No início de outubro de 2002, poucas semanas antes de vencer pela primeira vez a eleição presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibiu na TV uma propaganda que se tornou ícone do marketing eleitoral do país.
Mulheres grávidas vestidas de branco caminhavam por um campo de trigo em uma fazenda na região de Maringá, noroeste do Paraná, sob o sol forte e o vento produzido por megaventiladores.
Modelos, mães e crianças avançavam pela plantação ao som de "Bolero", do compositor francês Maurice Ravel. Quando a música diminuía, Chico Buarque perguntava aos eleitores que país desejavam deixar para a próxima geração.
Você não pode escolher se seu filho será menino ou menina, mas uma coisa você pode escolher: que tipo de país você quer para ele", dizia.
No fim, Chico aparecia para concluir: "Se você não muda, o Brasil também não muda.
Entre as participantes estava Juliane Souza, aos 26 anos e grávida de Gabriela. Modelo, aceitou o convite da agência que a representava. Não era militante, mas se emocionou com a produção e votou em Lula naquele ano.
Tinha aquela esperança de que agora vai, agora muda", lembra.
Às vésperas do nono mês do governo, Juliane disse à Folha que era preciso ter "paciência de mãe" para esperar os resultados. "O governo está engatinhando. Tem de esperar os últimos meses para saber se mudou ou não.
Tem de ter esperança", declarou na ocasião.
O publicitário Duda Mendonça (1944-2021), responsável pela campanha de Lula, criou a peça como parte da estratégia para suavizar a imagem do candidato, então em sua quarta tentativa à Presidência.
A campanha apostava no discurso de conciliação, na guinada ao centro e no slogan "a esperança vai vencer o medo.
Para o ex-ministro José Dirceu (PT-SP), que coordenou a campanha de 2002, o filme fazia parte de uma estratégia de mudança na comunicação do partido. Segundo ele, a equipe procurava trocar a propaganda negativa por mensagens que combinassem emoção e uma ideia de futuro.
A emoção tinha que servir a alguma perspectiva. O filme foi pensado a partir de três ideias: a família, a mulher e o futuro do país", diz.
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