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Política Revisado por ULTRA AI

Cury promete cortar até 10 ministérios, mas não diz quais, e nega conflito ao defender telemedicina no SUS

Os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli conduzem nesta semana entrevistas da Globo com os candidatos à Presidência da República, direto dos Estúdios G

10 min de leitura
Cury promete cortar até 10 ministérios, mas não diz quais, e nega conflito ao defender telemedicina no SUS

O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, concede neste sábado (29) entrevista à Globo.

Lista completa

  • Buscar déficit público próximo de zero durante o mandato, reduzindo custos e direcionando recursos para infraestrutura, educação e saúde.
  • Adotar o semipresidencialismo, com um primeiro-ministro responsável pela condução do governo e o presidente exercendo funções de Estado.
  • Estabelecer mandato de oito anos para ministros do STF, com idade mínima de 50 anos e mudanças nas regras de indicação e composição da Corte.
  • Incentivar a criação de 10 milhões de novos empreendedores, com capacitação e acesso facilitado a crédito.
  • Ampliar a educação em tempo integral, incorporando gestão da emoção, educação financeira e empreendedorismo ao currículo.
  • Criar uma política nacional de inclusão de alunos neurodivergentes, como pessoas com autismo, TDAH e dislexia.
  • Combater o feminicídio com botões de pânico, geolocalização e aplicativos de emergência, além de promover igualdade salarial e autoestima feminina.
  • Regularizar até 5 milhões de moradias em dez anos em favelas e áreas vulneráveis, combinando titulação, capacitação e crédito.
  • Impulsionar a produção no semiárido com irrigação, tecnologia hídrica e mecanização, em parcerias com Israel e China.
  • Criar polos de comércio e serviços nas rodovias federais para estimular pequenos negócios, produtores locais e agroturismo.
  • Atrair ou instalar 10 mil agroindústrias em oito anos, ampliando o processamento da produção agrícola no Brasil.
  • Dobrar o número de cooperados, de 27 milhões para 54 milhões, expandindo cooperativas em diferentes setores.
  • Transformar as embaixadas em polos de captação de negócios e promoção das exportações brasileiras.
  • Expandir a telemedicina no SUS, com meta de atendimento preliminar em até 30 minutos nos casos compatíveis.
  • Criar forças municipais de prevenção na segurança pública, aproveitando 5% dos servidores municipais, sem novas despesas operacionais.

Veja os principais destaques da entrevista com Augusto Cury.

Augusto Cury defendeu taxar as empresas de bets como forma para reduzir o tamanho da dívida pública brasileira em até 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, a dívida pública está em "números estratosféricos.

Eu taxaria as bets seriamente. Sabe quanto as bets pagam de imposto? Pagam 12%. Alimento, 18%. E, por incrível que pareça, luz, 30%, 33%. Se nós não taxarmos as bets.

E deveríamos taxá-las, tá, é pelo menos com 50%, nós vamos ter uma economia muito grande. Talvez 40% a mais em relação aos 12%, 52% seria uma taxação razoável.

Segundo o candidato, são necessárias "várias estratégias" para diminuir este valor. Ele citou o financiamento de 10 milhões de microempresas, "para poder aumentar a massa do pagamento de impostos", uma auditoria "muito séria" na gestão pública, a revisão de 50 mil cargos comissionados e a revisão dos contratos públicos para "combater a corrupção.

Cury foi questionado sobre quais ministérios pretende extinguir, conforme previsto em seu plano de governo, mas disse que ainda seria feita uma “análise criteriosa”.

Mesmo assim, afirmou que pretendia cortar de oito a dez ministérios para reduzir despesas.

O candidato também defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública e de uma secretaria executiva de Inteligência Artificial e Robótica.

Ao falar sobre o arcabouço fiscal, Augusto Cury afirmou que ainda estudava eventuais mudanças nas regras e evitou antecipar uma proposta. O candidato disse que seria “eleitoreiro” prometer alterações antes da conclusão dos estudos e defendeu a responsabilidade fiscal como condição para a redução da taxa Selic.

