O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça mudou hábitos depois de saber que era monitorado por agentes da PF (Polícia Federal). A corporação produziu ao menos 6 relatórios de inteligência sobre o ministro.
Ministro pede a quem o visita que coloque o celular em caixa blindada, que bloqueia sinal, e só conversa com um sistema de som ligado com alguma música erudita para prejudicar escutas no local.
Os documentos vieram a público em 3 de setembro, quando o ministro Alexandre de Moraes os usou para pedir que Mendonça fosse investigado no inquérito das Fake News.
Desde então, Mendonça passou a pedir que visitantes coloquem os celulares em uma caixa blindada, capaz de bloquear os sinais dos aparelhos, antes de conversas reservadas.
Também liga um sistema de som e mantém música erudita tocando ao fundo para dificultar eventuais escutas no local.
Os relatórios teriam sido produzidos por uma unidade de inteligência ligada à Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores da PF e recebidos pela direção-geral da corporação entre 3 e 31 de agosto de 2026.
O material não tem timbre, assinatura, data de elaboração nem identificação dos analistas responsáveis. Também se apresenta como “documento de trabalho” sem valor probatório.
O material analisa decisões de Mendonça nas operações Sem Desconto —que investiga fraudes do INSS— e Compliance Zero, que apura irregularidades relacionadas ao escândalo do Banco Master.
Os documentos foram encaminhados formalmente a Moraes pelo então diretor da PF, Andrei Rodrigues, às 18h45 de 1º de setembro. Naquele dia, Mendonça havia retirado o sigilo de peças da investigação do Banco Master que mostravam a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com Moraes.
O relator do inquérito das Fake News afirmou ter recebido “notícias da existência” dos relatórios e determinou que a PF enviasse o material ao seu gabinete. Dois dias depois, usou o conteúdo para pedir a investigação do colega.
Em despacho desta 3ª feira (8.set. 2026), em que determinou o afastamento do diretor da PF Andrei Rodrigues, Mendonça afirmou ter sido submetido a “monitoramento sistemático” pela inteligência da força policial.
Classificou a prática como ilícita e disse que o expediente poderia configurar “verdadeira arapongagem [sinônimo de espionagem] institucional”. Também comparou a situação ao cenário do livro 1984, de George Orwell.
Mendonça afastou também Leandro Almada da Costa da Diretoria de Inteligência Policial e determinou que a Corregedoria da corporação apure quem ordenou e produziu os documentos e se existem outros relatórios com a mesma finalidade.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…