O dono da banca de jornal cravada entre a praça Osório e a Boca Maldita, no centro de Curitiba, não esconde sua rejeição ao PT.
Protestos contra o presidente Lula e sua sigla, alguns raivosos, são escritos de próprio punho nas bordas dos textos de jornais que ele escolhe e recorta. Os pedaços de papel são pendurados na parede externa da banca e ali ficam para quem quiser ler.
Tem quem reclame, mas ele não se importa e mantém o hábito adquirido ainda no governo de Dilma Rousseff.
Antigamente eu escrevia. Não que eu seja um cara letrado, mas escrevia o que achava, imprimia e colocava na porta. Hoje pego o jornal, dou uma olhada, faço um comentário em cima ou do lado", conta Maurício Puchalski, 70 anos, mais da metade trabalhando na banca.
Puchalski herdou a banca Brasil do pai, um dos primeiros donos de banca de jornais da região, entre as décadas de 1950 e 1960. "Naquela época, além dos jornais e revistas tinha uma bomba de gasolina na frente.
Eu tinha uns 4 anos, mas me lembro", conta.
Hoje, parte das bancas existentes na região nem vendem mais jornais. Puchalski ainda os oferece à clientela, mas aponta para a geladeira abastecida de água e refrigerante ao explicar a fonte do dinheiro que sustenta o pequeno comércio.
Em outros tempos, chegou a comprar um Santana Quantum para carregar os fardos dos jornais. "O que prejudicou foi a Covid. Acabaram muitas edições impressas. E as pessoas hoje veem as notícias no celular.
Um monte de mensagem, YouTube, coisas bacanas e ao vivo.
O próprio Puchalski não lê textos longos. Diz que é bom em matemática, mas, quando chegam os jornais, vai direto para os títulos e as frases em destaque. "Acostumei a ler reportagens pela parte que colocam ali, naquele quadrinho, e para mim basta.
Folha lança série com perfis de eleitores de todas as regiões do país.
A série Eleitor, esse Desconhecido integra a cobertura especial das eleições deste ano do jornal. A Folha viajou pelo país ouvindo homens e mulheres sobre como a política entra no cotidiano de cada um.
Entrou aos 11 anos no colégio militar, na época oferecido apenas aos meninos, e lembra que levou um susto com as regras. "Mudou meu mundo. No primeiro ano eu fui reprovado, mas aquilo foi uma lição.
A partir dali, fui estudando. Foi o certo. Por isso, bato palma para esses colégios cívico-militares de agora", diz.
Ele teve chance de seguir a carreira militar, mas optou pela engenharia civil. Formou-se na UFPR (Universidade Federal do Paraná), conseguiu emprego em uma grande seguradora como regulador de sinistro e assim conheceu o Brasil.
O regulador é o responsável por analisar, vistoriar e avaliar os danos causados a um bem segurado após um acidente. "Qualquer sinistro, eu viajava até lá, de Fusquinha, era uma aventura.
Conheci Porto Velho, Bahia, Rio Grande do Sul, muitos lugares.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.