Cury afirmou que pretendia aumentar a tributação das bets e digitalizar a máquina pública, com uso de inteligência artificial e sem novas contratações, para ampliar receitas e reduzir despesas.

Sobre o salário mínimo, Augusto Cury defendeu a reposição da inflação mais um ganho real de 1% ao ano e afirmou que esperava elevar o piso entre 50% e 60% ao fim de quatro anos.

Cury disse que o ganho real seria viabilizado pelo controle das contas públicas e pelo aumento da eficiência da máquina pública. Segundo ele, a elevação do poder de compra ajudaria a fortalecer a classe média.

Atendimento por telemedicina no SUS.

Ao defender a proposta de fazer com que 80% das consultas básicas do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam realizadas por teleatendimento, Augusto Cury citou sua experiência como médico.

A medida esbarra em regra do Conselho Federal de Medicina (CFM) que impede a substituição de consultas presenciais por telemedicina nesses termos. O candidato não citou estudos ou experiências concretas que embasassem a meta de 80%.

Segundo o plano de governo de Cury, apenas os atendimentos mais complexos seriam realizados presencialmente. Em 2025, o Brasil registrou 31 milhões de consultas de atenção primária em todo o país.

Questionado sobre o fato de ser embaixador de uma empresa de telemedicina e de ter sido sócio dela até 2023, Cury negou “em hipótese alguma” haver conflito de interesses entre essa relação e sua proposta para o SUS.

Augusto Cury afirmou que não faria uma nova reforma da Previdência caso fosse eleito e defendeu aumentar “dramaticamente” a produtividade para enfrentar o déficit do sistema.

Ele reconheceu que o país enfrenta um “problema previdenciário gravíssimo” e citou a perda do bônus demográfico.

Cury também defendeu estimular o empreendedorismo como forma de ampliar o número de contribuintes da Previdência e disse que o país precisaria ter pelo menos 10 milhões de microempresas.

Para incentivar esses negócios, propôs dividir o BNDES em duas frentes: uma voltada às grandes empresas e outra às microempresas.

Questionado sobre quais ajustes faria na reforma tributária, Augusto Cury não apresentou uma proposta específica e afirmou que ainda avalia as mudanças com especialistas.

O candidato classificou a reforma como um “ecossistema muito complexo” e disse que nem tributaristas e contadores com quem conversou saberiam ainda quais serão todas as consequências das novas regras.

Cury demonstrou preocupação principalmente com o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que substituirá, entre outros tributos, o ICMS e o ISS. Segundo ele, a forma de recolhimento do novo imposto poderá dificultar a gestão do caixa de micro e pequenas empresas.

Apesar das críticas, Cury não detalhou que mudanças faria na reforma. “Nós vamos ter que avaliar. Eu estou conversando com vários tributaristas e vamos avaliar”, disse.

A reforma tributária foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2023, após décadas de discussão, e está em processo de implementação.

Questionado sobre a proposta de avaliar o desempenho de servidores públicos, prevista em seu plano de governo sem detalhamento, Augusto Cury não respondeu se funcionários que não atingissem as metas estabelecidas por sua gestão seriam demitidos, caso fosse eleito.

Ao falar sobre os critérios de avaliação, o candidato afirmou que seriam “tão básicos” e “muito estabelecidos em qualquer empresa de pequeno ou grande porte”. Entre eles, citou o atendimento aos cidadãos, a capacidade de raciocínio para “desempenhar mais rapidamente as suas funções” e o uso de inteligência artificial para otimizar processos.

O candidato do Avante defendeu mudanças na atuação da polícia para combater o feminicídio. Segundo ele, é necessário ampliar o uso de tecnologia e tornar as forças de segurança mais proativas.

Entre as medidas, Cury propôs o uso de drones e a criação de um aplicativo que permitiria às mulheres acionar as delegacias. Questionado sobre a dificuldade de implementar a medida em locais sem infraestrutura adequada de internet, afirmou que a ferramenta não estaria disponível em todas as cidades.

