O grupo reúne empresas conhecidas por diferentes gerações, como varejistas, redes de alimentação e companhias de bens de consumo, em um movimento que expõe a dificuldade de modelos tradicionais para se adaptar ao crédito caro, à transformação digital e à redução do consumo.
Empresas que fizeram parte do cotidiano do brasileiro enfrentam juros altos e mudança no consumo.
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A lista também inclui Lojas Marabraz, CVLB (dona de Casa&Video e Le Biscuit) e a Americanas, que está em recuperação judicial desde 2023. Os casos têm trajetórias diferentes, mas juros elevados, restrição de crédito e queda ou mudança no padrão de consumo aparecem como fatores comuns.
Na última semana, a Oi teve a falência decretada pela Justiça, encerrando um processo de recuperação que começou em 2016.
De acordo com o Monitor RGF-BIZDOC, o Brasil tinha 6. 341 empresas em recuperação judicial em julho de 2026. No 1º semestre, 370 empresas entraram em RJ, alta de 6,2% ante o mesmo período de 2025, quando o estoque era de 5.
Para Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF e especialista em reestruturação, o quadro mostra que a pressão financeira deixou de se concentrar apenas nas grandes empresas.
O varejo está entre os segmentos pressionados. A RGF relaciona a deterioração a fatores como juros elevados, custo do crédito e perda de renda em regiões mais afetadas pela retração do agronegócio.
O efeito da taxa básica de juros (Selic) sobre essas empresas se dá de forma particularmente intensa porque o varejo depende de capital de giro para financiar estoques e recebíveis.
O impacto também alcança redes que oferecem crédito próprio ao consumidor.
Com o custo de funding elevado, margem pressionada e aumento da inadimplência, a cobertura de juros se deteriora. A consequência é a redução da capacidade de geração de caixa para pagar dívidas.
O consumidor também sente o efeito: juros altos reduzem a renda disponível e atingem principalmente as compras discricionárias.
A expansão das plataformas digitais, especialmente de empresas asiáticas, acrescentou pressão sobre categorias como vestuário, eletrônicos e artigos para casa. Para Damasceno, esse movimento acelerou uma transformação que já estava em curso.
O problema estrutural, de acordo com o especialista, está na dificuldade de algumas redes em tornar rentável a integração entre lojas físicas e canais digitais.
Grandes estruturas mantiveram custos elevados com aluguel, estoque distribuído e logística, enquanto concorrentes digitais ganharam participação.
A diferença aparece na capacidade de adaptação. Empresas submetidas aos mesmos juros e à mesma concorrência digital conseguiram preservar a operação quando ajustaram custos e integraram os canais com disciplina de margem.
O ambiente econômico ajuda a explicar a pressão sobre o varejo, mas não determina sozinho quais empresas chegam à recuperação judicial. Para Damasceno, decisões administrativas ajudam a separar as companhias que conseguem atravessar o período das que perdem capacidade de pagamento.
O caso da Americanas é citado como o extremo de problemas de governança, enquanto outras empresas chegaram à RJ depois de acumular alavancagem, manter lojas deficitárias ou postergar mudanças na operação.
A estrutura física também não precisa desaparecer. O problema está na manutenção de lojas caras sem uma função compatível com o novo padrão de consumo. Megastores podem ser convertidas em pontos de retirada, bases de última milha ou pequenos centros de distribuição.
A recuperação judicial oferece às empresas mecanismos para renegociar dívidas e contratos e reorganizar a operação. O resultado, porém, depende do que ocorre depois do pedido.
O diagnóstico ganha relevância diante do tamanho da insolvência empresarial no país. O Monitor RGF-BIZDOC aponta ainda crescimento das recuperações extrajudiciais e retomada das falências em 2026.
No agronegócio, 1. 263 empresas estavam em recuperação judicial, alta de 21,4% no semestre e de 66% em 12 meses.
Em números
- Grandes marcas do varejo acumulam R$ 20 bilhões em RJs em 2026