te amo, pai" e o bordão "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.