Sobre o aplicativo, Cury afirmou que há “um desânimo” entre mulheres em denunciar casos de violência pelo Disque Denúncia e que isso poderia atrasar a resposta policial.

Augusto Cury negou que pretendesse comercializar para a rede pública um método de ensino desenvolvido por ele. Questionado sobre o fato de já comercializar na iniciativa privada um programa com princípios semelhantes aos que defende para a educação pública, o candidato afirmou que o disponibilizaria gratuitamente às escolas.

O candidato também negou que sua proposta para a educação envolvesse a adoção de seu próprio modelo de ensino. “Eu não estou propondo o meu modelo. Eu estou propondo que os professores saiam dessa condição de expositor seco”, disse.

Cury defendeu o uso de recursos como música, oratória e teatro em sala de aula e afirmou que os professores deveriam estimular os alunos a perguntar, pensar e participar.

Questionado sobre a proposta de criar mais de 10 mil escolas de empreendedorismo no país, Cury afirmou que elas funcionariam dentro das escolas públicas já existentes, sem a criação de novas estruturas.

Segundo o candidato, professores seriam capacitados por meio de cursos on-line, com a participação de empreendedores voluntários.

Cury também defendeu a inclusão do empreendedorismo na grade curricular dos ensinos fundamental e médio. “As pessoas terão a oportunidade de fazer curso de cabeleireiro, informática, técnico de gestão de pessoas, de marketing digital e assim por diante”, disse.

Influenciadores digitais nas embaixadas.

Questionado sobre como conduziria a relação do Brasil com Estados Unidos e China, Augusto Cury defendeu a atuação de diplomatas profissionais nos temas mais relevantes, mas não respondeu como posicionaria o país diante das duas potências.

Ao falar sobre sua proposta de enviar influenciadores digitais para embaixadas brasileiras no exterior, Cury afirmou que o Itamaraty é “perito em pacificação”, mas deveria também ser “perito em vender o Brasil lá fora”.

Segundo o candidato, o país deveria ser apresentado como “supermercado do mundo e não como fazenda”. Cury afirmou que as embaixadas precisam ser “repaginadas” e defendeu capacitar diplomatas e outros funcionários para atuar também como influenciadores, sem aumento de custos.

Cury também afirmou que seria necessário melhorar a imagem do agronegócio brasileiro no exterior. “O agricultor é vendido lá fora como se fosse um vilão”, afirmou.

Vejam como foram as outras entrevistas.

A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.

Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay.

O 1º turno das eleições será em 4 de outubro.

Nasceu em Colina (SP) em 1958. Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e concluiu seu doutorado internacional em Psicologia Multifocal pela Florida Christian University em 2013, informa seu site.

Cury dedicou-se à pesquisa sobre as dinâmicas da emoção durante sua carreira. É pós-graduado na PUC de São Paulo e professor de pós-graduação e conferencista em congressos nacionais e internacionais.

Foi considerado o autor mais lido da última década no Brasil, pela revista "IstoÉ" e pelo jornal "Folha de S. Paulo". Recebeu o prêmio de melhor ficção do ano de 2009 da Academia Chinesa de Literatura pelo livro "O Vendedor de Sonhos", que foi adaptado para o cinema em 2016, com direção de Jayme Monjardim.

Veja as principais propostas de Cury, registradas no plano de governo entregue ao TSE.

Em números

  • Ele citou o financiamento de 10 milhões de microempresas, "para poder aumentar a massa do
  • Pagamento de impostos", uma auditoria "muito séria" na gestão pública, a revisão de 50 mil cargos comissionados e a revisão dos contratos pú
  • Em 2025, o Brasil registrou 31 milhões de consultas de atenção primária em todo o país
  • Iar o número de contribuintes da Previdência e disse que o país precisaria ter pelo menos 10 milhões de microempresas

Fontes consultadas

  • G1 Políticalink

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